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Com 32 passagens de nível, PG cobra soluções na concessão da Malha Sul

Na avaliação da chefe do Executivo, há uma necessidade de uma nova concessão ferroviária, que possa solucionar ou diminuir os impactos das malhas ferroviárias no trecho urbano

Ponta Grossa é cortada por 32 passagens de nível na área urbana
Ponta Grossa é cortada por 32 passagens de nível na área urbana -

Da Redação

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A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizou, na última segunda-feira (27), em Curitiba, a segunda sessão pública da Audiência Pública nº 11/2026. A sessão contou com a participação do diretor da ANTT, Felipe Queiroz, e integra a etapa de participação social destinada a receber contribuições para os estudos e as minutas de edital e contrato da futura concessão da Malha Sul ferroviária.

Na ocasião, a prefeita Elizabeth Schmidt (PL) entregou ao diretor do órgão regulador, Felipe Queiroz, um dossiê técnico e institucional com alternativas para diminuir os gargalos rodoviários de Ponta Grossa. Nas redes sociais, a prefeita afirmou que o documento, respaldado por um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), e aponta que Ponta Grossa é cortada por 32 passagens de nível na área urbana — gargalos históricos que registram picos de até 2 mil veículos por hora, como no entroncamento do Núcleo Rio Verde.

Na avaliação da chefe do Executivo, há uma necessidade de uma nova concessão ferroviária, que possa solucionar ou diminuir os impactos das malhas ferroviárias no trecho urbano de Ponta Grossa

Representantes do setor ferroviário, empresas, entidades, especialistas, usuários e demais interessados apresentaram sugestões para aperfeiçoar o projeto elaborado pela Agência. Todas as manifestações recebidas serão analisadas pela equipe técnica da ANTT e poderão resultar em ajustes nos documentos que orientarão as próximas etapas do processo de concessão.

A Audiência Pública nº 11/2026 integra o processo de estruturação da futura concessão da Malha Sul, cujo contrato atualmente em vigor se encerra em fevereiro de 2027. Nesta fase, a ANTT busca ampliar a transparência da discussão e reunir contribuições da sociedade antes da consolidação dos estudos que embasarão o edital e o contrato.

Com aproximadamente 4.247 quilômetros de extensão, a Malha Sul atravessa os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O projeto em discussão prevê a divisão da rede em três concessões independentes: o Corredor Paraná–Santa Catarina, com 1.502 quilômetros; o Corredor Mercosul, com 1.865 quilômetros; e o Corredor Rio Grande, com 880 quilômetros.

Entre os três corredores, o Paraná–Santa Catarina concentra cerca de 78% da demanda ferroviária da Malha Sul e responde pelo principal fluxo de cargas da rede. Aproximadamente 80% da movimentação desse trecho segue para os portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC), fundamentais para o escoamento da produção agroindustrial brasileira.

A força desse corredor reflete a importância do Paraná para a produção e a logística nacionais. Em 2025, o estado colheu 46,8 milhões de toneladas de grãos, o equivalente a 13,5% da produção brasileira. No mesmo período, os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 73,5 milhões de toneladas de cargas, o maior volume já registrado, reforçando o papel da ferrovia na integração entre produção, indústria e comércio exterior.

Os estudos contemplam ainda as características específicas de cada corredor. No Rio Grande do Sul, o projeto prevê a recuperação de trechos ferroviários afetados pelas enchentes de 2023 e 2024. Já o Corredor Mercosul mantém importância estratégica para a integração ferroviária entre diferentes estados e para a ligação do Brasil com a Argentina.

Novas audiências estão marcadas

A sessão realizada em Curitiba foi a segunda de quatro audiências públicas previstas pela ANTT. A primeira ocorreu em Brasília, em 16 de julho. As próximas serão realizadas em Porto Alegre (RS), em 29 de julho, e em Florianópolis (SC), em 31 de julho. As contribuições para a Audiência Pública nº 11/2026 podem ser enviadas até 10 de agosto pelos canais oficiais da ANTT. Após o encerramento desse prazo, a Agência analisará todas as manifestações recebidas e poderá promover ajustes nos estudos e nos documentos da futura concessão. Na sequência, o processo será encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), etapa que antecede a publicação do edital, a realização do leilão e a eventual assinatura dos contratos.

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