MP vai apurar venda ilegal de remédios sem receita
Depois do portal aRede denunciar a venda ilegal de remédios sem receita em Ponta Grossa, o Ministério Público (MP) vai abrir um procedimento para acompanhar a fiscalização do Vigilância Sanitária. O Conselho Regional de Farmácia também repudiou o caso e vai tomar providências cabíveis.
O titular da Promotoria de Saúde do Ministério Público de Ponta Grossa, Emiliano Antunes Motta Waltrick, disse que vai instaurar um procedimento para acompanhar a fiscalização feita pela Vigilância Sanitária nas farmácias da cidade. “O Ministério Público irá cobrar da Vigilância Sanitária uma fiscalização mais eficiente, a fim de evitar esse tipo de comercio em Ponta Grossa”, afirma.
Produtores e repórteres do portal aRede visitaram várias farmácias da cidade. Com uma câmera escondida, não tivemos nenhuma dificuldade em comprar remédios que só poderiam ser comercializados com uma receita médica: desde antibióticos até anti-inflamatórios. Em uma das farmácias visitadas a atendente disse que venderia um remédio tarja preta se "tivesse uma receita sobrando".
José dos Passos Neto é o responsável pelo Conselho Regional de Farmácia em Ponta Grossa e viu com preocupação o fato. "Nós temos um fiscal para cuidar de duas mil farmácias e isso dificulta a fiscalização. Nosso trabalho é dificultado por isso e, muitas vezes, o farmacêutico acaba sendo vítima de um esquema comercial", argumenta Neto.
A coordenadora do departamento de Vigilância Sanitária de Ponta Grossa, Angela Pauli, disse que a Vigilância tem um controle sobre a venda dos medicamentos, mas que a comercialização de medicamentos sem receita vai da índole do farmacêutico. “Quando for apresentar o relatório para a Anvisa, o farmacêutico tem que obrigatoriamente comprovar para quem ele fez a venda, muitas vezes ele consegue uma receita para bater o que foi comprado e o que foi vendido”, afirma.
A automedicação é um risco a saúde e, acima de tudo, um mercado ilegal, promissor e muito lucrativo. O médico André Scartezini Marques alerta para o uso de remédios inadequados e outros perigos da automedicação. "O maior perigo da automedicação é a presença de um sintoma e, dessa maneira, mascarando uma doença mais grave", argumenta Scartezini.
Em todas as visitas de nossos produtores, os remédios indicados pelos farmacêuticos eram vendidos por um valor considerável, sempre a partir de R$ 20,00.
Empresas prestam explicações
O responsável pela Farmácia Nissei preferiu não se manifestar sobre o caso. Já o farmacêutico das farmácias Fleming disse que "vende os medicamentos sem receita", mesmo o sobre prescrição médica. O gerente da DrogaRaia informou que os atendentes do estabelecimento só comercializam os medicamentos tarjados quando o cliente "pede o produtor pelo nome".
O responsável pela Farmácia Estrela disse que só vende medicamentos tarjados quando "percebe" que a pessoa não tem como conseguir uma receita médica imediatamente. Já o responsável pela Maxifarma também preferiu não se manifestar e disse que vai analisar as câmeras internas do estabelecimento para saber quem vendeu o remédio.
Ponta Grossa fora da lei
Essa reportagem do portal aRede abre um série especial sobre leis que não são cumpridas na cidade. Acompanhe!





















