MP amplia investigação sobre terceirização da München

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) deu início a um novo inquérito sobre a realização da Münchenfest em Ponta Grossa. A nova investigação irá analisar como se deu a organização do evento nos anos de 2005 a 2012 quando o prefeito da cidade era Pedro Wosgrau Filho (PSDB). A nova investigação nasceu do inquérito que bloqueou os bens do atual prefeito, Marcelo Rangel (PPS), e apura irregularidades da München em 2013.
Segundo o documento do Ministério Público, a nova investigação foi aberta diante de depoimentos colhidos durante o inquérito que investiga Rangel, o secretário de Turismo, Eldo Bortolini, e dos empresários Iran Taques e Arielcion Dias de Lima. As testemunhas já ouvidas no processo argumentaram diante do promotor Marcio Pinheiro Dantas que apenas davam continuidade a maneira como a festa já era realizada nos anos anteriores.
As informações de que a conduta tomada em 2013 era apenas uma réplica das atuações que a organização já mantinha nos anos anteriores motivou o MP a instaurar o novo inquérito. No despacho inaugural do inquérito civil, o promotor Marcio Dantas argumenta que é “impiedoso que se apure, até porque não ocorreu a prescrição de eventual ato de improbidade, a maneira como a festa foi realizada durante os anos em que o então prefeito Pedro Wosgrau esteve conduzindo o município”.
O Ministério Público oficiou a Prefeitura para que o órgão informe de maneira objetiva como aconteceu a realização da festa dos anos de 2005 a 2008 – quando a München era realizada apenas pela Prefeitura, sem a participação do Serviço de Obras Sociais (SOS). O SOS também foi notificado para informar se havia organizado o evento nesses anos a presidente do órgão, Andreia Tukutake, informou que não tem conhecimento da situação e que assumiu o SOS apenas em março de 2014.
O ex-prefeito Pedro Wosgrau ainda não foi notificado pelo MP. A equipe de reportagem do Jornal da Manhã procurou Wosgrau, mas o ex-prefeito não foi encontrado para comentar a situação. O tucano também tem os bens bloqueados em uma ação da Justiça que apura as circunstâncias da construção da Arena Multiuso.
TJ mantém bloqueio de bens
Em fevereiro, Marcelo Rangel (PPS) ingressou com um recurso no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) para tentar desbloquear os R$ 250 mil em bens decretado pela Justiça. No entanto, o TJ negou o recurso do Prefeito e manteve o bloqueio – a penhora é feita para que, caso um dos envolvidos seja condenado, os cofres públicos possam ser ressarcidos. Na decisão, o juiz argumentou que o mérito da ação ainda será apreciado pela Justiça mas que a lei vigente prevê o bloqueio de bens até o fim do processo.
Triangulação ilícita na realização do evento preocupa
No inquérito que investigou irregularidades na edição de 2013 da Münchenfest, o Ministério Público apontou uma triangulação ilícita entre a Prefeitura, o SOS e a empresa Versus Produções. A preocupação do MP é que esse mesmo tipo de conduta tenha se repetido na contratação dos envolvidos nas outras edições da München. Segundo os dados do inquérito, em 2013 a festa gerou um lucro de quase R$ 90 mil.





















