Álvaro Scheffer aposta na gestão de recursos humanos para administrar

Empresário reconhecido pelos pares e membro de entidades como a Fiep, Álvaro Scheffer (DEM) cogita uma possível candidatura ao cargo de prefeito em 2016. Versado também na administração pública, Scheffer já foi secretário municipal em duas oportunidades e diz que em um momento decisivo da história brasileira, não irá se furtar de ser “protagonista”.
ARede: O que te motiva a ser candidato ao cargo de prefeito?
Álvaro Scheffer: Eu e uma série de ponta-grossenses somos pré-candidatos a Prefeitura, várias pessoas tem muita capacidade pra isso. Eu sempre tive uma atividade ligada à entidades e fui fundador do Sindicato da Indústria Metalúrgica de Ponta Grossa quando tinha 23 anos de idade, faço parte da Federação Nacional das Indústrias desde essa época, já fui diretor da Acipg, vice-presidente e coordenador da Fiep [Federação das Indústrias do Estado do Paraná]. Esse tipo de atividade é a minha forma de contribuir e participar das discussões em âmbito político no município, dentro do estado e até em nível federal. Já fui secretário municipal em duas oportunidades e comandei as pastas de Meio Ambiente em 2004 e mais recentemente o setor de Indústria e Comércio. Essa é a forma como até então eu participei da atividade pública dentro do município. Em 2016 algumas pessoas vieram me convidar de forma mais séria e contundente para que eu dispute a eleição para prefeito. Em outros momentos eu responderia taxativamente com não, mas hoje já estou mais aberto a essa possibilidade. Porém nós estamos ainda no mês de março e é muito cedo para tomar essa decisão. Nós temos que interpretar que o Brasil está passando por uma convulsão política, econômica e social. Dentro desse cenário, eu não posso esquecer que atrás de mim há uma indústria com 1200 funcionários. Nós temos que ter a cabeça a mil por hora para nos mantermos competitivos. Não deixei de participar das discussões políticas atuais, mas a discussão sobre me candidatar é algo que será definido posteriormente.
ARede: Qual será o principal desafio do próximo prefeito de PG?
Álvaro: Eu acho que a Prefeitura é um grande departamento de recursos humanos. Na indústria você tem muitos equipamentos, máquinas e pessoas e liberdade para incentivá-las. Isso permite um relacionamento mais constante e próximo do que no setor público. Na Prefeitura temos pessoas – quanto melhor você conseguir trabalhar com essas pessoas, melhor vai ser. No setor público nós prestamos serviços a comunidade e temos que prestar um bom serviço. Quem trabalha na Prefeitura tem que ter orgulho de prestar um bom serviço. Eu acho que esse tem que ser o foco de uma gestão pública: o orgulho em prestar um bom serviço e dar o melhor de si. Dessa forma toda a equipe se torna barata porque presta um serviço com excelência. Porém hoje enxergo o setor público brasileiro como um local inchado e caro – porque não se modernizou com a mesma velocidade que o setor privado. A estabilidade é algo complicado porque muitas vezes torna as pessoas acomodadas. Outra coisa que precisa ser trabalhada é o uso dos cargos comissionados: eles precisam ser reduzidos, porém precisam também ser usados tecnicamente. Acho que o que tem que ser trabalhado é o relacionamento com as pessoas – precisamos de uma metodologia própria para incentivar o funcionalismo público.
ARede: Como você encara a situação financeira da Prefeitura?
Álvaro: No setor privado a situação financeira é trabalhada com mais força na luta pela obtenção de recursos e vendas - se você tem um produto ruim, você não vende e acaba fechando. Já a Prefeitura se tem um serviço ruim ‘vende’ do mesmo jeito. Recebemos recursos em âmbito municipal através da transparência de imposto e a qualidade do serviço é indiferente nesse sentido. Nós precisamos tornar a qualidade relevante: o município precisa prestar um serviço de excelência para a população que, nesse sentido, tem um papel de cliente do Poder Municipal. Nosso principal cuidado com o caixa da Prefeitura diz respeito a despesa. Em uma empresa nós precisamos ter lucro para remunerar o capital e fazer investimentos no nosso negócio. O que falta no setor público brasileiro de modo geral é justamente isso: recursos livres para fazer investimentos na cidade. O que sobra para os investimentos é muito pouco e é justamente essa parte do caixa que vai melhorar a qualidade de vida das pessoas. Porque estão querendo recriar a CPMF? Porque estão gastando demais! Gastando em coisas que não deveriam receber tantas verbas. Nós temos muita gente recebendo além dos salários do mercado e produzindo muito pouco para o país. A prefeitura depende de uma arrecadação e para aumenta-la nós temos que prestar um excelente serviço – quanto melhor for a qualidade e a infraestrutura de uma cidade, mais fácil buscar indústrias para se instalar no município. Quando essa indústria se instalar vai gerar empregos e aumentar a arrecadação de recursos. Porém, enquanto o caixa não recebe esse reforço financeiro, o gestor tem que olhar com muita atenção para as despesas municipais.
ARede: O que te fez considerar uma candidatura em 2016?
Álvaro: A idade é o principal fator. Tinha época que a atividade de deixar meu papel dentro da minha empresa era nula e minha explicação era simples: eu não tinha tempo. Hoje eu já digo um “talvez”. Eu fui secretário de temas que eu tinha domínio total: sou engenheiro florestal e o meio ambiente é um tema comum para mim, assim como a secretaria de indústria e comércio porque trabalho com isso diariamente. O que me leva hoje a dizer talvez é que em um momento tão crítico não posso deixar de ser protagonista da história do meu país e da minha cidade. Não sei se o fato de ser protagonista da história está focado em disputar a prefeitura, ajudar em outra esfera ou me dedicar de corpo alma dentro da minha empresa.





















