Aliel garante participação da ‘Rede’ nas eleições deste ano

O deputado federal Aliel Machado (Rede) garantiu a participação da Rede Sustentabilidade nas eleições deste ano e não descartou a possibilidade de ser candidato a prefeito de Ponta Grossa. De acordo com Aliel, o grupo político da oposição ao prefeito Marcelo Rangel (PPS) se prepara para a disputa, mas ainda não definiu um nome para fazer frente à chapa majoritária. Além das eleições, Aliel avaliou o primeiro ano de mandato em Brasília, em entrevista ao Jornal da Manhã, defendeu o ‘pente fino’ do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) e a prisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).
Jornal da Manhã: Como você avalia este primeiro ano de mandato em Brasília?
Aliel Machado: Do meu mandato, eu faço uma avaliação muito positiva do ponto de vista da representatividade política do município. Houve um aumento na representatividade da região em Brasília. Eu nunca soube de nós termos dois deputados federais neste modelo político atual representando a cidade, com perfis diferentes, visões de mundo diferentes. Foi um ano muito difícil, de retração na economia, de briga política. Estamos sofrendo as consequências do ‘quanto pior, melhor’. Existem pessoas que, ao invés de ajudar, após a eleição preferiram criticar e não se somar para resolver os problemas do país. Mas foi um ano também de conquistas. Eu consegui levar para Brasília alguns projetos de suma importância que eu havia tido experiência, como vereador e presidente da Câmara de Ponta Grossa, de implantar no nosso município. Eu tenho certeza que, através de um debate, estas leis podem trazer benefícios para o país inteiro.
JM: Quais foram as principais conquistas na sua opinião?
Aliel: Do ponto de vista da representatividade, estou muito contente. Nós tivemos uma grande briga com o Governo Federal, desde o início, quando nós lutamos para que os deputados de primeiro mandato tivessem direito às emendas. Nós não temos direito às emendas impositivas no primeiro ano de mandato porque o orçamento é sempre feito no ano anterior. O de 2015 foi feito em 2014, o de 2016 foi feito em 2015 e assim por diante. Apesar de algumas críticas de pessoas que nem sabiam o que estavam falando, nós pressionamos bastante o governo para que nós tivéssemos direito a, pelo menos, uma parte destas emendas, que é um dinheiro da União que a conseguimos trazer aos municípios que a gente representa.
JM: E esta pressão surtiu efeito?
Aliel: Nós empenhamos R$ 5 milhões neste primeiro mandato. Nunca um deputado de primeiro ano de mandato de Ponta Grossa conseguiu este montante. Então, nestes recursos, eu dei prioridade a atender o que era mais necessário. Coloquei as emendas à disposição dos prefeitos. Os prefeitos ajudaram a fazer as indicações pelas necessidades dos municípios. Ponta Grossa foi contemplada com mais de R$ 2,3 milhões só em 2015 com estas emendas que nós conseguimos sem ser impositivas. Isso me deixou bastante contente.
JM: Durante as votações do ajuste fiscal, você votou contra o governo e chegou a se desfiliar do PCdoB, que havia orientado a bancada a aprovar as medidas. Você acredita que as propostas do governo não são adequadas para melhorar a economia?
Aliel: Eu acho que o governo erra muito. O ajuste não poderia explorar diretamente o trabalhador. Ele erra muito porque não foi este o modelo econômico escolhido na eleição. A presidente Dilma pregou uma coisa durante as campanhas e fez outra depois de eleita. Isso é um grande erro. Agora, ela tem a legitimidade do mandato. Ela não conseguiu segurar a base política que dava sustentação ao governo, mas ela se elegeu com esta base política. O atual governo do PT comete um erro na condução da política econômica e o PMDB agrava esta situação, porque ele traz propostas horríveis, aquelas elaboradas pelo Michel Temer e Renan Calheiros. A Agenda Brasil traz uma discussão antagônica ao projeto político vitorioso em 2014. Entretanto, o governo ainda tem programas importantíssimos. O Minha Casa, Minha Vida não é do Governo do Estado, não é da Prefeitura, que não investe um real no programa, é do Governo Federal e estes são os projetos importantes que o governo faz para fomentar a economia.
JM: Com este cenário de crise política e econômica, você acha que o processo do impeachment deve prosperar no Congresso Nacional?
Aliel: O processo do impeachment depende de alguns fatores. Um dos mais sérios é a questão econômica, onde se acaba tendo uma pressão popular, por conta da crise, para que se tome uma atitude e troque a presidente. O outro fator é o de ter fundamento jurídico o pedido. Do ponto de vista jurídico, a Rede entende que não existe base para o impeachment. E isso não tem a ver com defender o governo, tem a ver com a legalidade. Nós encomendamos um parecer de um jurista respeitado no Brasil, que é ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto. Segundo ele, do ponto de vista jurídico não há fundamento palpável para isso. Agora, isso é muito diferente do processo que está em trâmite no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O TSE está fazendo uma análise jurídica da chapa que elegeu a presidente Dilma e o vice Michel Temer nas eleições. Este processo, a Rede entende que a Justiça tem que ter autonomia e tem que se respeitar a decisão judicial. Se lá encontrarem irregularidades que liguem à campanha e que se tenha motivo para cassar a chapa, a Rede é favorável a este parecer do TSE.
JM: Para finalizar, você pretende se candidatar nas eleições municipais deste ano?
Aliel: Uma coisa é a situação nacional, outra é estadual e outra é o problema do nosso município. O nosso município também passa por sérias dificuldades. Nosso município também passa por problemas de corrupção, aqui na Prefeitura de Ponta Grossa. Nós precisamos discutir um projeto capaz de levar Ponta Grossa para onde ela merece e aonde ela tem condições de estar. Isso não é só dizer que veio uma empresa ou outra, porque estas empresas que estão se instalando aqui são consequências da situação econômica, que estava bem. As intenções das empresas foram firmadas lá atrás, inclusive mais de 80% delas foi acertado na gestão do ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho (PSDB). Mas até onde isso está servindo de qualidade de vida para o nosso povo? Nós ainda temos uma cidade onde mais de 40% das vias não tem asfalto, nós ainda temos uma cidade onde você precisa se apertar dentro de um ônibus para chegar ao trabalho porque a fiscalização do sistema do transporte é muito ruim, nós ainda temos uma cidade que teve a capacidade de negar a vinda de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e temos um Hospital da Criança onde foram arrancadas as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A questão das eleições de 2016 é debater a cidade e eu sou apaixonado pela minha cidade. Existem coisas importantíssimas aqui que eu sei que é só o Poder Executivo que pode fazer. E a gente quer debater a cidade. Nós temos a aproximação muito grande com algumas pessoas aqui, com algumas lideranças que podem ajudar a montar uma discussão para a cidade. A gente tem uma proposta, sim, para Ponta Grossa. A gente tem uma discussão e quer colocar isso para apreciação da população. Quem vai ser o candidato desta proposta que temos, se esta visão administrativa que temos, muito diferente da atual gestão, se esta visão vai se dar através do meu nome, ou do Péricles de Mello (PT), ou do Marcio Pauliki (PDT), a gente só vai saber mais próximo das eleições. Não é uma gana pessoal, que eu quero ser prefeito de Ponta Grossa porque eu seria melhor que os outros. É diferente. Nós temos uma proposta coletiva, um grupo de vereadores com a maior bancada, lideranças de vários segmentos da cidade que têm conhecimento e podem colaborar com esta cidade





















