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CPI pede rescisão de contrato da Prefeitura de PG com a Clinicão

Um relatório parcial dos trabalhos desenvolvidos para apurar possíveis irregularidades administrativas, contratuais, operacionais e sanitárias foi divulgado

Guilherme Mazer, Teka dos Animais, Joce Canto e Geraldo Stocco
Guilherme Mazer, Teka dos Animais, Joce Canto e Geraldo Stocco -

Publicado Por João Iansen

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Clinicão apresentou, nesta quarta-feira (03), um relatório parcial dos trabalhos desenvolvidos para apurar possíveis irregularidades administrativas, contratuais, operacionais e sanitárias relacionadas ao contrato firmado entre a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa e a empresa Clinicão, responsável pela gestão do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR).

De acordo com o documento encaminhado, a Comissão aponta elementos técnicos, documentais e depoimentos colhidos durante oitivas realizadas até o momento, destacando fragilidades identificadas na fase licitatória, na fiscalização contratual e na execução dos serviços prestados pela empresa.

Entenda os principais apontamentos e recomendações presentes no relatório parcial:

- ⁠Revisão dos procedimentos licitatórios e rescisão contratual

A CPI identificou inconsistências na formação da estimativa de preços do Pregão Eletrônico nº 90025/2025, incluindo ausência de justificativas técnicas na seleção das empresas consultadas, inexistência de pesquisa com fornecedores locais e indícios de interligação entre empresas utilizadas para composição do orçamento de referência.

Diante disso, a Comissão recomenda que o contrato com a empresa seja rescindido, somada a aplicação de multa de 12% do valor do contrato.

- ⁠Encaminhamento aos órgãos de controle competentes

A partir da entrega do relatório parcial, a Comissão recomenda o envio dos apontamentos aos órgãos responsáveis para apuração de eventuais responsabilidades administrativas, civis e legais decorrentes das irregularidades identificadas.

- Apuração sobre possível nepotismo na administração pública

O relatório aponta indícios de possível afronta à Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal, diante da existência de vínculo de parentesco por afinidade e relação hierárquica entre agentes públicos vinculados à Fundação Municipal de Saúde.

- Revisão da modelagem da contratação pública

A CPI concluiu que o modelo licitatório adotado apresentou fragilidades de planejamento, diante da inclusão de intervenções estruturais e serviços de engenharia sem prévia elaboração de projeto básico ou executivo, recomendando adequações futuras em conformidade com a legislação vigente.

- Apuração de falhas na execução contratual

Foram identificadas inconsistências em registros clínicos, falhas de rastreabilidade, possíveis descumprimentos contratuais e apontamentos técnicos relacionados ao atendimento e manejo dos animais sob responsabilidade da empresa.

- Verificação do cumprimento de exigências técnicas e sanitárias

A Comissão ainda considerou relatórios e notificações expedidos por órgãos fiscalizadores, incluindo apontamentos do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR), relacionados às condições estruturais e operacionais da prestação dos serviços.

- Sequência das investigações

A relatoria ressalta que o documento possui caráter parcial e que as investigações permanecem em andamento, podendo novos elementos, diligências e oitivas integrar o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Na próxima terça-feira (09), a Comissão dará sequência na realização de oitivas com os seguintes depoentes:

- Liliam Cristina Brandalise, às 14h;

- Rosimari Ferreira, às 14h30;

- Elaine Cristina Lupepsa, às 15h.

E na quinta-feira (11), os convocados são:

- Rafaela Stacechen, às 14h;

- Isabelle da Veiga Moro, às 14h30;

- Juliano Jaronski, às 15h.

RESUMO

Pedido de rescisão: O relatório parcial da CPI da Clinicão apontou falhas na licitação, fiscalização e atendimento aos animais no CRAR, recomendando o fim do contrato com a empresa e a aplicação de uma multa de 12%.

Suspeitas investigadas: A comissão identificou indícios de nepotismo na Fundação Municipal de Saúde, falta de projetos básicos para reformas e falhas sanitárias já notificadas pelo Conselho de Medicina Veterinária.

Próximos passos: Como o relatório é parcial, as investigações continuam com novos depoimentos de testemunhas e convocados agendados para esta terça-feira (09) e quinta-feira (11).

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