Lançamento de esgoto em arroio é alvo da Sanepar

Após questionamentos de entidades sobre a qualidade das águas que irão abastecer o Lago de Olarias, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) pretende elaborar um diagnóstico da situação do esgoto na região. Segundo informações da própria empresa, 11% das moradias não estariam ligadas à rede nas proximidades da Bacia do Arroio de Olarias. Um levantamento será feito para identificar os lançamentos de esgoto no arroio.
Embora o diagnóstico ainda não esteja traçado, a Sanepar aponta as áreas de fundo de vale e ocupações clandestinas como principais agravantes da falta de esgoto. “De modo geral, os imóveis não atendidos decorrem da falta de condições técnicas, áreas de fundo de vale e de ocupações irregulares. De todo modo, a Sanepar está iniciando um levantamento para verificar estes casos”, afirma a concessionária.
A empresa também destaca que a Bacia de Olarias abrange dois bairros de Ponta Grossa. “Vale ressaltar que a bacia do Arroio de Olarias abrange, além da região de Olarias, algumas vilas dos bairros de Uvaranas e de Oficinas”, diz. De acordo com a empresa, 14 mil ligações atendem as residências na região, que teria uma cobertura de 89% de esgoto.
O levantamento da Sanepar deve dar subsídio para as obras do Lago de Olarias, que terão a segunda etapa iniciada nos próximos dias. Com um custo de R$ 2,5 milhões, a primeira barragem foi concluída sem análise prévia das águas conforme parâmetros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Desde o início da execução, entidades sociais de Ponta Grossa alertam a Agência Reguladora de Águas e Saneamento (ARAS) sobre a poluição dos arroios.
Tanto o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema) quanto a Câmara Técnica do Meio Ambiente (CTMA) da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) têm cobrado relatórios sobre o arroio. As entidades temem que os reservatórios previstos no projeto sejam abastecidos com esgoto e, para evitar danos ao meio ambiente e saúde pública, a CTMA chegou a indicar um possível embargo nas obras.
Sem receber os documentos solicitados à ARAS, as entidades irão retomar a discussão. “Como a resposta da ARAS foi muito genérica, vamos tentar novamente um diálogo e reencaminhar os ofícios. Neste momento, não cabe medidas mais drásticas”, afirma a coordenadora da CTMA, Caroline Schoenberger. Já o Comdema prepara uma audiência pública sobre o Lago de Olarias. “Queremos realizar uma reunião com os técnicos da ARAS até o fim do mês para esclarecermos estas questões”, diz o presidente da entidade, Renato Webber.
Prefeitura cria comissão técnica para Lago de Olarias
Com os questionamentos das entidades e o debate político sobre o tema, a Agência Reguladora de Águas e Saneamento (ARAS) anunciou a formação de uma Comissão Técnica do Lago de Olarias. O grupo será um canal de diálogo da Prefeitura, onde as dúvidas sobre as obras deverão ser esclarecidas. O presidente da ARAS, Márcio Ferreira, afirmou que a intenção é evitar ‘desinformações’ sobre o projeto. “A comissão será formada por engenheiros de diversas pastas da Prefeitura que irão dirimir todas as questões. Existe muito desencontro de informações e ataques políticos que podem confundir a população”, disse. Ferreira garantiu, também, a regularidade ambiental do projeto. “Temos todas as licenças necessárias para a construção do Lago e, quem quiser, é só buscá-las no Instituto Ambiental do Paraná (IAP)”, destacou. Elaborado na década de 1990, o projeto prevê a construção de cinco lagos na região de Olarias. Além da contenção de enchentes, as obras devem garantir um espaço de lazer e novas ligações entre bairros. O custo total das obras está estimado em R$ 25 milhões.
Programa de Despoluição
Em 2011, a Agência Reguladora de Águas e Saneamento (ARAS) chegou a lançar um Programa de Despoluição de Arroios (PDA), que incluiria o Arroio de Olarias. A intenção era evitar a criação de reservatórios provenientes de esgoto no Projeto Lago de Olarias. Entretanto, o PDA não avançou e, com as eleições de 2012, acabou engavetado.
Informações do Jornal da Manhã.





















