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Milla descarta populismo e ressalta gestão administrativa

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Daniel Milla está no final do primeiro mandato como vereador e participou de discussões relevantes dentro do Legislativo Municipal. Milla era um dos principais nomes o PSDB no município e deixou o grupo tucano para ingressar no Partido Verde (PV) - o mesmo caminho foi realizado por outros tucanos insatisfeitos com a legenda. O parlamentar chegou a lançar uma pré-candidatura à Prefeitura de Ponta Grossa ainda no PSDB e diz que continua a disposição do PV caso os verdes precisem dele como nome na disputa pelo Palácio da Ronda em 2016.

Portal aRede: O que te motivou a mudar de partido?
Daniel Milla: O PSDB foi um partido que me acolheu, o primeiro a que fui filiado e onde tive a oportunidade de realizar meu primeiro mandato como vereador. Sempre estive a disposição do partido, mas uma das principais situações da troca partidária foi a saída do Álvaro Dias para o Partido Verde. Ele é uma das pessoas que eu mais admiro o trabalho e a índole perante várias questões que acontecem no Brasil. O mandato participativo que tenho como vereador infelizmente encontrou entraves dentro do PSDB e eu não tive espaço político dentro do partido.

Portal aRede: Como foi a recepção dentro do Partido Verde?
Daniel: Vejo que hoje o PV é um dos poucos partidos sem amarras políticas. Claro que acordos políticos sempre existirão, mas o famoso balcão de negócios não existe dentro do PV. Eu poderia muito bem estar no PSDB tendo apoio da Gestão Municipal e do Governo do Estado, mas preferi seguir outro caminho. Dentro do PV eu fui muito bem acolhido e entrei no partido para somar – existem ótimos nomes na legenda. Uma das situações que mais me interessou foi que muitas pessoas procuraram o PV para participar do diálogo de construção da cidade. Quando a população vem para debater o futuro, estamos construindo algo novo da velha política.

Portal aRede: Ainda no PSDB você lançou uma pré-candidatura ao cargo de prefeito. Essa situação se mantém no PV?
Daniel: Na nova caminhada no PV, essa conjuntura será construída. Por sinal, dentro do próprio PV surgirão vários nomes com essa possibilidade para que possamos construir esse caminho para o Poder Executivo. Claro vou deixar meu nome a disposição do partido porque não podemos fugir do pleito. Eu não dependo do cargo público, ele é transitório. Se você pensar em entrar na vida pública e não sair mais, você se torna um político profissional. Eu não tenho medo de concorrer a um cargo eletivo e não ganhar porque estarei construindo uma ideia nova junto com a população da cidade.

Portal aRede: Como você enxerga a principal dificuldade do próximo prefeito de PG?
Daniel: Uma das principais situações que o futuro prefeito vai enfrentar é uma crise financeira muito grande – os cortes estão sendo efetivados nesse momento e isso acarretará no próximo ano. O prefeito tem que ser alguém com visão administrativa e não populista. A diferença é que o populista é aquele que faz um plano de governo voltado para arrecadar votos com a população – é algo paliativo que vai te ajudar por alguns meses, mas depois cobra o preço; já o prefeito com visão administrativa pensa a longo prazo e não só o incêndio de momento. O próximo prefeito vai ter uma contabilidade muito delicada na Prefeitura, um orçamento comprometido com as dívidas e vai precisar de habilidade para administrar e com certeza não vai ter muito carisma, ele vai ter que tomar decisões que infelizmente a população irá reclamar, mas que vão endireitar a cidade. Prefeitos populistas são os principais culpados de levar a prefeitura a atual situação, nós precisamos de alguém que pense e discuta a cidade com responsabilidade.

Portal aRede: Qual é a principal evolução que a cidade deverá ter nos próximos anos?
Daniel: Sou um vereador muito participativo, procuro estar na casa da população do que esperar no meu gabinete. Com isso, tenho certeza de que hoje, andando pelas ruas da cidade, nossa maior necessidade de avanço é no setor de infraestrutura – mais de 60% da cidade não tem o básico de infraestrutura. É uma necessidade evidente o avanço na ligação entre os bairros e na mobilidade do transporte coletivo – precisamos desinchar o trânsito da cidade. Eu tinha um projeto que acabou travado porque a Prefeitura não nos forneceu a documentação necessária. A ideia era colocar outra empresa para participar do transporte coletivo no município e queríamos que novas linhas fossem licitadas de maneira separada.

Portal aRede: O que te fez sair da base do prefeito Marcelo Rangel?
Daniel: Falta de diálogo. Falta de conversa entre as lideranças, população e principalmente a base que compõe a atual administração. A partir do momento que a população cobra algo do vereador, nós repassamos para o chefe do Executivo. Se o prefeito não abre o diálogo para mostrar o que acontece de errado, acaba havendo um entrave e isso prejudica os moradores da cidade.

Portal aRede: Como você avalia a atual administração da Prefeitura de PG?
Daniel: Essa é uma pergunta difícil, temos que avaliar tanto a questão do Governo Federal como a falta de projetos. Na minha opinião, temos que fazer um apanhado dessas duas situações: tanto a crise e a falta de repasses em nível estadual, como a falta de bons projetos realizados pela administração municipal. Penso e vejo um modelo de administração muito diferenciado da atual: gostaria de ver um prefeito voltado para uma administração técnica e menos populista. Infelizmente os candidatos que estamos vendo, a maioria são populistas em detrimento da técnica na administração.

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