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Coluna Fragmentos: A propaganda é a alma do negócio

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Publicidade do Magazin Ricardo Kossatz, uma das mais tradicionais casas comerciais de Ponta Grossa no século XX (JM, 29 de junho de 1978)
Publicidade do Magazin Ricardo Kossatz, uma das mais tradicionais casas comerciais de Ponta Grossa no século XX (JM, 29 de junho de 1978) -

João Gabriel Vieira

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Washington Olivetto, primeiro publicitário brasileiro a receber um prêmio no exterior, afirma que o Brasil é um país de terceiro mundo que possui um apelo publicitário de primeiro mundo.

A história da publicidade em nosso país começa no início do século XIX, mais precisamente em 1808, quando a Família Real Portuguesa chega ao Rio de Janeiro, funda a Imprensa Régia e, logo depois, nascem os primeiros jornais impressos no Brasil.

O primeiro anúncio que se tem notícia foi publicado no jornal A Gazeta do Rio de Janeiro (1808): a senhora Anna Joaquina da Silva oferecia “uma morada de casas de sobrado com frente para Santa Rita”. Esta simples oferta de venda de um imóvel marca o surgimento da publicidade nacional.

Lula Vieira, conhecido jornalista e publicitário brasileiro, afirma que “a grande maioria das pessoas gosta de conhecer, discutir e descobrir as razões mercadológicas e as técnicas de criação publicitária. Pois entender um pouco mais desses segredos é entender um pouco mais a sociedade e até a própria alma humana.”

No século XX observa-se o avanço dos veículos de comunicação. A “Era do rádio” (nos anos 30), o surgimento das revistas coloridas de grande circulação nacional e a chegada da TV (ambos na década de 1950), ampliaram imensamente o potencial mercadológico da publicidade no Brasil. Assim também ocorre nos jornais de todo país, onde a publicidade continuou ocupando um espaço destacado. 

No caso do Jornal da Manhã, desde seu nascimento, no ano de 1954, as propagandas sempre ocuparam lugar estratégico. Os anúncios publicados nesta folha traduzem o comportamento e as preferências da sociedade local. Por muitos anos, lojas tipicamente ponta-grossenses como o Magazin Ricardo Kossatz, as Lojas João Vargas de Oliveira e a Casa Romano publicaram suas peças no JM. Da mesma forma, o jornal também anunciou os programas da “Comadre Deyse” e o “Grande Jornal Falado HM”; levou aos leitores as ofertas de serviços do “Foto Bianchi” e do “Dr. Dino Colli” e, durante décadas, destacou a programação dos cinemas locais como o Inajá, o Ópera, o Pax e o Império.

Nos dias atuais, com o aperfeiçoamento tecnológico, as peças publicitárias ocupam um lugar cada vez mais privilegiado em todos os meios de comunicação. No caso dos jornais, o uso de cores, a computação gráfica e a qualidade dos profissionais que atuam na área, fazem com que a publicidade se integre plenamente à sua estrutura física. Como leitores, estamos tão adaptados para a convivência entre notícias, fotos e peças publicitárias que certamente estranharíamos se nos deparássemos com um jornal que não oferecesse aos seus leitores – entre uma notícia e outra – informações sobre liquidações, classificados, ofertas relâmpagos, atrações culturais, serviços profissionais etc., pois, como diz a máxima mercadológica “a propaganda é a alma do negócio”.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 08 de junho de 2008.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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