Projetos transformam a reciclagem em política de sustentabilidade e participação em PG
Tecnologia, sistema de recompensas e consciência ambiental impulsionam nova fase da reciclagem em Ponta Grossa

A limpeza urbana é considerada um dos serviços públicos essenciais, ao mesmo tempo que também é um dos mais complexos na gestão de uma cidade. Diariamente, toneladas de resíduos são coletados, transportados e destinados de forma ambientalmente adequada, garantindo condições de saúde pública, bem-estar social e preservação ambiental para toda a população.
Em Ponta Grossa, o gerenciamento da limpeza urbana é realizado de maneira planejada, contínua e integrada, abrangendo todas as etapas do manejo de resíduos sólidos — desde a coleta até a destinação final —, a partir das diretrizes da legislação vigente. Dentre elas, a Lei Federal nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a qual estabelece princípios fundamentais para a gestão sustentável dos resíduos no país.
A norma reforça o princípio da responsabilidade compartilhada, no qual poder público, setor produtivo e sociedade possuem papel conjunto na gestão adequada dos resíduos. Nesse sentido, a participação da população é indispensável para o funcionamento eficiente de todo o sistema de limpeza urbana.
No município, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) é responsável pelo planejamento, supervisão, fiscalização e gestão dos serviços de limpeza pública, atualmente executados por empresa contratada. Para isso, o município conta com uma estrutura operacional composta por cerca de 270 profissionais, que atuam diariamente para manter a cidade limpa.

Serviços de limpeza pública em Ponta Grossa
A Prefeitura de Ponta Grossa disponibiliza à população um conjunto de serviços essenciais que compõem o sistema de limpeza urbana e gestão de resíduos sólidos.
Entre eles estão a Coleta de Resíduos Domiciliares (RSU/Rejeitos), responsável pelo recolhimento dos rejeitos não recicláveis, como papel higiênico e fraldas descartáveis; a Coleta Seletiva, destinada aos materiais recicláveis; os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), que ampliam as opções de descarte correto; além da varrição manual das vias públicas e da limpeza realizada após as feiras livres. O município também mantém o Programa Feira Verde, que permite a troca de materiais recicláveis por alimentos e outros itens essenciais, promovendo sustentabilidade e inclusão social.

Gestão ambiental em Ponta Grossa
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente também disponibiliza à população um mapa de gestão de resíduos e infraestrutura ambiental, onde é possível consultar pontos de coleta, dias e horários da coleta domiciliar, locais do Programa Feira Verde e outras informações relevantes sobre os serviços de limpeza urbana no município.
Adicionalmente, a Secretaria informou que tratativas iniciais para a revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) estão em andamento. Este instrumento é fundamental para orientar as políticas públicas relacionadas ao manejo de resíduos sólidos e à limpeza urbana, abrangendo também as associações de catadores e a ampliação dos sistemas de coleta existentes.

Recicla PG e a campanha “Rumo ao Hexa da Reciclagem”
Entre as ações desenvolvidas pelo município estão programas de educação ambiental, incentivo à coleta seletiva, gestão adequada de resíduos e campanhas de conscientização sobre práticas sustentáveis. Nesse cenário está o Recicla PG, programa da Prefeitura de Ponta Grossa, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiento, em parceria com a SO+MA, a Heineken e o Governo do Paraná.
Os participantes cadastram-se em um aplicativo e recebem pontos conforme a quantidade e o tipo de material entregue nas Estações Recicla PG, que podem ser trocados por descontos em estabelecimentos comerciais, combustível, produtos e até serviços gratuitos.
Com o início da Copa do Mundo, Ponta Grossa lançou nesta semana, a campanha “Rumo ao Hexa da Reciclagem”, uma ação especial dentro do programa, que busca incentivar a destinação correta de materiais recicláveis e ampliar a participação da população nas ações de sustentabilidade. A ação será realizada entre os dias 10 de junho e 31 de julho e terá como foco o aumento da arrecadação de vidro e garrafas PET.
Ao final da campanha, os três participantes com maior pontuação serão premiados. O primeiro colocado receberá um vale-compras de R$ 200, o segundo lugar de R$ 100 e o terceiro de R$ 50.
“Queremos aproveitar um momento em que o espírito de união e participação está presente para reforçar a importância da reciclagem. O objetivo é mostrar que pequenas atitudes podem gerar grandes resultados para a cidade”, afirma a secretária municipal de Meio Ambiente, Carla Kritski.
Entre os materiais aceitos, destacam-se o alumínio (latinhas de refrigerante, cerveja e sucos), plástico duro (baldes, bacias e cadeiras plásticas), garrafas PET, plástico mole (sacolas de supermercado e plástico-bolha), óleo de cozinha usado, papel e papelão, cartonados (embalagens longa vida), cápsulas de café, sucata metálica, eletroeletrônicos de pequeno porte, vidro e eletroeletrônicos de grande porte. Também são aceitos resíduos recicláveis misturados, porém estes recebem menor pontuação quando comparados aos materiais entregues já separados por categoria.
Os materiais podem ser entregues nos pontos de coleta do Recicla PG localizados no Parque Ambiental, na região central da cidade, e na Praça Simón Bolívar, no bairro Oficinas. O atendimento ocorre de segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 9h às 13h.

Descarte e reciclagem de materiais da Construção Civil
Além dos serviços de limpeza urbana, empresas e cooperativas também desempenham um papel importante na gestão dos resíduos em Ponta Grossa. É o caso da Cooperativa de Reciclagem de Resíduos Sólidos da Construção Civil, Terraplanagem e Demolição dos Campos Gerais (Cooperconcre), que atua há 12 anos no município com o objetivo de receber e dar destinação adequada aos resíduos da construção civil, evitando descartes irregulares em áreas públicas e ambientais.
A cooperativa reúne atualmente 53 empresas cooperadas, que utilizam caçambas e caminhões para a coleta e transporte dos materiais provenientes de obras, reformas e demolições. Segundo o presidente da Cooperconcre, Marcelo Elias Domingues, um dos principais desafios ainda está na separação correta dos resíduos, uma vez que o erro mais comum da população é misturar diferentes tipos de materiais.

Por trás da reciclagem: trabalho, ciência e inclusão em Ponta Grossa
Além de estimular a participação da comunidade, o Recicla PG também gera impacto social. Todo o material recolhido é encaminhado para a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Uvaranas (Acamaruva), responsável pela triagem e comercialização dos resíduos. Atualmente, mais de 2 mil moradores participam do programa que, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tem contribuído para fortalecer a cultura da reciclagem e a valorização do trabalho desenvolvido pelas associações de catadores do município.
No local, os resíduos são recebidos por uma atendente da cooperativa ou associação parceira, responsável por registrar a quantidade de material entregue. Os resíduos são separados por categoria e com o registro dos quilos entregues, uma calculadora interna do sistema realiza automaticamente a conversão do material em pontos, que são creditados na conta do participante.
Projetos da UEPG
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) também tem uma atuação importante no incentivo e valorização do trabalho de reciclagem no município, com projetos de extensão e pesquisa acadêmica.
Entre os projetos de extensão, estão: projeto “Lixo Eletrônico: Descarte Sustentável” promove a conscientização sobre o descarte correto de equipamentos eletrônicos e capacita catadores; o projeto “Conscientização Ambiental – O ‘Lixo’ que Vira Sabão” incentiva a reutilização do óleo de cozinha usado na produção de sabão artesanal; a Implantação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Químicos na Escola SENAI está na 2ª edição e também integra-se como projeto, e o ManipulAÇÃO: manipulando cosméticos e transformando vidas, mantém ações junto à Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Uvaranas (ACAMARUVA), com orientação sobre saúde e segurança no trabalho, além da produção de cosméticos manipulados por acadêmicos de Farmácia para contribuir com a qualidade de vida dos cooperados.
Em relação às pesquisas acadêmicas, a instituição desenvolveu os seguintes projetos: “Espumas de vidro obtidas a partir de resíduos de vidro e seu potencial uso como isolante térmico”, de Evaldo Toniolo Kubaski; “Resíduo de Construção Civil (RCD): materiais constituintes, condições de aplicação e dosagem, comportamento macro e microestrutural e durabilidade”, de Patricia Kruger; “Plataforma Sustentável para Utilização e Valorização de Recursos Naturais e Resíduos Industriais nas Áreas Biomédicas, Cosmética e de Alimentos”, de Juliana Bonametti Olivato; “Valorização e tratamento de resíduos e águas residuárias”, de Ana Barana e “Gestão de resíduos sólidos urbanos - contribuição para o desenvolvimento sustentável”, de Sandra Regina Masetto Antunes.

Projeto Elas valoriza mulheres catadoras
Entre as ações, o Projeto Elas, realizado entre outubro de 2024 e outubro de 2025, teve como foco principal a valorização do trabalho de reciclagem de mulheres catadoras de resíduos sólidos em Ponta Grossa. Segundo a professora Paula Melani, do curso de Jornalismo, a proposta surgiu a partir da percepção de que essas trabalhadoras ainda enfrentam preconceitos e estigmas. “Quem trabalha com resíduos sólidos normalmente ainda sofre um estigma na nossa sociedade. E é um trabalho que é nobre, que devia ser muito valorizado, principalmente pela sua preocupação com a questão ambiental”, destaca.
O projeto atuou junto as associações de materiais recicláveis do município de Ponta Grossa, sendo três em funcionamento atualmente: Acamaro (Associação dos Catadores de Material Reciclável do bairro Oficinas), Acamaruva (Associação dos Catadores de Material Reciclável do bairro Uvaranas) e Acamaru (Associação dos Catadores de Material Reciclável da Nova Rússia), locais onde as mulheres representam a maioria dos trabalhadores.
Um dos principais objetivos do projeto foi sensibilizar a população sobre a importância da reciclagem e do trabalho realizado pelas catadoras. Para isso, a iniciativa reuniu os cursos de Jornalismo, Serviço Social e Engenharia da instituição “Cada um contribuiu com suas expertises, e os alunos também foram aprendendo juntos, além da troca de conhecimento com a comunidade e com as mulheres que trabalham com os resíduos sólidos”, afirma Paula.
As ações incluíram oficinas em Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), campanhas de conscientização e atividades educativas voltadas à correta separação dos resíduos.
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PGA destaca avanços e desafios na limpeza urbana em Ponta Grossa
A gestão de resíduos sólidos e a limpeza urbana em Ponta Grossa contam com a atuação direta da Ponta Grossa Ambiental (PGA), empresa responsável por uma série de serviços essenciais que impactam diariamente a qualidade de vida da população.
A PGA explica que seu papel dentro do sistema municipal vai muito além da coleta de resíduos. A empresa atua de forma integrada no manejo de resíduos sólidos e em ações de educação ambiental, contribuindo desde a coleta até a destinação adequada dos materiais. O objetivo central, segundo a instituição, é garantir eficiência operacional e promover qualidade de vida à população, alinhando os serviços às diretrizes ambientais vigentes.
Além da coleta domiciliar, a empresa é responsável por uma série de serviços contínuos no município. Entre eles estão a coleta de rejeitos, a coleta seletiva de materiais recicláveis, a coleta de resíduos orgânicos destinados à UTB (Usina Termoelétrica a Biogás), além da varrição de vias públicas, limpeza de praças e espaços urbanos, manutenção de áreas verdes e apoio a ações de educação ambiental. Segundo a PGA, essas atividades são realizadas diariamente e são fundamentais para a manutenção da limpeza e organização da cidade.
Um dos pilares do sistema é a coleta seletiva, que começa dentro das residências. A separação correta entre recicláveis, orgânicos e rejeitos é apontada como essencial para o funcionamento eficiente de toda a cadeia. Quando bem realizada, os materiais recicláveis são encaminhados às associações de catadores do município, onde passam por triagem e são comercializados, retornando à indústria como matéria-prima. O processo, além de reduzir o volume de resíduos destinados ao aterro sanitário, contribui para a preservação de recursos naturais e para a redução do desperdício.
A PGA também reforça o papel estratégico da Usina Termoelétrica a Biogás (UTB), onde parte dos resíduos orgânicos coletados no município é transformada em energia elétrica renovável. O processo ocorre por meio da decomposição controlada da matéria orgânica, que gera biogás rico em metano. Toda a energia produzida é destinada ao abastecimento de prédios públicos, o que representa um avanço em sustentabilidade e eficiência energética. Segundo a empresa, a UTB é um exemplo prático de economia circular aplicada à gestão de resíduos.
Já os resíduos que não podem ser reciclados nem aproveitados energeticamente são encaminhados ao Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Vila Velha. O local é considerado referência em gestão ambiental, com infraestrutura moderna, impermeabilização do solo, tratamento de efluentes e monitoramento constante, garantindo segurança e controle ambiental no processo de destinação final.
Apesar dos avanços, a PGA destaca que um dos principais desafios da gestão de resíduos em uma cidade do porte de Ponta Grossa é a conscientização contínua da população para o combate ao descarte irregular e o incentivo à separação correta dos resíduos.
Segundo a empresa, “atitudes simples, como separar corretamente os resíduos e respeitar os horários de coleta, têm impacto direto na eficiência do sistema como um todo”. Por fim, a mensagem deixada pela PGA aos moradores é de responsabilidade compartilhada.























