Egressos da UEPG encontram a maior caverna de ‘tubos’ do planeta
Com dois quilômetros de comprimento, 'La Liebre' fica localizada na Argentina

Dois egressos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) são destaque internacional na área de espeleologia. O geógrafo Heder Leandro Rocha e a bióloga Daniella Franzoia Moss ganharam o prêmio da União Internacional de Espeleologia (UIS); considerado o mais importante da área no mundo; por terem encontrado e mapeado a maior caverna de piping (tubos) do planeta, com 2 km de comprimento, localizada na Argentina. A premiação ocorreu em julho deste ano.
O reconhecimento veio na 'categoria 1', ‘The most significant cave discovery/exploration’ (Descoberta/exploração de caverna mais significativa, em português). O trabalho apresentado no evento contou os principais resultados da expedição realizada em 2023, na província de San Juan, no noroeste argentino - atividade de onde veio a descoberta. “Receber o prêmio foi uma surpresa absoluta, já que é uma espécie de Nobel da Espeleologia. Pensar que a UIS considerou que o nosso trabalho resultou na descoberta/expedição mais significativa dos últimos quatro anos em todo o mundo, é de arrepiar”, conta a dupla.
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A expedição contou com uma equipe de 15 pessoas, vindas de quatro países diferentes: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, coordenada pelos espeleólogos argentinos Dino e Guillermo Mendy. O principal objetivo da viagem a época era realizar a topografia completa da caverna de La Liebre, além de explorar e prospectar cavernas próximas e suas possíveis conexões. “As cavernas ficam localizadas em uma zona montanhosa nas proximidades da localidade de Rodeo, que faz parte do município de Iglesia, na Provincia de San Juan. É uma zona de transição entre a pré-cordilheira e a parte frontal da cordilheira dos Andes e está a mais ou menos 2,5 mil metros de altitude”, conta Heder. De Ponta Grossa, a distância do local chega a cerca de 2,4 mil km.
MAPEAMENTO - As cavernas são formadas por tubos (piping), ricos em argila, limonitas e arenitos, formados no período Neógeno, da Era Cenozóica (entre 23 a 2,5 milhões de anos atrás). “A formação desses depósitos se relaciona com o processo de soerguimento [elevação de superfície] dos Andes e na sua posterior erosão, mas também com atividades tectônicas que seguem operando na região, com diferentes níveis de intensidade”, explica Heder.
Todo o local ainda tem abalos sísmicos recorrentes, com clima desértico quente - altas temperaturas no verão e baixas no inverno. “Em outubro de 2023, foi de 40ºC na área próxima a uma das cavernas, com a umidade relativa do ar em 3,4%, e havia alertas pela possibilidade de ocorrer o vento ‘zonda’, que é um vento quente e seco, típico dos Andes, e que carrega muita poeira já que desce a cordilheira no sentido L”, acrescenta.
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LEGADO DA UEPG - Como geógrafo, Heder foi líder de topografia e mapeamento na expedição, além de realizar o tratamento de dados e a produção do mapa final da caverna. Já Daniella é bióloga, e atuou na prospecção e exploração das novas cavidades, como a questão burocrática para licenças ambientais e coleta bioespeoleológica no local. Ambos carregam o que aprenderam na UEPG nos trabalhos de campo. “A formação que tivemos na UEPG, seja acadêmica, na pesquisa e extensão, e na política, foi central para a realização de trabalhos de cooperação científica internacional como esse”, explica o casal.
Para Daniella, a formação em 2011 no curso de Bacharelado em Ciências Biológicas a auxiliou a entender a relação das cavernas e o seu entorno, “seja do ponto de vista ecológico, de interesse zoológico ou ainda, no contexto da biodiversidade e geodiversidade da região”, conta. Desde os primeiros anos de curso, ambos já integravam projetos de iniciação científica, e destacam a forte influência dos professores Mario Cesar Lopes e Gilson Burigo Guimarães, pelo interesse no mundo das cavernas - Gilson orientou o TCC de Heder e auxiliou no estágio de doutorado de Daniella.
“A espeleologia é um saber e uma ciência transdisciplinar, e o curso de Bacharelado em Geografia [concluído em 2010] proporcionou na minha formação as ferramentas metodológicas e conceituais que hoje acabo por sintetizar no trabalho como espeleólogo”, sintetiza Heder, sobre o curso. O egresso ainda realizou o Mestrado em Gestão do Território pela UEPG, em 2013.
PRÓXIMAS ATIVIDADES - Em novembro deste ano, a equipe planeja uma nova expedição, agora de 15 dias, para continuar a exploração de cavidades na área, além de buscar outras áreas que apresentaram grande potencial para a ocorrência de cavidades. “Essa análise foi feita inicialmente em imagens de satélite, agora precisamos verificar em campo esses pontos de interesse, só que o acesso é bem mais complicado, pois estão em áreas de montanha, onde algumas superam os 3 mil metros, e cujo acesso se dá unicamente com mulas”.
Com informações: Assessoria de Imprensa.






























