Comércios tomam medidas contra onda de violência

“Fiquei em pânico”, diz a proprietária de uma panificadora em Ponta Grossa que ficou na mira do revólver de um assaltante nesta semana no Núcleo Santa Paula. “Nunca imaginei como reagiria a isso. Quando ele engatilhou a arma, pensei que iria morrer”, desabafa ela que pediu para não ter seu nome revelado. A ação que durou pouco mais que dez minutos foi registrada por câmeras de segurança. “Ele chegou e me pediu para dar todo o dinheiro do caixa. O rapaz parecia estar descontrolado. Em certo momento, ele até perguntou se eu não tinha crack. Isso mesmo, droga”, relembra. Funcionárias do estabelecimento também ficaram assustadas. “As meninas pediam para o rapaz não me machucar”, conta a mulher que em 16 anos no ramo nunca havia passado por algo semelhante.
Outra situação de risco como a relatada anteriormente foi vivida pelo menos duas vezes por empregados de uma farmácia no Núcleo Santa Luzia. “Fomos assaltados em dois meses seguidos no ano passado”, conta um dos funcionários que por medida de segurança também não será identificado.
Para o delegado interino do setor de Furtos e Roubos da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, Fernando Jasinski, as farmácias, panificadoras e também os postos de combustíveis são alvos constantes por dois fatores. “O horário de atendimento, se estendendo pela noite, e o acesso fácil até o caixa”, afirma. Com base nas suas experiências em plantões, ele afirma que vem ocorrendo uma manutenção no número das ocorrências. “A quantidade de registros não varia muito. O que acontece é uma sazonalidade nas regiões”, pondera.
Em ambos os casos usados como exemplo nesta reportagem, as ações criminosas não deixaram apenas marcas psicológicas nas vítimas, também alteraram a rotina daqueles que mesmo na insegurança precisam continuar trabalhando.
Na farmácia, desde o ano passado, o sistema de atendimento é a portas fechadas. “Em outubro de 2015 fizemos a instalação de uma porta automática acionada por um controle que fica com um atendente. O cliente chega; se identifica; e tem o acesso liberado”, comenta o funcionário. “A criminalidade com o nosso estabelecimento diminuiu. Porém, em outros comércios da região, a situação segue complicada”, completa. Na panificadora, o jeito será apelar para a ampliação dos serviços de segurança particular. “Nós já pagamos pelo monitoramento. Agora, avaliamos a contratação de um tático”, diz a proprietária.
Droga é preocupação para a PM
Para a Polícia Militar de Ponta Grossa, que vem desencadeando operações de combate a criminalidade desde a metade de janeiro, o crescente consumo e a comercialização de entorpecentes interferem no número dos registros da violência. “É uma guerra difícil de vencer. É um problema muito maior do que a Polícia. A droga ataca a sociedade e nós temos que tentar resolver os problemas gerados pela falta de políticas públicas”, cita o Capitão Clodoaldo José Gonçalves de Mello.
Assaltos a ônibus passaram de 30 registros em janeiro
O mês de janeiro termina com um aumento significativo no número de assaltos a ônibus do transporte coletivo de Ponta Grossa. Segundo a Viação Campos Gerais (VCG), empresa responsável por esse serviço, em 2015 a cidade registrou apenas seis ocorrências dessa natureza no primeiro mês do ano. No entanto, no início de 2016, o número saltou para 35 casos – dados atualizados na tarde de ontem. O comparativo representa um crescimento de 483% na criminalidade cometida contra motoristas, cobradores e passageiros que necessitam desse tipo de transporte.
Informações do Jornal da Manhã.





















