Casa destruída por caminhão expõe drama de mulher

Uma ocorrência registrada no último domingo, na Vila Cipa, em Ponta Grossa, já seria notícia devido à excentricidade da história. Um homem, dirigindo um caminhão, relatou a Polícia Militar (PM) que, por não possuir um equipamento mais adequado, utilizou o veículo para demolir o muro de sua residência. Com o impacto da batida, uma das paredes da casa, a porta e o telhado também tiveram suas estruturas comprometidas. “O cidadão, que é o proprietário, estava demolindo o muro. E ele utilizou um caminhão para demolir. Do ponto de vista da polícia não tem nada de errado”, relatou a assessoria de imprensa da PM.
Apesar de realmente possuir um documento que lhe dá a propriedade de 50% do prédio, a situação ganhou contornos dramáticos ao se descobrir a existência de uma mulher de 55 anos que, segundo testemunhas, vivia em cárcere privado no mesmo endereço. “Ela estava ali apenas com um sofá. Estava desnutrida. Eles iriam matar ela”, afirma uma parente da idosa que mora em outra cidade do Paraná. Ambos os nomes serão preservados por medida de segurança.
“Eles” na fala da testemunha seriam o motorista do caminhão e sua esposa. “Os dois moram próximo da residência dela. Há oito meses ela foi atropelada e acabou fraturando o fêmur, tendo dificuldades para andar, ficando dependente de uma bengala. Desde então, começou o nosso tormento. O casal falou que cuidaria dela já que a mesma não quis vir morar comigo fora de Ponta Grossa. No começo tudo parecia normal”, relata. “No entanto, eles a fizeram assinar uma procuração, pegaram dinheiro dela que estava na poupança e ainda fizeram a limpa nos móveis que ela tinha na casa, deixando-a apenas com um sofá”, acusa a parente. A mulher não possui filhos e vizinhos afirmaram que não a viam desde o início do ano.
O caso chegou ao conhecimento do Centro de Referência Especializado na Assistência Social (Creas) Central no último dia 2, após a senhora conseguir entregar uma carta para uma moradora da região. No texto, ela pedia socorro. A carta foi repassada para uma unidade de Saúde, sendo encaminhada na sequência para os órgãos competentes. “De imediato fomos até lá e retiramos a mulher do endereço. A senhora permaneceu num abrigo até a última quinta-feira, quando familiares de outra cidade vieram buscá-la”, conta uma assistente social que também não será identificada.
Em contato com a familiar, a equipe do Jornal da Manhã e Portal aRede foi informada de que a mulher passa bem. “Agora ela está se alimentando, passeando. Ela tem 55 anos, mas está com uma aparência de 80”, finalizou.
E qual o motivo da demolição?
A resposta para o questionamento foi dada pela familiar da vítima. “Desde que retiraram ela da casa, eles ligam ameaçando a gente”, desabafa. “Eles chegaram a sugerir que já que a casa está 50% no nome deles e 50% no nosso, que a gente vendesse o imóvel e dividisse o valor ao meio”, completa. Com a negativa, as ameaças foram retomadas. “Até que ele foi lá e jogou o caminhão na direção da residência”. Ainda essa semana a mulher afirma que acionará um advogado para dar sequência ao caso. “Isso tem que parar”, diz.
Ministério Público
De acordo com a assistente social, o caso já está sendo investigado junto ao Ministério Público (MP), sob os cuidados da 14ª Promotoria que tem a frente o promotor de Justiça Fábio Grade. Além disso, um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado junto a Polícia Civil. Apesar de toda a tramitação, a assistente social explica que o casal ainda não foi intimado para prestar esclarecimentos.





















