Coluna Fragmentos: O associativismo empresarial ponta-grossense | aRede
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Coluna Fragmentos: O associativismo empresarial ponta-grossense

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Registro da II Convenção Estadual do Comércio Lojista (30 de junho de 1978), realizada em Curitiba e que contou com a presença de representantes do CDL de Ponta Grossa
Registro da II Convenção Estadual do Comércio Lojista (30 de junho de 1978), realizada em Curitiba e que contou com a presença de representantes do CDL de Ponta Grossa -

João Gabriel Vieira

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O associativismo ocupa um capítulo a parte na história de Ponta Grossa. Se retornarmos ao começo do século XX encontraremos uma série de associações e organizações de naturezas diversas que representam a pluralidade social ponta-grossense do período.

Do ponto de vista social e cultural aparecem os clubes, os círculos literários e os grupos de teatro. Os trabalhadores concentravam-se ao redor dos sindicatos, núcleos anarquistas, círculos socialistas e dos centros operários. Os intelectuais podiam compartilhar suas idéias nos centros livre-pensadores e – os mais radicais – nos centros anti-clericais.

As “classes produtivas” – como eram chamados industriais e comerciantes na época – também se mobilizaram com intuito de criar organismos que as representassem sobretudo na garantia de questões tributárias, fiscais e comerciais. Vale lembrar que nas três primeiras décadas do século passado, Ponta Grossa exercia o papel de principal centro industrial e comercial do interior do estado e que a economia local dependia da entrada dos produtos ponta-grossenses no chamado “hinterland” paranaense. Graças a ferrovia, outros centros como Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Recife, Belém, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Montevidéu também eram abastecidos pelos artigos fabricados em Ponta Grossa.

A primeira organização empresarial fundada no Paraná foi a Associação Comercial do Paraná (01/07/1890) e teve como seu principal articular Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul. Duas décadas depois, em 1910, foram criadas as duas primeiras associações empresariais ponta-grossenses. A primeira foi a Sociedade Agrícola Pastoril Central do Paraná, presidida por Trajano Madureira. A segunda foi o Centro Commercio e Industria Paranaense, que teve como seu primeiro comandante José Pedro da Silva Carvalho, então um dos mais destacados comerciantes do interior do Paraná. Na diretoria do Centro estavam Heitor Madureira, José Bonifácio Guimarães Villela, Hugo dos Reis e Carlos Osternack. De acordo com seus estatutos, o principal objetivo da entidade era representar o coletivo de industriais e comerciantes ponta-grossenses.

A motivação que levou a criação do Centro foi a pretensão da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande de modificar o traçado da ferrovia, passando por outras cidades do interior paranaense e, no entender dos empresários da época, prejudicando a economia ponta-grossense.

A criação de um Centro empresarial, além de evidenciar a potencialidade de Ponta Grossa para o contexto regional da época, pode ser considerada como uma atitude audaciosa por parte de seus fundadores, principalmente se considerarmos que seus objetivos iam além do âmbito municipal: defendiam o princípio de que a cidade deveria ser o principal centro comercial e industrial paranaense e, desta forma, pretendiam congregar as classes produtoras de todo interior do estado. Oito anos após sua criação o Centro foi desativado. A dificuldade de manter a unidade entre seus membros durante o período da I Guerra Mundial (1914-1918) parece ter sido o principal motivo para o fechamento da entidade.

Pouco tempo depois, em 1922 foi criado o Centro Commercio e Industria de Ponta Grossa. Diferente do seu antecessor, esta entidade resistiu a efervescência política e social da década de 1920, a crise de 1929 e as dificuldades geradas pela II Guerra Mundial (1939-1945).

Na década de 1940 o Centro mudou de nome. Atualmente chama-se Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa, e, ao longo de 85 anos de história, se constituiu numa das instituições mais influentes na cidade e em toda região dos Campos Gerais. Com uma história marcada por uma intensa atividade política, cultural e social, a ACIPG foi o berço onde nasceram movimentos e campanhas de extrema importância como o estudo sobre a duplicação das rodovias da região nos anos 50, a defesa da criação das faculdades isoladas e da própria Universidade Estadual de Ponta Grossa, a concepção do Plano de Desenvolvimento Industrial (PLADEI) no final da década de 1960 e o Movimento Ética e Cidadania na década de 1990.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 01 de junho de 2008.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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