Quase 70 mil pessoas com deficiência desafiam PG a avançar na inclusão | aRede
PUBLICIDADE

Quase 70 mil pessoas com deficiência desafiam PG a avançar na inclusão

Entre políticas públicas, entidades especializadas e iniciativas empresariais, cidade amplia serviços, mas ainda enfrenta obstáculos para transformar acessibilidade em realidade cotidiana

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência começou em 21 de agosto
Semana Nacional da Pessoa com Deficiência começou em 21 de agosto -

Milena Batista

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Ponta Grossa tem pela frente um desafio que ultrapassa os limites da assistência social e envolve praticamente todas as áreas da administração pública e da vida urbana: garantir direitos, autonomia e oportunidades para uma população estimada em quase 70 mil pessoas com deficiência (PCD). O número, divulgado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD), com base em projeções relacionadas a levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dimensiona a importância de considerar essa parcela da população no planejamento da cidade.

Mais do que uma estatística, o contingente representa milhares de crianças, jovens, adultos e idosos com diferentes necessidades. Saúde, educação, assistência social, transporte, mobilidade, esporte, cultura, emprego, renda e atendimento especializado precisam funcionar de maneira articulada para que a inclusão deixe de ser apenas um conceito presente em campanhas institucionais e passe a fazer parte da rotina da população.

A discussão ganhou destaque neste mês, durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, promovida pelo CMDPD em parceria com a Prefeitura. A programação começou na sexta-feira (21) e seguiu até o dia 28, reunindo ações de conscientização, orientação sobre direitos, atividades culturais, serviços públicos e oportunidades de emprego.

Entre os destaques estava a Feira da Inclusão, no Ginásio Jamal Bazzi. O evento reuniu serviços relacionados a emprego, INSS, CRAS, cadastro em programas municipais, vacinação e cuidados pessoais.

A programação também buscou mudar a forma tradicional de abordar a deficiência, colocando as próprias pessoas com deficiência como protagonistas. Elas participaram da apresentação das atividades e de uma ação de conscientização no Calçadão. A proposta era aproximar o tema da população e reforçar que inclusão envolve não apenas direitos, mas também participação social, estudo, trabalho, esporte e autonomia.

A proposta era reforçar a inclusão
A proposta era reforçar a inclusão |  Foto: Prefeitura Municipal de Ponta Grossa

Uma rede que vai além da Prefeitura

A estrutura de atendimento disponível em Ponta Grossa é formada pela combinação de serviços públicos e organizações da sociedade civil. A Prefeitura atua em áreas como assistência social, saúde, educação e esporte, enquanto entidades especializadas complementam a rede com serviços que dependem de equipes e estruturas específicas.

Na assistência social, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) funcionam como portas de entrada para famílias que precisam de orientação e acesso a benefícios e programas. Já os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) atendem situações de maior complexidade.

O município também mantém equipamentos e projetos específicos para pessoas com deficiência. O Ginásio da Pessoa com Deficiência oferece atividades como fisioterapia, musicoterapia, esporte, oficinas de circo e dança. A iniciativa demonstra que o atendimento não precisa ficar limitado à reabilitação ou à assistência, já que atividades culturais, esportivas e de convivência também contribuem para a autonomia e a integração social.

Ginásio da Pessoa com Deficiência oferece atividades
Ginásio da Pessoa com Deficiência oferece atividades |  Foto: Prefeitura Municipal de Ponta Grossa

Equoterapia alia tratamento e inclusão

Outro exemplo de iniciativa voltada ao atendimento de crianças e adolescentes com deficiência é o Projeto de Equoterapia do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM). O programa oferece atendimento terapêutico gratuito e também atua como uma ferramenta de aproximação entre a corporação e a comunidade.

Criado em junho de 2018, o projeto surgiu a partir do trabalho voluntário de policiais do Pelotão de Polícia Montada. Após receberem especialização no Regimento de Polícia Montada, em Curitiba, os militares passaram a utilizar parte dos horários de folga para atender inicialmente dependentes de policiais que necessitavam da terapia.

Com os resultados obtidos, a iniciativa foi ampliada e passou a atender também famílias da comunidade que não possuem condições financeiras para custear o tratamento. Atualmente, 53 pacientes são acompanhados regularmente pelo projeto.

As sessões acontecem uma vez por semana e têm duração de 30 minutos. Cada paciente permanece no programa durante um ano. Para participar, é necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico), apresentar laudo e autorização de um médico especialista para a prática da equoterapia e passar pelo processo de triagem.

Antes do início das sessões, os pacientes também passam por uma avaliação multidisciplinar. O procedimento é realizado por policiais militares com formação nas áreas de Fisioterapia e Psicologia, que analisam as necessidades de cada criança ou adolescente para definir o acompanhamento adequado.

A equipe é formada por cinco profissionais especializados, que atuam como guias dos cavalos e equoterapeutas. Entre as áreas de formação estão Fisioterapia, Psicologia, Psicomotricidade e Educação Física.

Na equoterapia, o cavalo é utilizado como recurso terapêutico e educacional. Durante a atividade, o movimento tridimensional do animal proporciona estímulos que podem contribuir para o desenvolvimento físico, motor, cognitivo, emocional e social dos pacientes.

Além dos ganhos relacionados à parte motora, a equipe observa mudanças no comportamento e na interação das crianças. Entre os resultados percebidos estão melhora do controle emocional, da autoestima, do engajamento escolar e da convivência social.

O contato com os animais e a realização das atividades ao ar livre também tornam o tratamento diferente da rotina tradicional de consultórios, proporcionando uma experiência mais lúdica aos pacientes.

Para as famílias, o projeto representa ainda uma oportunidade de acesso gratuito a um tratamento que poderia ter um custo elevado. A convivência semanal com os policiais também contribui para aproximar a comunidade da corporação.

Ao longo do ano, as famílias participam de atividades e eventos promovidos pelo 1º Batalhão, como ações de Páscoa, Festa Junina, Dia das Crianças e Natal.

Dessa forma, a iniciativa amplia a atuação da Polícia Militar para além da segurança pública e utiliza a equoterapia como instrumento de inclusão, cuidado e aproximação com a população.

O programa oferece atendimento terapêutico gratuito
O programa oferece atendimento terapêutico gratuito |  Foto: Prefeitura Municipal de Ponta Grossa

Educação especializada

Na educação, Ponta Grossa conta com o CIAC Superação, voltado a estudantes da rede municipal com deficiência, transtorno do espectro autista, distúrbios de aprendizagem, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, altas habilidades e outras condições. O projeto reúne ações pedagógicas, psicológicas, sociais, esportivas e de estimulação cognitiva e motora.

A rede municipal também dispõe de Salas de Recursos Multifuncionais. Segundo levantamento apresentado pela Prefeitura, eram 74 unidades destinadas ao atendimento educacional especializado. O modelo busca complementar o ensino regular, oferecendo recursos e estratégias para ampliar a autonomia dos estudantes durante o processo de aprendizagem.

Entidades especializadas

As organizações não governamentais e entidades filantrópicas também desempenham papel fundamental nessa estrutura. A Prefeitura mantém termos de colaboração e repasses para instituições que prestam atendimento à população com deficiência.

Entre elas está a APAE de Ponta Grossa, que atua há décadas na defesa de direitos e na oferta de serviços gratuitos às pessoas com deficiência. A instituição possui estrutura própria e integra uma rede nacional voltada à inclusão social, educação e atendimento especializado.

Outra instituição de destaque é a Associação Pontagrossense de Assistência à Criança com Deficiência (APACD), que oferece atendimento clínico principalmente nas áreas de habilitação e reabilitação de crianças e adolescentes com patologias neuropsicomotoras.

A equipe reúne profissionais de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, musicoterapia, neuropediatria, nutrição, odontologia, ortopedia, psicologia, serviço social e terapia ocupacional, além de profissionais de estimulação visual.

A entidade também mantém uma oficina voltada à produção e disponibilização de recursos relacionados à mobilidade, ampliando o atendimento a pessoas que necessitam de órteses e outros meios auxiliares.

Na área da deficiência visual, a Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (APADEVI) atende pessoas cegas ou com baixa visão. A instituição oferece serviço social e acompanhamento que também envolve as famílias, com orientação sobre direitos, recursos disponíveis e estratégias para ampliar a autonomia.

A rede inclui ainda a Associação de Proteção dos Autistas (APROAUT), especializada no atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista, e a ASSARTE, que oferece serviços de educação especial e acolhimento institucional para pessoas com deficiência intelectual sem amparo familiar.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa já registrou a diversidade de serviços oferecidos por essas organizações, que incluem terapias, atendimento educacional, psicologia, musicoterapia, terapia ocupacional e outras atividades especializadas.

Em 2024, a Prefeitura reuniu representantes de organizações da sociedade civil parceiras do município para discutir melhorias na qualidade dos serviços. Participaram entidades como ADFPG, APACD, APADEVI, APAE, APROAUT, ASSARTE e ACAP Geny Ribas.

A parceria é considerada estratégica, já que essas organizações funcionam, na prática, como parte da rede de atendimento público. Em 2024, a Prefeitura anunciou o aumento de repasses para diferentes instituições, entre elas APAE, APACD, APADEVI, ASSARTE e APROAUT.

APAE de Ponta Grossa celebra 60 anos
APAE de Ponta Grossa celebra 60 anos |  Foto: Divulgação

Acessibilidade começa na rua: os desafios de viver com deficiência em Ponta Grossa

Calçadas, transporte, trabalho, esporte e cultura ainda impõem barreiras, enquanto município amplia políticas para garantir inclusão e autonomia.

Para quem vive diariamente com uma deficiência, as dificuldades nem sempre estão nos serviços especializados. Muitas delas aparecem no caminho entre a casa, a escola, a universidade, o trabalho e outros espaços da cidade.

É o caso de Valcemir de Oliveira, de 54 anos. Natural de Tibagi, ele divide os dias entre a cidade natal e Ponta Grossa, onde cursa licenciatura em música na UEPG há quase três anos. Há cerca de uma década, Valcemir perdeu a visão após uma cirurgia de descolamento de retina e precisou reaprender diversas tarefas do cotidiano.

Quando precisa se deslocar sozinho, principalmente no trajeto até a universidade, os obstáculos aparecem. Calçadas irregulares, falta de acessibilidade nos meios-fios e, principalmente, dificuldades para atravessar as ruas fazem parte da rotina.

“Eu prefiro descer onde tem uma lombada elevada e aí atravesso para ir para o outro lado. O caminho fica mais longo, mas é o mais seguro a se fazer”, conta.

Valcemir já levou algumas das dificuldades enfrentadas diariamente à Câmara Municipal, buscando alternativas para tornar os trajetos mais seguros. Entre as sugestões está a implantação de uma lombada elevada em frente ao Colégio Agrícola, em um trecho utilizado para acessar a universidade.

Segundo ele, a estrutura poderia facilitar a travessia de pedestres, especialmente de pessoas com deficiência. “O ideal seria fazer uma lombada elevada, que ficaria mais segura para nós passarmos”, relata. Ele afirma, porém, que recebeu a informação de que o local possui limitações técnicas devido à inclinação da via.

O paisagismo urbano também é apontado como um problema. Valcemir relata que palmeiras plantadas em parte das calçadas deixam frutos e folhas pelo caminho, criando obstáculos para pessoas com deficiência visual.

“Boa parte da calçada onde eu passo para ir para a aula são plantadas palmeiras, que caem coquinhos quando amadurecem, e isso, para a gente que tem deficiência visual, é um perigo. Além das folhas secas no caminho que ficam

penduradas e a gente acaba batendo o rosto”, afirma. Para ele, o planejamento urbano precisa considerar também o paisagismo.

Se o atendimento especializado é fundamental, a inclusão não se completa sem uma cidade fisicamente acessível. Calçadas irregulares, obstáculos, ausência de rampas, falta de piso tátil e veículos estacionados em locais inadequados podem transformar deslocamentos simples em situações de risco para pessoas que utilizam cadeira de rodas, bengala, andador ou que possuem deficiência visual.

A Prefeitura afirma ter avançado nessa área. Desde 2021, o programa de pavimentação municipal passou a incluir também a construção e revitalização de calçadas. Até julho de 2026, mais de 115 quilômetros de novas calçadas acessíveis haviam sido entregues nos locais contemplados pelas obras.

Os passeios incluem rampas e placas com relevo podotátil destinadas à orientação de pessoas com deficiência visual.

Outro instrumento é o Manual de Calçadas, elaborado pelo IPLAN para orientar proprietários, construtoras e comerciantes sobre a construção e a reforma dos passeios. A iniciativa busca enfrentar um problema histórico da cidade, marcado por desníveis, diferentes padrões construtivos e obstáculos à circulação.

Em 2026, a Prefeitura também reforçou a fiscalização. O Decreto nº 26.369, de 10 de março, regulamentou a construção e a manutenção das calçadas e estabeleceu que a faixa livre de circulação deve permanecer sem obstáculos. Em agosto, o IPLAN alertou proprietários e comerciantes sobre a necessidade de retirar barreiras que prejudiquem a passagem dos pedestres.

O transporte coletivo também passou a integrar esse processo. Em maio, o Terminal Central iniciou obras de modernização e acessibilidade, com investimento de R$ 600 mil. O projeto prevê piso podotátil de alerta e direcional, além de melhorias em rampas, guaritas, catracas e acessos.

São intervenções importantes, mas o tamanho do desafio exige continuidade. Uma cidade acessível não é aquela que possui apenas alguns equipamentos adaptados. É aquela em que uma pessoa com deficiência consegue sair de casa, caminhar, utilizar o transporte público, chegar ao trabalho, estudar, acessar serviços de saúde e participar de atividades culturais sem enfrentar uma sequência de barreiras.

O paisagismo urbano também é apontado como um problema
O paisagismo urbano também é apontado como um problema |  Foto: Guilherme Gruber/aRede

Trabalho é o próximo grande passo

A inclusão econômica é outro ponto central. Ter acesso à educação e aos serviços de saúde é indispensável, mas a autonomia também passa pelo direito ao trabalho e à renda.

A Agência do Trabalhador de Ponta Grossa desenvolve ações específicas para aproximar empresas e profissionais com deficiência. O órgão atua tanto na intermediação das contratações quanto no auxílio às empresas para o cumprimento das cotas previstas na legislação.

Em julho de 2025, por exemplo, foram anunciadas 27 vagas de contratação imediata destinadas exclusivamente a pessoas com deficiência. Havia oportunidades para servente de limpeza e auxiliar de produção, algumas sem exigência de experiência ou de ensino fundamental completo.

Em outras ações, a oferta foi ainda maior. Em 2023, o Dia D da Pessoa com Deficiência reuniu 24 empresas e disponibilizou 87 vagas. No ano anterior, uma ação encaminhou 170 pessoas com deficiência para oportunidades oferecidas por 54 empresas.

Os números mostram uma mudança importante: a pessoa com deficiência deixa de ser vista exclusivamente pela perspectiva assistencial e passa a ser reconhecida também como trabalhadora, consumidora e profissional capaz de produzir e participar ativamente da economia.

Nesse cenário, a responsabilidade do setor privado vai além do cumprimento das cotas. Empresas também podem adaptar ambientes, oferecer formação, tornar processos seletivos mais acessíveis e criar programas de aprendizagem e crescimento profissional.

A inclusão efetiva acontece quando a contratação deixa de representar apenas o preenchimento de uma vaga e passa a significar também uma oportunidade de desenvolvimento e carreira.

A própria Agência do Trabalhador já relatou casos de pequenas empresas que, mesmo sem obrigação legal de cumprir a cota, contrataram pessoas com deficiência. Para o setor, iniciativas como essa demonstram que responsabilidade social e inclusão podem caminhar junto às necessidades do mercado.

Ter acesso à educação e aos serviços de saúde é indispensável, mas a autonomia também passa pelo direito ao trabalho
Ter acesso à educação e aos serviços de saúde é indispensável, mas a autonomia também passa pelo direito ao trabalho |  Foto: Divulgação

Esporte, cultura e autonomia

A inclusão também precisa alcançar áreas que muitas vezes ficam em segundo plano. Esporte, lazer e cultura são direitos e instrumentos de socialização.

O município mantém atividades de paradesporto e outras iniciativas destinadas às pessoas com deficiência. Dados de um programa municipal de incentivo ao esporte registraram, em 2023, 41 turmas de paradesporto e 621 alunos inscritos.

A proposta é utilizar o esporte não apenas como atividade física, mas também como ferramenta de inclusão, desenvolvimento e qualidade de vida.

Na cultura, ações como a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência procuram ampliar a presença desse público em espaços públicos e eventos. A programação de 2026 inclui cinema, debates, feira de serviços, oficinas artísticas, contação de histórias e atividades esportivas.

Esse conjunto de iniciativas contribui para superar uma visão antiga, na qual a pessoa com deficiência era vista apenas como alguém que precisava ser cuidado.

A política de inclusão parte de outro princípio: criar condições para que cada pessoa desenvolva suas capacidades, faça escolhas e participe ativamente da sociedade.

O município mantém atividades de paradesporto
O município mantém atividades de paradesporto |  Foto: Prefeitura Municipal de Ponta Grossa

Uma cidade diante de um novo padrão de inclusão

Com quase 70 mil pessoas com deficiência, Ponta Grossa não pode tratar a inclusão como uma pauta restrita a uma semana do calendário. A estimativa divulgada pelo CMDPD coloca o tema entre os grandes desafios do planejamento urbano e social do município.

A cidade já possui uma rede relevante, formada por equipamentos públicos, entidades especializadas, serviços de saúde e educação, programas de assistência, ações de emprego, paradesporto, iniciativas de acessibilidade urbana e uma participação crescente do setor empresarial.

O desafio agora é integrar essa estrutura.

A família que procura atendimento para uma criança com deficiência precisa encontrar uma rede capaz de orientar sobre saúde, educação, assistência, benefícios, terapias e direitos. O jovem que conclui a escola precisa ter acesso a oportunidades de qualificação e trabalho. O adulto que busca emprego precisa encontrar empresas preparadas para recebê-lo. A pessoa idosa que adquire uma deficiência precisa contar com transporte, calçadas e serviços adaptados.

E todos precisam ter condições de circular pela cidade sem transformar cada deslocamento em uma barreira.

A inclusão, portanto, não pode ser medida apenas pelo número de atendimentos realizados ou pela quantidade de vagas abertas. Ela também precisa ser avaliada pela autonomia conquistada.

Para Ponta Grossa, a estimativa de quase 70 mil pessoas com deficiência representa uma responsabilidade, mas também uma oportunidade de construir um modelo de cidade mais humano. Rampas, pisos táteis, transporte acessível, escolas inclusivas e empregos são estruturas indispensáveis. A transformação mais profunda, porém, acontece quando a deficiência deixa de determinar o lugar que uma pessoa ocupa na sociedade.

O caminho já começou, com políticas públicas e uma rede de entidades que acumulam décadas de experiência. O próximo passo é fazer com que essa estrutura seja cada vez mais integrada, abrangente e presente no cotidiano.

Afinal, uma cidade verdadeiramente acessível não é aquela que cria espaços especiais para algumas pessoas, mas aquela que é planejada para que todos possam viver, trabalhar, estudar, circular e participar.

GALERIA DE FOTOS

  • Palhaços Sinalizantes
    Palhaços Sinalizantes
  • Palhaços Sinalizantes
    Palhaços Sinalizantes
  • Palhaços Sinalizantes
    Palhaços Sinalizantes
  • Palhaços Sinalizantes
    Palhaços Sinalizantes
PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right