PMs são acusados de torturar jovem em Ponta Grossa
Segundo a vítima, foram diversas agressões, como chutes e pontapés além de um cabo de vassoura ter sido introduzido no ânus do jovem

Segundo a vítima, foram diversas agressões, como chutes e pontapés além de um cabo de vassoura ter sido introduzido no ânus do jovem
Um processo de pedido de indenização, por danos morais, contra policiais integrantes do Pelotão de Choque do 1º Batalhão de Polícia Militar de Ponta Grossa, foi protocolado na 1º Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ponta Grossa. O processo se refere à acusação de tortura e estupro, por parte de policiais militares, contra um rapaz de 27 anos. A ação teria acontecido em dezembro do ano passado, na rua Enio Jorge Malinoski, Jardim Veneza, bairro Cará-Cará. Com o objetivo de extrair uma confissão, segundo a vítima, os policiais a torturaram com saco plástico e com um cabo de vassoura. Os detalhes do caso foram revelados ao Portal aRede pelo advogado da vítima, Luis Carlos Simionato Junior, na tarde desta quarta-feira (16).
De acordo com a acusação, a vítima estava reunida com colegas em uma residência, desfrutando de uma confraternização, quando a casa foi invadida por policiais militares. Eles teriam adentrado apontando armas e ameaçando contra a vida dos presentes. A equipe realizou buscas a drogas e entorpecentes. Ao avistar a presença dos policiais, um dos presentes na festa (o dono da casa) saiu correndo e fugiu. Nessa fuga, ele teria deixado cair na garagem um revólver calibre 38 (arma de fogo de uso permitido). A arma logo foi apanhada pelos policiais.
Os policiais então algemaram a vítima em questão, ao perceberem que ela estava com uma tornozeleira eletrônica (ele estava em liberdade assistida) e fizeram buscas na casa, não encontrando nada de ilegal. Porém, segundo a acusação, mesmo os policiais presenciando a queda da arma, eles teriam tentado fazer com que a vítima assumisse a propriedade da arma. Foi então que, segundo a denúncia, começou a tortura, "com o uso de sacos plásticos para sufocamento (envolvendo a cabeça), pontapés, socos e tapas, visando informações sobre eventuais traficantes de armas e drogas que conhecesse ou que admitisse a posse de bens ilegais". "Como o Autor não tem conhecimento ou contato com pessoas que são ligadas ao tráfico, não tinha informações para fornecer a equipe policial. O que, de fato, ocasionou mais revolta aos policiais. Assim, estes (...) , introduziram um cabo de vassoura no ânus da vítima", diz a ação. A vítima afirmou constrangimento, dor, e ter desmaiado três vezes com o sufocamento.
Temendo pela vida, para tentar escapar das torturas, o rapaz então decidiu falar que conhecia uma pessoa que seria 'traficante'. "Tal estratégia foi usada como forma de defesa dos ataques injustamente sofridos", diz o documento. O autor deu o suposto endereço e os policiais foram até o local. O endereço indicado era o da advogada da vítima. Ao descobrirem isso, os policiais então ameaçaram ainda mais o jovem.
Depois, ele foi levado para a delegacia de polícia.
Laudo do IML confirma agressões
Depois de todo esse caso, o jovem foi orientado pelo seu advogado, Luis Carlos Simionato Junior, a ir até o Instituto Médico Legal (IML) para realizar o exame de corpo de delito. No resultado do exame, agressões foram confirmadas. “O exame (...) apresenta hematoma no olho esquerdo, escoriações nos pulsos, escoriações nos dois cotovelos, escoriações nos dois joelhos, apresenta várias escoriações em região lombar e também apresenta fissura em região anal, [SIC] que foi produzida por um cabo de vassoura”, descreve.
Ministério Público
Luis Carlos Simionato Junior também afirmou que recorreu ao Ministério Público, tendo em vista a agressividade empregada com a vítima. “A vítima, ora Autor, infelizmente, experimentou a tormenta, a angústia e vivenciou a desonra, sofreu com requintes de crueldade e maldade, agressões de tortura física, moral e na alma. Foi vítima de vários crimes perpetrados por Bandidos Disfarçados de Policiais Militares contra sua honra e dignidade", aponta Simionato na ação. "A constatação de regularidade da situação, de forma bárbara, covarde e inaceitável torturaram o autor, com o uso de sacos plásticos para sufocamento (envolvendo a cabeça), pontapés, socos e tapas, visando informações sobre eventuais traficantes de armas e drogas que conhecesse ou que admitisse a posse de bens ilegais", completou o advogado.
O Portal aRede entrou em contato com o 1º Batalhão da Polícia Militar para explicar sobre a ação, porém não obteve retorno até o fechamento dessa reportagem.





















