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Entidades manifestam apoio ao impeachment da presidente Dilma

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A avenida Vicente Machado ficou lotada por um mar verde-amarelo no último domingo (13). A força da presença de mais de 20 mil pessoas reforçou o pedido que algumas entidades da cidade fazem em prol do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A Associação Comercial, Industrial e Empresarial (Acipg) voltou a reforçar o pedido de saída de Dilma, e a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na cidade também engrossou o coro que pede o desligamento da presidente.

A Acipg, uma das organizadoras do protesto, vê como “fundamental” o afastamento da atual presidente para a retomada do crescimento da economia. Segundo Amarildo Pramio, secretário da Acipg, a entidade se sente “gratificada” com a participação popular no protesto. “Vimos pessoas entusiasmadas e esperançosas com o futuro do país. Além do impeachment, podemos perceber que estamos também notando um descontentamento geral com a classe política”, disse Pramio. O secretário também ressaltou que atualmente o Governo não consegue mais comandar o país.

Em nota, a OAB-PR se manifestou a favor da abertura do processo de impeachment da presidente. Em nota, a entidade argumenta que apoia as manifestações pacíficas da sociedade civil destinadas a demonstrar indignação com a corrupção, falta de ética e desvio do patrimônio público. “A OAB entende que a livre expressão, instrumento para o pleno exercício da cidadania, está garantida pelo Estado Democrático de Direito”, diz a nota que foi referendada pela subseção da OAB em Ponta Grossa.

Em novembro de 2015, a OAB se manifestou contra o pedido de impeachment – na época a saída de Dilma foi cogitada após a reprovação das contas da presidente pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na época, o afastamento de Dilma era solicitado diante das chamadas “pedaladas fiscais” – desta vez, a OAB defende a abertura do processo e também o direito de ampla defesa da presidente.


Ordem de sucessão presidencial preocupa
O presidente do PT na cidade também lembrou que a ordem de sucessão da presidente, caso Dilma de fato seja obrigada a renunciar, preocupa e não favorece o discurso contra a corrupção. Segundo Armando, o processo de impeachment retiraria uma presidente eleita democraticamente sem nenhuma prova concreta do envolvimento de Dilma em casos de corrupção. Armando lembrou que a ordem de sucessão de Dilma envolve dois políticos envolvidos na operação Lava Jato – Michel Temer e Eduardo Cunha, ambos do PMDB.
Em nota, o juiz federal Sérgio Moro, afirmou que se sentiu “tocado” com as manifestações populares em todo o Brasil neste domingo. Tramita na Câmara de Vereadores da cidade um projeto que poderá conceder ao magistrado o título de cidadão honorário de Ponta Grossa – o projeto deverá entrar em discussão nos próximos dias.


CNBB é contra saída de Dilma e ressalta diálogo e respeito
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se manifestou contra a saída de Dilma do cargo de presidente. Em nota divulgada na última quinta-feira (10), a entidade salienta que caso a petista deixe o cargo as instituições brasileiras seriam enfraquecidas com o processo. O texto emitido pela CNBB reforça a necessidade de diálogo e respeito no atual momento “difícil para a política brasileira”. A nota foi replicada no site oficial da Diocese de Ponta Grossa e informa que “vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade”. A CNBB não voltou a se manifestar após os protestos.


Presidente do PT fala em “contradição”
O professor universitário, Edson Armando Silva, presidente do PT em Ponta Grossa, apontou uma contradição sobre os pedidos de impeachment contra Dilma. Segundo Silva, caso os protestos fossem contra a corrupção, os “partidários do PT seriam os primeiros a estarem na rua”. Armando argumenta que a retirada de Dilma da presidência não resolve o problema “endêmico” da corrupção no país. “A corrupção é estrutural e sistêmica na nossa sociedade, temos que combatê-la com o fortalecimento das instituições estabelecidas”, ponderou o presidente.

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