Após manifestação, bloco recua de projeto polêmico

Após protestos durante o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, o líder do bloco, vereador Pastor Ezequiel Bueno (PRB), recuou do ‘Programa Escola Sem Partido’ em Ponta Grossa. Na última terça-feira, o pastor havia anunciado a importação do projeto em trâmite na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para o município. Segundo Ezequiel, a proposta já estaria em estudo para ser protocolada no Legislativo Municipal.
Com as manifestações na noite de quinta-feira, o líder da frente parlamentar mudou o tom e disse que vai aguardar a decisão da Alep sobre o ‘Escola Sem Partido’. O vereador também afirmou que não é favorável à proposta, já que ela ainda passará por debate e possíveis alterações dos deputados estaduais. “Os alunos foram até à Câmara pensando que era a votação do projeto, mas não tinha nada a ver. Nós estávamos lançando a Frente da Vida e da Família. Eu até tentei explicar, mas eles não deixaram”, afirmou Ezequiel Bueno. “Não existe projeto do Escola Sem Partido na Câmara de Ponta Grossa. O que existe é uma discussão a nível estadual, na qual não podemos e nem temos competência para interferir”, completou.
O pastor negou, ainda, articulações para trazer o projeto para a cidade. “Tudo vai depender da votação na Alep. Nós não podemos fazer leis sobre esta questão. Vamos aguardar o que será decidido lá em cima”, disse. O recuo do vereador foi motivado pela pressão de universitários, que lotaram a Câmara de Ponta Grossa na noite de quinta-feira e vaiaram as lideranças da nova frente parlamentar. Autor do Escola Sem Partido na Alep, o deputado pastor Gilson de Souza (PSC) estava presente no evento.
De acordo com estudantes e professores de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e Faculdade Sagrada Família (FASF), o projeto de lei foi o principal alvo das vaias, mas a mobilização também demonstrou repúdio às iniciativas ‘fundamentalistas’ do bloco. “Foi focado no projeto mesmo, mas uma coisa leva à outra. Utilizam de fundamentalismo e dogmatismos religiosos para o controle das disciplinas escolares, porém, na escola utiliza-se do viés da cientificidade, não da religião”, contou a professora de Sociologia, Daphine de Andrade. “Foi uma lita contra o preconceito também”, completou.
CCJ vota projeto na terça-feira
Em discussão na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o projeto de lei que institui o ‘Programa Escola Sem Partido’ no Paraná será votado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na terça-feira. A CCJ deve decidir sobre a viabilidade jurídica do programa, antes de encaminhá-lo para a Comissão de Educação da Alep. Com a intenção de extinguir a ‘doutrinação’ ideológica nas salas de aula, a proposta do deputado pastor Gilson de Souza (PSC) prevê sanções aos professores que manifestarem opinião e preferências sobre política e ideologia aos alunos. Conteúdos didáticos ideológicos também são vedados aos educadores, que poderão ser até demitidos em caso de descumprimento das novas regras. O programa dá destaque especial à proibição da questão de gênero e sexualidade nas escolas. Além da Alep, o projeto é discutido na Câmara dos Deputados e em municípios de várias regiões do país.
Informações do Jornal da Manhã.





















