Péricles vai apoiar Aliel nas eleições de 2016

Exercendo o quinto mandato como deputado estadual, Péricles de Mello (PT) foi reeleito para o cargo com pouco mais de 40 mil votos em 2014. O petista ressaltou as ações na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) durante 2015. Péricles conversou com o Jornal da Manhã e com o portal aRede e falou sobre a atuação no Legislativo, cenário eleitoral e também comentou os projetos do Partido dos Trabalhadores para as Eleições Municipais em Ponta Grossa.
aRede: Como você avalia o ano de 2015 da ALEP?
Péricles: Foi um ano de mandato diferente, de muita luta, muitas dificuldades e problemas políticos sérios. Tivemos muita resistência aos dois pacotes do Governo do Estado, violência contra os professores, saque do fundo da previdência e aumentos exorbitantes no ICMS e no IPVA. No entanto, o Governo foi parcialmente derrotado porque queria desmontar a Educação Pública. – hoje estamos com sete deputados de oposição, não conseguirmos assinaturas suficientes para iniciar uma CPI mas continuamos fiscalizando.
aRede: Você participou de debates importantes durante o ano anterior. Como você avalia essas discussões?
Péricles: Participei de alguns debates importantíssimos, entre eles o debate do Arco Norte. Luto pela revogação do contrato dos pedágios, isso porque eles partem de uma taxa de retorno de 22%. Atualmente o Governo Federal assinou contratos em que o retorno é de 8%. Já o Arco Norte precisa de um debate profundo, mesmo porque o atual traçado da obra vai prejudicar fortemente a cidade de Ponta Grossa. Caso a obra seja feita dessa maneira, vai gerar um processo de crescimento urbano incontrolável. Eu acredito que isso é uma tragédia ambiental anunciada, acho que a cidade tem que crescer para o outro lado. Não podemos colocar em risco lugares como o Buraco do Padre e a cachoeira da Mariquinha, por exemplo.
aRede: Qual seria a opção para o Arco Norte?
Péricles: Eu defendo o Contorno Sul. Ao invés do traçado original, poderíamos pensar um trajeto a ao sul, entre Ponta Grossa e Palmeira. Além disso, acho fundamental a resolver a questão da Souza Naves e valorizar o Contorno Leste. Precisamos pensar urgentemente medidas para aliviar o transito na Carlos Cavalcanti. Em termos contratuais, penso que isso poderia ser resolvido com um pequeno aditivo de contrato dissolvido nas seis praças nos Campos Gerais. Afinal, não é só Ponta Grossa que passa pela Souza Naves, todo o Paraná passa por ali.
aRede: Você também marcou posição contra o projeto da Escola Sem Partido. Qual é sua avaliação sobre essa iniciativa?
Péricles: Tenho lutado contra essa iniciativa. O projeto da Escola Sem Partido é profundamente autoritário e institui a delação anônima dentro do ambiente de ensino, isso lembra os tempos da Ditatura Militar. Esse tipo de medida defende a manutenção do status quo, passa uma ideia fundamentalista. Possivelmente esse projeto não volta mais para o debate.
aRede: A Guarda Municipal foi criada durante seu mandato como prefeito. Como você avalia a atual atuação da corporação?
Péricles: Eu criei a Guarda Municipal para ser uma guarda patrimonial, era para ser uma guarda comunitária. Tenho uma discordância profunda com a atual gestão da entidade. O uso de armas pesadas, por exemplo, não é a fundação da Guarda. A instituição tinha como princípio fundamental ser uma força comunitária, ser o símbolo da cidade. A guarda foi progressivamente passando para uma visão repressiva. No entanto, eu acho importante que a Guarda Municipal exista na cidade.
aRede: Atualmente a cidade discute a conversão e renovação do contrato com a Sanepar por 30 anos. Como você avalia esse cenário?
Péricles: Atualmente, na minha opinião, existe uma privatização branca da Sanepar em nível estadual. Nós temos que ter vigilância constante para acompanhar essa discussão, mas eu tenho muito receio dessa renovação de forma apressada.
aRede: Quais são os seus planos para as próximas eleições municipais?
Péricles: Uma das primeiras decisões é formalizar um plano de governo para a cidade com ideias que, basicamente, foram apresentadas há quatro anos. Mas temos muitas coisas novas, além de uma autocrítica profunda dentro do PT. Eu defendo que temos que dar exemplo para todo o Brasil. Além disso, defendo também uma coligação com a Rede. Vou trabalhar internamente para que o partido coligue com o Aliel e para que formemos uma frente de esquerda democrática na cidade.
aRede: A sua candidatura está descartada?
Péricles: Eu não tenho vontade de ser candidato esse ano. Isso não significa que não possa voltar ser candidato um dia, a minha ideia é que o PT faça uma aliança com o Aliel. A minha posição é defender o apoio para Aliel, mesmo não sendo candidato vou participar ativamente do processo político. O PT pode ter também um candidato próprio, temos bons nomes para isso, mas a minha posição é defender o apoio ao Aliel. No entanto, quem define isso é o PT.
aRede: Sua campanha em 2012 teve o maior valor declarado na cidade. Com as novas regras da Justiça, como você imagina que o PT deva se organizar para 2016?
Péricles: Um dos principais motivos da corrupção na política brasileira é o financiamento privado, acho que isso não deveria existir, mas quando existe os candidatos são obrigados e pressionados. Eu defendo o financiamento público, já que a política tem que ser a mediação entre as pessoas, isso porque há uma desigualdade entre os mais ricos e mais pobres. Por isso que nós defendemos o financiamento público, com o financiamento privado tudo passa a custar mais caro. Se nós conseguirmos fiscalizar da maneira correta a nova lei, nós vamos dar um salto muito significativo na política nacional em termos de combate à corrupção.





















