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Ponta Grossa

Da Redação | Ponta Grossa | 27/09/2021 as 18:45h

HU homenageia familiares de doadores de órgãos

Ação foi realizada pela Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT)

O amor não é um sentimento de posse. Ao menos não foi para 23 famílias que, no último ano, disseram “sim” à doação de órgãos de seus entes queridos, no Hospital da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG). Para marcar o Dia Nacional da Doação de Órgãos, comemorada nesta segunda-feira (27), a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT) organizou homenagens às famílias que escolheram, em meio à dor, salvar vidas. As homenagens aconteceram ao longo da semana, de maneira escalonada e respeitando as medidas sanitárias. As ações marcam o Setembro Verde, mês que busca conscientizar a sociedade sobre a importância da doação.

Na manhã desta segunda-feira, a família de Nathan estava sentada em frente à Árvore da Vida do HU. Mãe, pai, irmã e tia olhavam para o que estava pendurado nela. Na árvore, as estrelas carregam as iniciais dos doadores e os corações, as dos receptores. Após homenagem do HU, a família pendurou a estrela de Nathan e mais cinco corações, representando as 5 vidas que ele salvou. A irmã, Ana Carolina Padilha, segurava firme a carta de agradecimento entregue pela equipe do Hospital. “É uma sensação muito boa saber que ele não se foi totalmente, que um pedacinho dele está aqui salvando outra pessoa”, disse emocionada.

Os pais de Nathan olhavam a árvore e tocavam os corações. Com lágrimas nos olhos, a mãe, Josiane Padilha, diz estar grata pela homenagem. “Nunca imaginei que viveria uma situação dessas e esse gesto de carinho foi bem emocionante”, conta. O momento da decisão de doar os órgãos do filho veio a partir da notícia de que Nathan não iria sobreviver. Internado com traumatismo craniano decorrente de um acidente de bicicleta, Nathan faleceu em julho do ano passado, com 19 anos. “A gente sabia que ele poderia salvar muitas vidas e assim decidimos dar a oportunidade de dar a vida dele para outras pessoas”. Para Josiane, apesar da dor da perda, saber que outros sobreviveram pelo Nathan é gratificante. “Fico feliz em saber que ele salvou 5 vidas e que essas pessoas vivem através dele”.

Para que a doação de órgãos aconteça, é preciso acolhimento, conforme afirma o coordenador da CIHDOTT, Guilherme Arcaro. “Quando existe a possibilidade de morte encefálica, as famílias são informadas e essa abordagem é feita desde a admissão no Hospital”, explica. Para a conversa com os familiares, é preciso uma equipe multidisciplinar –  enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas e médicos. A partir do sim da família, a equipe faz os trâmites para a doação e encaminha os dados para Curitiba, onde fica a Central de Transplantes de Órgãos Central Estadual de Transplantes (CET/PR), entidade que administra a fila dos transplantes no Paraná. O ranking é feito de acordo com critérios da Comissão Nacional de Doação e a retirada do órgão é feita ainda no HU. “Em caso da impossibilidade de doação em pacientes no Estado, o órgão é encaminhado para central nacional”, informa Guilherme. E como é reencontrar os familiares dos doadores? “Para a equipe é um momento emocionante, porque é quando podemos demonstrar nossa gratidão por esse ato nobre que as famílias realizam”, ressalta.

“Acolhimento” também é o lema da equipe de psicologia do Hospital Universitário, quando se fala em atender pacientes, especialmente aos familiares enlutados. O psicólogo Hélcio dos Santos Pinto explica que a equipe possui um protocolo de abordagem, quando há a possibilidade de doação do órgão. “Trabalhamos com a família sobre a perda dos entes queridos antes mesmo de ser diagnosticada a morte encefálica. Acolhemos e ouvimos as dúvidas que chegam”, informa. De acordo com Hélcio, a equipe sempre apresenta a doação como uma oferta. “Mostramos para eles que é uma possibilidade, a nossa principal característica é ser um conforto para os familiares”. A decisão da doação (e de qual órgão pode ser doado) parte única e exclusivamente da família. “Quando a gente consegue ouvir e fazer um acolhimento de forma efetiva, a doação vem, de uma forma que faz sentido e que inicia o processo de luto com o conforto”, finaliza.

Debaixo da árvore da vida, a família de Nathan posa para fotos com o coração que contém as suas iniciais. “Por que que não permitir que outros vivam através das pessoas que a gente ama?”, destaca a tia, Roseli Kroker. Segundo ela, a decisão de doar os órgãos do sobrinho trouxe paz para a família. “Todos nós concordamos em doar, porque sabíamos que isso traria um benefício para alguém”, conta. Para Roseli, depois do ocorrido, a doação de órgãos passou a ser pauta familiar. “A gente sempre conversa com a família, para que todos sejam doadores, porque é muito bonito permitir que outras pessoas vivam através de você”, completa.

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