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Chuva em PG bate em recorde em novembro

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Até o último domingo, choveu 232,2 milímetros em Ponta Grossa durante todo o mês de novembro, segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar). O número representa um salto de 95% no nível pluviométrico registrado no mesmo período do ano passado. A previsão inicial do Instituto era de que houvesse um acréscimo de 75%.

De acordo com o meteorologista Reinaldo Kneib, a média para o mês é de 119,2 milímetros. “É um dado bem representativo e a previsão é que as chuvas se estendam até o término do verão”, analisa. A estação mais quente do ano terá início no próximo dia 21, se estendendo até 20 de março.

Segundo Kneib, as precipitações volumosas estão associadas diretamente ao fenômeno climático El Niño. “Graças a isso, o tempo ficou mais quente e úmido, ampliando o número de chuvas”, explicou. “Esses dados servem de alerta, pois devem alimentar as tempestades”, completa o meteorologista.

A preocupação é tamanha no município – que já vem contabilizando estragos desde outubro-, que a Prefeitura autorizou a contratação de equipes de forma emergencial para tentar contornar os problemas provocados pelas chuvas em várias regiões. Além da contratação de pessoal, foi liberada a contratação, por aluguel, de uma escavadeira hidráulica e da execução de 50 quilômetros de patrolamento e cascalhamento em vias urbanas. Esses serviços irão se somar ao patrolamento e cascalhamento de estradas rurais que já vêm sendo realizados.

“As chuvas não param, e muitos serviços precisaram ser paralisados. Mas existem máquinas e equipamentos que podem ser utilizados mesmo com solo molhado. A legislação prevê que, nessas condições [de muita chuva e estragos] a Prefeitura pode utilizar esse tipo de contratação imediata”, explicou o prefeito Marcelo Rangel.

Além da contratação emergencial de maquinário, a Prefeitura publicou recentemente um edital de licitação para compra de mais cinco caminhões caçamba basculante, um caminhão cavalo-mecânico, uma escavadeira hidráulica, uma vibro acabadora de asfalto e três rolos compactadores. O investimento previsto é de R$ 3,7 milhões.

Campos Gerais enfrenta quebra na agricultura

As constantes precipitações na região estão tendo reflexos diretos na agricultura. De acordo com informações obtidas junto ao núcleo regional do Departamento de Economia Rural (Deral), o trigo apresentou uma quebra média na produção de 15%. Do que foi colhido, a qualidade foi inferior, o que prejudicou a rentabilidade dos produtores.

No caso da cevada, por exemplo, a baixa qualidade impediu que ela pudesse ser encaminhada para a indústria, e foi destinada para a nutrição animal (ração). Vera Maria Silvestre, economista do Deral na região, explica que chuvas contínuas não são comuns nesta época, e que os problemas começaram desde o plantio. “Quando o trigo foi plantado, em junho e julho, estávamos em um período de seca. E desde o final de setembro estamos tendo muita chuva. O cultivo não se desenvolveu bem pela seca e agora foi prejudicado pela chuva”, informou.

Entenda: Fenômeno El Niño altera vários fatores climáticos regionais

O El Niño é um fenômeno climático, de caráter atmosférico-oceânico, em que ocorre o aquecimento fora do normal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. As causas deste fenômeno ainda dividem opinião entre pelos especialistas em clima. Este fenômeno costuma alterar vários fatores climáticos regionais e globais como, por exemplo, índices pluviométricos (em regiões tropicais de latitudes médias), padrões de vento e deslocamento de massas de ar. O período de duração do El Niño varia entre 10 e 18 meses e ele acontece de forma irregular (em intervalos de dois a sete anos).

Informações de Daniel Petroski do Jornal da Manhã

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