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UEPG e MP apuram troca de mensagens racistas entre alunos

Conteúdo publicado em um grupo de WhatsApp teria mensagens de conotação racista e homofóbica, além de símbolos nazistas

O caso foi encaminhado à Ouvidoria da UEPG e também ao Ministério Público do Paraná (MPPR)
O caso foi encaminhado à Ouvidoria da UEPG e também ao Ministério Público do Paraná (MPPR) -

Da Redação

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Estudantes do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) são alvo de uma investigação que apura uma suposta troca de mensagens racistas em um grupo de WhatsApp. Uma matéria apurada e publicada pelo Jornal Plural na terça-feira (20) traz detalhes da situação. Segundo a reportagem, a ocorrência chegou ao conhecimento da direção da universidade por meio de denúncia anônima no dia 22 de agosto. O caso foi encaminhado à Ouvidoria da UEPG e também ao Ministério Público do Paraná (MPPR), onde ocorre uma investigação corre sob sigilo.

O Plural teve acesso às mensagens, trocadas no grupo intitulado “Calourada agronomia” [o nome designa ainda um ano específico, mas o número não aparece nas imagens]. Há poucos diálogos, e a maioria do conteúdo sob investigação foi compartilhado em forma de “figurinhas” criadas a partir de imagens de conotação racista. Aparecem ainda postagens de cunho homofóbico e de símbolos nazistas. Internamente, o episódio foi denunciado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae).

Detalhes do caso e declarações

Conforme a apuração do Jornal Plural, o recorte que está sendo investigado mostra a interação de ao menos 10 alunos, a princípio em um mesmo dia, entre 20h48 e 21h01. Neste intervalo, apenas uma pessoa sai do grupo. Outra que de início escreve “Vocês acham engraçado mesmo?” depois também compartilha imagens de mesmo sentido.  

Um dos stickers iniciais diz “Opa Opa Preto aqui não” anteposto a uma foto de membros da Ku Klux Klan, organização terrorista de extrema-direita, fundada nos Estados Unidos, que se autoproclama supremacista. O movimento foi criado em meados do século XIX, nunca deixou de existir, mas suas células vêm atuando mais ativamente nos últimos anos. Durante o governo de Donald Trump, chegaram a usar as ruas do estado de Virgínia para fazer uma passeata contra negros, imigrantes e judeus.

Logo abaixo da imagem do movimento, outro aluno responde “KKK” – sigla da Ku Klux Klan, mas também usado no Português como onomatopeia de risada. Em seguida, duas outras fotos compostas mostram uma criança negra que corre de um homem branco armado em cima de uma bicicleta.

A sequência continua com o desenho de um homem em vestes de uma camiseta estampada com a suástica, símbolo do nazismo alemão do século XX. Sobre a imagem, a frase “Se eu ganhasse um real cada vez que sou racista, provavelmente um preto filha da puta iria me roubar”; e, depois, uma montagem com a foto do presidente Jair Bolsonaro em que aparece a expressão “ihu!!”.

No mesmo tom, é reproduzida a foto de uma criança branca “cavalgando” sobre uma criança negra, e uma segunda imagem colocada pelo mesmo aluno traz a frase “Uma vez eu tava andando na rua e vi um negro um com Ps4 na mão e pensei ‘Parece o meu’, mas aí lembrei, o meu tava em casa engraxando meu sapato”.

Ao longo da conversa, uma figura com a frase “toda vez que alguém posta essa figurinha um preto é baleado” é repostada diversas vezes por diferentes estudantes. No grupo também circularam imagens de Adolf Hitler e outras de sentido homofóbico.

Em duas delas, bonecos com o fundo das bandeiras do partido nazista alemão e dos Estados Confederados dos EUA – adotada por ultranacionalistas e defensores da segregação racial – chutam bonecos com as cores da bandeira LGBTQIA+. Uma terceira edita sobre uma foto do presidente Bolsonaro com o dedo em riste a frase “Opa Opa Opa gay aqui não”.

O material ao qual a reportagem teve acesso mostra ainda algumas mensagens contra a esquerda e em defesa de Bolsonaro – o presidente, que chegou a declarar que “negros são pesados em arrobas”, já negou a existência do racismo no Brasil.

Investigação sob sigilo

Apesar de muitas das imagens estarem ligadas a nomes e números, a Universidade Estadual de Ponta Grossa não informou se já identificou todos os estudantes que compartilharam as mensagens racistas. Em nota, a UEPG afirmou que o caso, relacionado a alunos matriculados na instituição, chegou diretamente à Prae. O processo na Ouvidoria e o encaminhamento da denúncia ao Ministério Público do Paraná foram providenciados já no dia seguinte.

A instituição também não respondeu qual o tipo exato de procedimento aberto pela Ouvidoria nem se manifestou sob a condição dos estudantes neste momento – se seguem frequentando as aulas normalmente ou não. O MPPR, também em nota, confirmou a instauração de um procedimento para apuração, mas não deu mais informações, pois o trâmite está em sigilo.

Com informações do Jornal Plural. Clique aqui e leia mais.

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