Zoneamento no Lago de Olarias ameaça área verde | aRede
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Zoneamento no Lago de Olarias ameaça área verde

Pesquisador da UEPG faz alerta sobre riscos que animais e árvores nativas correm com o projeto no Lago de Olarias; especialista sugere que área seja preservada.

Área verde em destaque faz parte do projeto de zoneamento da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa
Área verde em destaque faz parte do projeto de zoneamento da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa -

Rodolpho Bowens

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Pesquisador da UEPG faz alerta sobre riscos que animais e árvores nativas correm com o projeto no Lago de Olarias; especialista sugere que área seja preservada

A Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (PMPG), por meio do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Iplan), pretende alterar o zoneamento no entorno do Lago de Olarias. Dessa forma, permitindo a construção de edifícios de até 14 pavimentos no local – acesse a notícia do Portal aRede para mais detalhes. Entretanto, uma área verde nativa, de aproximadamente 110 mil m², corre risco. Árvores e animais poderão ser afetados com esse zoneamento, prejudicando o Meio Ambiente do Município. A informação é do professor do Grupo de Pesquisa em Química Analítica Ambiental e Sanitária da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Sandro Xavier de Campos.

De acordo com o docente, que é membro da ‘Rede de Análises para Qualidade Ambiental na América Latina’ e pesquisador nas áreas da química analítica ambiental, saneamento ambiental e educação ambiental, a área de 110 mil m² fica na ‘Zona Especial Lago de Olarias II’. Nesse espaço delimitado pelo Iplan, seria permitida a construção de edifícios com até 14 pavimentos. Entretanto, na região da área verde, está prevista somente a construção de uma via, que faria a ligação entre as ruas do entorno.

Árvores e animais em risco

Para Sandro, sobre a proposta de zoneamento, “acredito que seja proveniente da demanda relacionada a expansão após o Lago de Olarias. Esse local foi criado para termos opções de contato com a natureza, o que é ótimo e Ponta Grossa carece de muitos espaços como esse”, disse ao Portal aRede. Além disso, o especialista afirma que espécies estão em risco, caso ocorra a aprovação desse zoneamento. “Imbuias, Figueiras, Araucárias, Cereja do Japão, Angico, Canela e Ipês. Nos pássaros, Jacu, Pica Pau, Gavião, Canários, Sabiá, Tucanos, entre outros. E os animais: Quati, Tatu, Gambás, Coelhos e Cotias”, alerta o pesquisador.

Segundo o professor, esse projeto afeta negativamente o Meio Ambiente da cidade. “O cuidado com a natureza deveria ser prioritário nas diretrizes desse zoneamento. Entretanto, prevê uma rua que passaria dentro da ‘Reserva de Olarias’, causando uma grande destruição. Pois, a rua passaria no local onde tem a maior concentração de árvores. Assim, o ideal é que essa rua seja retirada das diretrizes. Isso (construção da rua) abre uma porta para, depois, destruir outros pedaços”, diz o docente que foi, recentemente, homenageado pela Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) pelo seu trabalho em defesa do Meio Ambiente.

Sugestões

Sandro afirma que o local, de aproximadamente 110 mil m², poderia ser melhor utilizado pela Prefeitura. Dessa forma, ele sugere a criação de um parque no local, preservando a área ambiental da cidade. “Nessa reserva possuímos uma grande diversidade de fauna e flora, e é um dos poucos refúgios que temos em nossa cidade. Levando-se em consideração que Ponta Grossa possui um dos piores índices de arborização do Estado, seria um contrassenso destruir uma área de mata consolidada com nascentes. Por que não transformar a reserva em um belíssimo Parque de Olarias”, questiona.

“Com pistas de caminhada, ciclovia, um espaço de contemplação. Imagine fazer um circuito turístico ligando o Lago ao Parque? Seria um espaço único e lindíssimo para a cidade”, projeta o professor da UEPG.

Prefeitura garante que área não corre risco

O Portal aRede entrou em contato com a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e com o Instituto Água e Terra (IAT) para saber mais informações sobre o projeto, bem como se essas questões ambientais estão sendo discutidas. Segundo a assessoria de imprensa do Poder Executivo, a proposta já foi aprovada e, "de acordo com o projeto de zoneamento, nenhuma área de árvores nativas será usada para construção de prédios, devido a restrições ambientais e estaduais", explica. Além disso, a Prefeitura reforça que a "área é particular e independente do zoneamento, há restrições ambientais, estaduais e federais para a construção de edificações", comenta a assessoria.

Além disso, segundo a Prefeitura, "existe uma diretriz viária que passaria por esta área. Porém, apenas uma diretriz, que no momento oportuno seria estudado o traçado de menor impacto", finaliza.

O IAT ainda não retornou e a equipe de Jornalismo do Portal aRede aguarda uma resposta.

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