Casas abandonadas viram criadouro para mosquito

Caixa d´água aberta, vasos sanitários destampados, garrafas, potes e até uma carcaça de televisão cheia de água. Essas foram algumas situações encontradas pela equipe do Jornal da Manhã na tarde da última quinta-feira em casas dos conjuntos habitacionais Amália I e II, em Ponta Grossa. Os cenários descritos não chegam nem perto do ideal propagado pelas campanhas de prevenção em todo o Estado ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue, Febre Chikungunya e do temido Zika Vírus. As moradias estão desocupadas desde setembro do ano passado, depois que um forte temporal danificou pelo menos 200 casas na região.
“Eu tenho muito medo. As crianças ficam brincando bem perto de onde tem água parada. O risco é grande”, ressaltou Lidia Camargo, vizinha da frente da casa abandonada que estava com a caixa d´água sem tampa. “Desde que o temporal atingiu as casas aqui e destelhou tudo, os moradores saíram e não voltaram mais”, completou. Marlise do Rócio da Veiga mora ao lado da mesma residência. Responsável por cuidar do neto, uma criança de apenas três meses, diz que a situação é preocupante. “Eu também tenho um filho de oito anos. E se o mosquito da Dengue picar um deles? Como vai ser?”, questionou.
Enquanto registrávamos as situações, dois agentes de endemias do Controle de Zoonoses da Prefeitura estiveram no local. “Viemos até aqui para verificar outra denúncia e acabamos nos deparando com esse caso”, explicou Geonilda Barbosa. Juntamente com o colega de fiscalização, os dois fizeram a retirada da água e deixaram o recipiente virado.
Não muito distante dessa casa, outro problema. Uma família de cinco pessoas precisa ficar atenta aos dias de chuva. Isso porque, desde o temporal, eles vivem embaixo de lonas, esperando reparos no telhado. “Para não acumular água, eu tenho que ficar com um pedaço de pau cutucando as poças que se formam na lona”, desabafa Luís Carlos de Oliveira.
Os agentes de endemias encontrados pela reportagem relataram que o número de denúncias de criadouros do mosquito vem crescendo a cada dia na cidade. “O telefone não para de tocar no Controle de Zoonoses”, contou Geonilda. Ela explica que a orientação dada à população é a de que procure o órgão e solicite uma visita dos agentes. O contato pode ser feito através do telefone (42) 3222-9672. Além disso, os moradores podem se dirigir até o Posto de Saúde da Vila Cipa e relatar os problemas.
Zoonoses destaca trabalho de fiscalização
De acordo com o Controle de Zoonoses, Ponta Grossa está dividida em 56 localidades. São cinco equipes, com oito a dez agentes de endemias, que acompanham, a cada dois meses, a proliferação da larva do mosquito. Em menos de dois anos foram inspecionadas mais de 230 mil casas, além das ações educativas trabalhadas nas escolas municipais e equipes de pontos estratégicos que inspecionam cemitérios, borracharias, ferro velho e recicles. Do total de larvas do mosquito na cidade, entre 40% e 49% são encontrados em lixos domésticos.
Prolar solicitou à Caixa informações sobre os reparos
Procurado, o presidente da Companhia de Habitação de Ponta Grossa (Prolar), Dino Schrutt, disse ter conhecimento da situação e revelou que solicitou a Caixa Econômica Federal um relatório do andamento das obras de reparos nas moradias afetadas. “Essas informações serão repassadas até segunda-feira”, explicou. Somente a partir daí é que medidas poderão ser tomadas pelo órgão.





















