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‘Catadores’ ameaçam voltar para lixão de PG

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Renato de Lima Oliveira, 36 anos de idade, vive da reciclagem de materiais há quase duas décadas e ofereceu o sustento aos seis filhos tirando do lixo o que as pessoas não queriam mais. Renato usava uma muleta após um acidente de trabalho, mas isso não o impediu de vir até a redação do Jornal da Manhã e subir três lances de escada para falar do fechamento da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Ponta grossa (Acamar).

A entidade funcionava na vila Ana Rita e foi fechada há mais de um ano e meio - a parceria entre a Prefeitura da cidade e a associação foi desfeita e os mais de 30 catadores perderam o trabalho. “A gente sempre trabalhou no lixão, no meio de todos os dejetos do Botuquara. No final da década de 1990, a Prefeitura da cidade reuniu os catadores e nos ofereceu uma estrutura”, relembra Renato. Oliveira é presidente da Acamar desde 2014 e desde o fechamento da cooperativa voltou a trabalhar nas ruas recolhendo papelões - função conhecida como carrinheiro. “Quando a Acamar estava em pleno funcionamento, chegávamos a tirar das ruas 150 toneladas de recicláveis por mês”, conta Renato.

Segundo Renato, os cooperados da Acamar não foram avisados sobre o fechamento da cooperativa e só souberam do caso quando uma ordem de despejo chegou no barracão em que o grupo trabalhava. “Nós tínhamos montado uma estrutura adequada para o trabalho e cada cooperado conseguir uma renda mensal de até R$ 1 mil por mês. Tínhamos até cozinha no galpão e fazíamos um trabalho muito bem coordenado”, lembra Renato.

Com a falta de alternativa, o grupo teve que voltar a invadir o aterro do Botuquara e retomar as atividades no local - a retirada dos catadores dos lixões é uma recomendação nacional de adequação as políticas de meio ambiente.

“A gente tem que conseguir um modo de sustento, nem que seja voltar para o lixão. Todas as pessoas que trabalhavam na Acamar estão desesperadas e precisam de um emprego”, explica Oliveira.

Ainda de acordo com ele, duas prensas utilizadas pela cooperativa estão guardas e inutilizadas em um barracão da Prefeitura da cidade no Cará-Cará - os equipamentos foram doados pela Treta Pak e são orçadas em mais de R$ 7 mil cada uma.

Além disso, Renato também questiona o destino dos caminhões que eram usados pela Acamar.

Prefeitura justifica o caso alegando uma transferência

O secretário de Meio Ambiente, Vadenor Paulo Nascimento, explica que os catadores da Acamar não ficaram sem emprego. “Não houve o fechamento, e sim uma transferência. Quando chegamos lá havia apenas 13 catadores. Desdes, somente nove aceitaram ser transferidos”, diz Paulo. “O proprietário do imóvel não quis renovar o contrato. Essa decisão aconteceu também porque vimos que esse número de funcionários era menor, possibilitando assim, a transferência”, afirma o secretário. Todos os equipamentos utilizados na antiga Acamar foram transferidos, juntamente com os catadores para a Acamaro, que funciona no Bairro Nova Rússia.

Informações do Jornal da Manhã.

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