PG corre contra o tempo para mudar edital de concessão do Aeroporto Sant'Ana | aRede
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PG corre contra o tempo para mudar edital de concessão do Aeroporto Sant'Ana

Proposta da ANAC prevê inclusão do aeroporto no Programa AmpliAR, mas cria exceção que desobriga a futura concessionária de ampliar a pista

Aeroporto Sant'Ana, em Ponta Grossa
Aeroporto Sant'Ana, em Ponta Grossa -

Sara Dalzotto

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A proposta de concessão do Aeroporto Sant'Ana, em Ponta Grossa, está no centro dos debates sobre o desenvolvimento econômico e industrial dos Campos Gerais. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) publicou a minuta do termo aditivo de repactuação do Programa AmpliAR, do Ministério de Portos e Aeroportos, que prevê a inclusão do terminal no processo de concessão à iniciativa privada. No entanto, o texto estabelece uma exceção para o Aeroporto Sant'Ana, dispensando a futura concessionária da obrigação de ampliar a pista de pouso e decolagem.

Embora o aeroporto tenha sido enquadrado na Faixa 3, classificação que prevê pista com pelo menos 1.799 metros para operação de aeronaves Código 3C — como Airbus A320, Boeing 737 e Embraer E2 —, a minuta também mantém para Ponta Grossa os atuais 1.280 metros de extensão de pista.

A exceção prevista na proposta mobilizou a Prefeitura de Ponta Grossa, que protocolou contribuições técnicas à consulta pública da ANAC solicitando a revisão do edital. Segundo a prefeita Elizabeth Schmidt (PL), a ausência dessa exigência compromete a capacidade operacional do aeroporto e limita a oferta de voos comerciais.

Elizabeth ainda afirmou que a proposta apresentada na consulta pública diverge do que havia sido discutido anteriormente com o Governo Federal. "Ao contrário do que havíamos tratado em Brasília, na inclusão do aeroporto de Ponta Grossa no amplo processo de repactuação do aeroporto de Brasília, com concessão à iniciativa privada, o plano publicado não prevê aumento da pista de Ponta Grossa”.

Além das contribuições técnicas, protocoladas pela prefeita Elizabeth, à consulta pública da ANAC, a gestora irá participar da audiência pública promovida pela Agência no dia 29 de julho, para debater a proposta e reafirmar a exigência. “O edital atual não nos contempla em nada. Mobilizamos as forças políticas do Paraná e as lideranças de Ponta Grossa e da região para reverter um quadro que parecia favorável e não é mais. Queremos a elevação do nosso aeroporto para o patamar 3C, apto a receber aviões maiores e a operar como aeroporto de porte. Sem essa elevação de padrão não faz sentido falar em concessão”, reforça.

Prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (PL)
Prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (PL) |  Foto: Bernardo Rosas/aRede.

Investimentos ampliam estrutura do Aeroporto Sant'Ana

Enquanto a proposta de concessão é debatida junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Aeroporto Sant'Ana já passa por um processo de modernização com recursos públicos. Segundo a Prefeitura de Ponta Grossa, o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Aviação Civil, investe na ampliação da infraestrutura do aeroporto, com a construção de um novo terminal de passageiros, ampliação do pátio de aeronaves e implantação da pista de taxiamento (taxiway).

Na avaliação da administração municipal, esses investimentos reforçam a necessidade de ampliar também a pista de pouso e decolagem. A prefeita Elizabeth Schmidt argumenta que manter o aeroporto com os atuais 1.280 metros de pista compromete o aproveitamento da infraestrutura em implantação. "Não é inteligente, não é adequado e nem é responsável manter a pista nas dimensões atuais", afirma.

Além dos investimentos federais, a Prefeitura também destinou novos recursos para a estrutura do aeroporto. Após oficializar a transferência da gestão do terminal para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Planejamento, o Executivo abriu um crédito adicional de R$ 19,7 milhões para obras no aeroporto.

Do total autorizado, mais de R$ 18 milhões serão destinados apenas para a ampliação do terminal de passageiros. Os investimentos também incluem R$ 130 mil para aquisição e reposição de equipamentos e materiais permanentes do aeroporto, e cerca de R$ 1 milhão para manutenção das atividades. O recurso e a mudança foram oficializados pela Lei nº 15.990 e pelo Decreto nº 26.751.

Programa AmpliAR

O Programa AmpliAR é uma iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos voltada à ampliação da conectividade aérea regional. Pelo modelo proposto, a empresa vencedora da concessão do Aeroporto Internacional de Brasília também assumirá a administração de dez aeroportos regionais, entre eles o Aeroporto Sant’Ana, de Ponta Grossa.

O programa permite que empresas que já administram grandes aeroportos do país assumam também a operação de aeroportos regionais considerados deficitários. Como contrapartida, as concessionárias podem receber mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro.

Entidades se unem para cobrar revisão do edital da concessão do Sant'Ana

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) se posicionou sobre o modelo proposto para a inclusão do Aeroporto Sant’Ana na futura concessão do Aeroporto Internacional de Brasília. Segundo o João Arthur Mohr, Superintendente da Fiep, o ofício se manifesta em apoio à solicitação apresentada pela Prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (PL). “Nós estamos basicamente pedindo que seja revisado essa concessão, obrigando o concessionário que vencer a licitação à ampliar a pista para aeronaves do tipo 3C”, explica

O ofício, assinado pelo presidente da Fiep, Virgílio Moreira Filho, foi encaminhado ao diretor-presidente da Anac, Thiago Chagas Feierstein. Segundo o texto, o Aeroporto Sant’Ana representa um importante ativo de infraestrutura para o desenvolvimento econômico, industrial e logístico de Ponta Grossa e da região dos Campos Gerais, “constituindo elemento estratégico para a atração de investimentos, ampliação da conectividade regional e fortalecimento da atividade produtiva paranaense”.

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Virgílio Moreira Filho
Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Virgílio Moreira Filho |  Foto: Divulgação.

Segundo a Fiep reforça no ofício, a inclusão do Aeroporto Sant’Ana na categoria de Faixa 3, com comprimento mínimo da pista atual sendo incompatível com as características operacionais atribuídas à classificação, pode comprometer o potencial da infraestrutura aeroportuária.

Ainda de acordo com a Federação, os investimentos adequados para a infraestrutura do aeroporto são fundamentais para a expansão das atividades industriais e dos serviços nos Campos Gerais. Segundo o presidente, com um aeroporto funcionando de forma plena na região, vai resultar em um maior desenvolvimento econômico do Paraná e para o aumento da competitividade do setor produtivo nacional.

Acipg exige ampliação com cronograma de investimentos

A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) também se manifestou sobre a proposta do Ministério de Portos e Aeroportos. Assim como a prefeita Elizabeth Schmidt, a entidade apoia a inclusão do aeroporto na futura concessão, desde que, a ampliação da pista de pouso e decolagem – em comprimento e em largura – conste como obrigação contratual da futura concessionária, com prazo definido no cronograma de investimentos.

Em ofício à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), assinado pelo presidente da Acipg, Leonardo Puppi Bernardi, a Associação reforça que a exigência da ampliação diz respeito à regularização do tamanho da pista, de forma que se torne compatível com aeronaves comerciais a jato.

Presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), Leonardo Puppi Bernardi
Presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), Leonardo Puppi Bernardi |  Foto: Bernardo Rosas/aRede.

Para a Acipg, a regra “desobriga a concessionária de executar justamente a obra que dá sentido à inclusão do aeroporto na concessão". A entidade também argumenta que, sem a ampliação da pista, os investimentos federais destinados à modernização do terminal serão subaproveitados e Ponta Grossa continuará sem voos comerciais regulares, “situação que já se prolonga por mais de um ano".

Além disso, a Associação destaca que a falta de voos regulares irá afetar diretamente o cenário econômico dos Campos Gerais, uma vez que a industrialização da região e a presença de multinacionais, agroindústrias e cooperativas de expressão nacional, são fatores que aumentam a demanda do trabalho. Atualmente, esse ecossistema depende do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, para transporte aéreo.

Secovi-PR aponta incoerência técnica no modelo da concessão

Também por meio de manifestação encaminhada à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR) defendeu a revisão do edital de concessão do Aeroporto Sant'Ana e classificou como tecnicamente incoerente o tratamento dado ao terminal de Ponta Grossa no Programa AmpliAR. O documento foi assinado por Carlos Ribas Tavarnaro, presidente da entidade.

Presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Carlos Ribas Tavarnaro
Presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Carlos Ribas Tavarnaro |  Foto: Bernardo Rosas/aRede.

Para o Secovi, a exceção criada sobre a pista do aeroporto é uma contradição dentro do próprio modelo da concessão. Enquanto a pista permanece com dimensões incompatíveis com aeronaves de código 3C, o edital exige que outras estruturas do aeroporto, como área de pátio e capacidade operacional, sejam dimensionadas para atender justamente esse padrão de operação. “A manutenção desta pista de pouso e decolagem inviabiliza, ou ao menos restringe de forma severa, a operação regular dessas aeronaves.”

Segundo a entidade, essa incompatibilidade também contrasta com os investimentos federais já executados e em andamento no Aeroporto Sant'Ana, podendo comprometer o aproveitamento dos recursos públicos. "Não há sentido em exigir pátio, PCN, terminal e taxiway compatíveis com aeronaves Código 3C e, simultaneamente, manter a pista em condição insuficiente para a operação regular dessas mesmas aeronaves", afirma.

Ao final do documento, a entidade solicita que a ANAC revise o item do edital que limita a exigência da pista aos atuais 1.280 metros e defende que sua ampliação passe a integrar o conjunto de investimentos obrigatórios da futura concessionária, com eventual recomposição do equilíbrio econômico-financeiro no contrato, se necessário.

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