Tecnologia ajuda fazenda de Carambeí a reduzir conta de energia em mais de 90%
Sistema BESS desenvolvido pela WEG e implantado pela Glow Energia integra baterias, geração a biogás e energia solar para aumentar a segurança energética da produção leiteira

Uma das maiores produtoras de leite da região dos Campos Gerais está utilizando uma tecnologia ainda pouco difundida no agronegócio brasileiro para reduzir custos e aumentar a segurança de sua operação. A Fazenda Vale do Jotuva, em Carambeí (PR), implantou um sistema de armazenamento de energia em baterias, conhecido como BESS, com 150 kW de potência e 312 kWh de capacidade.
O projeto utiliza tecnologia da WEG e foi desenvolvido e implantado pela GLOW Energia, empresa de Ponta Grossa especializada em soluções de energia. Integrado à geração própria já existente na fazenda, o sistema contribuiu para que uma conta de energia que chegava a superar R$ 100 mil mensais fosse reduzida, em determinados meses, para menos de R$ 7 mil.
A propriedade produz aproximadamente 50 mil litros de leite por dia e possui cerca de 1.200 vacas. A elevada tecnificação da operação, com ordenha robotizada, sistemas de resfriamento, bombas, motores e equipamentos eletrônicos, faz com que a disponibilidade e a qualidade da energia sejam fundamentais para o processo produtivo.
Energia produzida na própria fazenda
A Vale do Jotuva já possuía geração fotovoltaica e geradores a biogás com capacidade instalada de aproximadamente 300 kVA. Os dejetos dos animais são utilizados para produção de biogás, que posteriormente é convertido em energia elétrica.
Apesar da geração própria, a fazenda ainda enfrentava custos elevados com eletricidade, ultrapassagens da demanda contratada e oscilações na rede, que chegaram a provocar danos em equipamentos.
A iniciativa de buscar uma nova solução partiu de Peter Vink, um dos responsáveis pela propriedade. Antes da implantação, a GLOW realizou uma análise do perfil de consumo e da operação elétrica da fazenda. A solução foi então dimensionada em conjunto com a WEG.
O equipamento utiliza baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP) e foi desenvolvido e fabricado pela WEG no Brasil.
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Bateria trabalha para reduzir a conta
Diferentemente de uma bateria utilizada apenas quando falta energia, o BESS da Vale do Jotuva trabalha diariamente no gerenciamento da instalação.
Durante o dia, o sistema monitora continuamente o consumo da propriedade. Quando a potência retirada da rede se aproxima de um limite programado, as baterias passam a fornecer energia, evitando picos que poderiam provocar ultrapassagens da demanda contratada.
O equipamento também atua no gerenciamento de energia reativa e, durante o horário de ponta, quando a energia da concessionária possui custo significativamente maior, utiliza a energia armazenada para reduzir a quantidade comprada da rede.
“O BESS monitora a instalação continuamente. Ele pode controlar os picos de demanda, atuar sobre os reativos e utilizar a energia armazenada justamente nos períodos em que comprar energia da rede é mais caro. Em uma interrupção do fornecimento, ainda pode assumir as cargas previstas no projeto. Conseguimos reunir redução de custos, qualidade de energia e segurança em um mesmo sistema”, explica Thales M. Santos, diretor comercial da GLOW Energia.
Tecnologia ganha espaço no agronegócio
O armazenamento em baterias começa a ganhar espaço no Brasil como complemento à geração solar, biogás e outras fontes de energia.
Além do backup em caso de falta de energia, sistemas BESS podem ser utilizados para reduzir picos de demanda, deslocar o consumo para horários de menor custo, controlar o fator de potência, auxiliar na regulação de tensão e integrar diferentes fontes de geração.
Na produção leiteira, a tecnologia ganha relevância pela crescente automação das propriedades e pela necessidade de manter em funcionamento equipamentos como sistemas de ordenha, resfriamento, ventilação, bombas e controles eletrônicos.
Para a GLOW Energia, o projeto de Carambeí mostra uma nova etapa na utilização de energia renovável no agronegócio. “Durante muitos anos o foco esteve em produzir a própria energia, principalmente através do fotovoltaico e do biogás. O armazenamento acrescenta uma nova possibilidade: controlar quando e como essa energia será utilizada. Para operações que possuem alto consumo ou dependem de energia de qualidade para continuar produzindo, isso abre uma série de novas aplicações”, afirma Santos.
A expectativa é que soluções semelhantes possam ser aplicadas em outras propriedades rurais, agroindústrias, indústrias e empresas dos Campos Gerais, especialmente em operações com geração própria, alto consumo de energia ou problemas relacionados à qualidade e continuidade do fornecimento.
Confira um resumo da notícia:
Tecnologia reduz custos: A Fazenda Vale do Jotuva, em Carambeí, instalou um sistema BESS de armazenamento de energia com 150 kW de potência e 312 kWh de capacidade. A solução ajudou a reduzir uma conta de energia que ultrapassava R$ 100 mil para menos de R$ 7 mil em determinados meses.
Energia para a produção: A propriedade produz cerca de 50 mil litros de leite por dia, com aproximadamente 1.200 vacas, e já contava com geração solar e biogás. As baterias ajudam a controlar picos de demanda, reduzir o consumo em horários mais caros e melhorar a segurança do fornecimento.
Tecnologia no agronegócio: O sistema utiliza baterias de lítio-ferro-fosfato desenvolvidas pela WEG e foi implantado pela GLOW Energia. A tecnologia pode ser aplicada em outras propriedades rurais e agroindústrias que possuem alto consumo ou geração própria de energia.






