Número de empreendedores por necessidade sobe em PG

Mais pessoas estão empreendendo no Brasil. A Pesquisa ‘GEM 2015’, ou Monitor de Empreendedorismo Global, em sigla traduzida, aponta que 39,3% dos brasileiros economicamente ativos são empreendedores – valor que cresceu 14% em relação aos 34,4% registrados no ano passado – e que coloca o Brasil entre os países mais empreendedores do mundo, à frente da China, Índia, Reino Unido, Itália, Japão, EUA, entre outros. Entretanto, o que chamou a atenção na pesquisa de 2015 foi o perfil desses investidores: cresceu o número de empreendedores por necessidade em relação àqueles que empreendem por oportunidade, fato o qual foi observado em Ponta Grossa desde meados de 2015.
Os índices apontam que, dos 29% que empreendiam por necessidade em 2014, houve uma alta para 43,5% em 2015, enquanto que aqueles que investiam em seu próprio negócio por uma necessidade, passaram de mais de 70% para 56,5%. “Estava ocorrendo mais planejamento, estavam empreendendo por descobrir novas necessidades. Desde 2010, a primeira pesquisa que caiu a por oportunidade e cresceu a por necessidade foi a do ano passado”, explica Lincoln Valle, consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na regional de Ponta Grossa.
Um dos principais motivos, diz Valle, é a retração econômica e o crescimento do número de desempregados. “O por necessidade sempre existiu como necessidade do individuo de gerar uma renda, por estar difícil de arrumar um emprego. Pega o FGTS e a rescisão, vê que está difícil de conseguir emprego, então pensa: ‘quer saber? vou montar um negócio no meu bairro’”, diz.
Rodrigo Rodrigues Vaz, 31, técnico em refrigeração, resolveu ingressar no mundo do empreendedorismo no ano passado. Ao sair da empresa onde trabalhava, na metade do ano, amadureceu a ideia de virar ‘dono do seu próprio negócio’. “Foi por necessidade e oportunidade. Eu deveria sair da empresa que eu estava trabalhando em dezembro, mas sai antes; foi meio surpresa, não era o que eu planejei. Aí pensei: ‘como tenho o dinheiro do acerto e economias, ou tento agora e é tudo ou é nada’. Fui atrás, fui no Sebrae, fiz palestras e cursos”, diz. Agora, ele faz o conserto e manutenção de sistemas de refrigeração de caminhões frigoríficos e de ônibus de viagem no local onde é chamado.
Vaz começou a planejar entre julho e agosto, e a empresa saiu do papel em outubro. Ele diz estar bastante otimista, e pensa em expandir, investindo em mídia. O caminho do sucesso está na inovação, ele acredita. “Onde me ligam eu vou. Tenho tudo para conseguir esse mercado, já que é uma falha que existe. É uma área que conheço, tenho fornecedores, então fica mais fácil”, completa.
Planejamento e inovação devem ser prioridade
O consultor afirma que, com o crescimento do empreendedorismo por necessidade, há uma tendência de aumento na taxa de morta-lidade das empresas. Além de recomendar planejamento, Valle destaca a importância de ter inovação. “A pesquisa diz que as pessoas abrem mais do mesmo. Aí que está a oportunidade de inovação. A pesquisa aponta que 92% desses negócios são voltados para o mercado interno. Por que não pensar somente em ponta Grossa, mas no mercado internacional?” questiona.





















