Jovens carentes vão virar ‘chef’ de cozinha em PG
Entre os jovens atendidos pelo Instituto João XXIII e pela Secretaria Municipal de Assistência Social, 20 foram selecionados para participar da primeira edição do Projeto Chef Aprendiz do Futuro, onde jovens de 16 a 18 anos, receberão qualificação profiss
Voluntários
viabilizam curso para 20 alunos do Instituto João XXIII.
Entre os jovens atendidos pelo Instituto João XXIII e pela Secretaria
Municipal de Assistência Social, 20 foram selecionados para participar da
primeira edição do Projeto Chef Aprendiz do Futuro, onde jovens de 16 a 18
anos, receberão qualificação profissional. Seis alunos são do Instituto J XXIII
e 14 do programa Jovem Aprendiz, da Secretaria Municipal de Assistência Social.
As aulas, em 90%, serão ministradas pelo chef Maurício Dobis, mas terão outros
voluntários, que ministrarão os conteúdos específicos, como cortes de carne,
gastronomia oriental e pizza. “Estou trazendo experts para esses cursos
específicos, gente que, como eu, queiram doar seu tempo em prol desta causa tão
nobre e necessária para a região que sofre por falta de mão de obra
qualificada”, comenta Dobis, um dos idealizadores do projeto ao lado do padre
Vilmar Niedzialkoski, diretor-presidente do João XXIII.
Segundo o padre, foram selecionados entre mais de 50 jovens de 16 a 18
anos, todos de baixa renda, que foram entrevistados pelo chef que avaliou o
perfil de cada um. “Os contemplados, além de aprender muitos segredos da
cozinha e a fazer pratos diferentes, visualmente atraentes, com rapidez e
técnica, vão ser encaminhados ao mercado de trabalho”, explica o padre,
adiantando que, a partir deste piloto do curso, serão chamados representantes
do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes, e, donos de bistrôs para apreciar
pratos feitos pelos alunos. “Temos contato com muitos empresários e pretendemos
usar esse canal para facilitar as contratações”, ressalta.
Curso
O Chef Maurício Dobis conta que será bem abrangente, desde descascar batata até gastronomia molecular. As aulas terão por base apostila utilizada pelo Instituto Culinário Americano (C.I.A), que teve seu conteúdo resumido, mas ainda assim tem 700 páginas. “Queremos revolucionar o cenário gastronômico dos Campos Gerais porque não existe mão de obra. Se você abrir um restaurante de alta gastronomia, não encontrará profissionais qualificados que possam manter o alto padrão culinário por muito tempo, e isso inibe empreendimentos mais ousados”, avalia. Neste primeiro curso, serão vagas 20, preenchidas por jovens, em sua maioria, com entre 16 e 18 anos. “Não se trata de jovens infratores, mas de pessoas que não moram com as famílias por se encontrarem em situação de risco. São jovens carentes, trazidos pelo Conselho de Assistência Social ao Instituto”.
A duração do curso é de dez meses. Ele é custeado pelo Instituto com
apoio do Rotary Ponta Grossa Uvaranas, Secretaria Municipal de Assistência
Social (cadastros e vales transportes) e Sebrae. As aulas serão na cozinha do
Instituto, que está doando 80% dos alimentos. A intenção é, a partir de julho,
ser montado um restaurante-escola dentro do Instituto, com somente seis mesas
para atender 30 pessoas por noite, todas as quintas-feiras. “Já está meio que
pronto o lugar. Muito lindo! A casinha no topo da colina, sala inteira de
pedra”, cita Dobis, dizendo que a ideia é desenvolver outros cursos
relacionados e expandir projeto aos atendidos pelo Instituto de todo o Brasil.
Jantar
O jantar acontecerá
na próxima segunda-feira, a partir das 19 horas, e reunirá a diretoria do
Instituto, alunos, coordenadores, representantes dos parceiros no projeto,
autoridades e a imprensa. “Precisamos divulgar essa ideia até porque ainda
precisamos de ajudar para viabilizá-la completamente”, destaca o padre Vilmar,
contando que ainda falta alguns equipamentos para o curso. Cada estudante
precisa de facas, tábua carne e outros equipamentos para melhor aproveitar o
curso. O cardápio do jantar consta de saladas da própria horta do Instituto,
polenta e frango caipira, com entradas de bruschetta, uma homenagem a tradição
italiana dos fundadores do Instituto.