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Ponta Grossa

Foto: Divulgação

Afonso Verner | Ponta Grossa | 27/10/2020 as 20:15h

Lineu Kieras destaca intenção de combater desigualdade social

Professor é candidato a vice-prefeito na chapa do PSOL. Lineu foi sabatinado e destacou intenções na vida pública

O candidato a vice-prefeito na chapa do PSOL, Lineu Kieras, foi o entrevistado desta terça-feira (27). Em uma parceria com o Jornal da Manhã, Portal aRede e blog do Doc.Com, a sabatina de Lineu foi transmitida pelas redes sociais. Durante a entrevista feita pelo jornalista Eduardo Farias, Lineu destacou as intenções de fortalecer o combate à desigualdade social em âmbito municipal. 

Lineu estreia na vida pública em 2020. Docente de carreira do Ensino Público paranaense, Kieras faz dupla com o também professor, Sérgio Gadini (PSOL). Durante a sabatina, Lineu reforçou as intenções da campanha do PSOL, com uma política solidária e com um projeto “Cidade Solidária”, além de explicar a iniciativa de “renda mínima” proposta pelo PSOL.

Acompanhe abaixo: 

Jornal da Manhã: Professor, falando da sua atuação e seu envolvimento com a política. Como a sua trajetória teve início? 

Professor Lineu Kieras: Sou filho de uma costureira e ela sempre me motivou a estudar para ser alguma coisa na vida. Consegui fazer o curso de Geografia em Ponta Grossa, e me envolvi na parte política, não a partidária, essa só em 2015. Depois de trabalhar por várias instituições particulares, entrei para o funcionalismo público. A partir de 2005 eu entrei para a política me envolvendo em questões políticas propriamente ditas. A política faz parte de tudo, não tem como você ficar fora disso. A partir de 2015 tivemos um baque muito grande, que foi aquela surra que os professores levaram em frente ao Palácio Iguaçu. Tanto eu quanto o professor Gadini levamos tiros e tal. Enfim, o pessoal sabe desta história que os professores foram massacrados no dia 29 de abril.  E a partir de 2015 busquei me filiar em um determinado partido, e aquele que mais me identifiquei pelas causas e pela luta foi o PSOL. O PSOL acabou me dando as linhas para eu poder conversar e fazer algumas coisas a mais que possa representar na política. Realmente fico muito feliz, fazem cinco anos que estou filiado em um partido político. 

JM: E essa decisão de participar de uma eleição majoritária em uma cidade do porte de PG. Qual é a importância e a responsabilidade disso?

Professor Lineu: Olha... Eu e professor Gadini... a gente conversou bastante quando fizeram o convite para formarmos a chapa. Ficamos em dúvida. Isso é uma baita responsabilidade, cuidar do dinheiro público, como que vai ser encaminhado isso, quais são as propostas que vamos fazer para a cidade de Ponta Grossa e outras decições. Mas recebemos apoio, o desafio foi aceito, e tenho um companheiro de luta que é o professor Gadini. Ele vive há mais de 20 anos aqui em PG e conhece bem a cidade e os problemas que ela apresenta. Além disso, o professor Gadini apresenta propostas práticas que se tornariam baratas, que podem ser aplicadas em PG, e isso me contagiou. Eu fico feliz de falar isso… falar que temos 50 propostas que estão ligadas em sete eixos principais e que podem mudar Ponta Grossa.

JM: O que consiste este projeto Cidade Solidária?

Professor Lineu: Por que esse tema? Quando a gente fala da cidade de Ponta Grossa a gente fala de uma cidade, mas se você andar existe mais de uma cidade. Tem aquela cidade que é para um grupo de pessoas e tem a parte periférica que é praticamente órfã de qualquer serviço público. Então, quando falamos de uma cidade solidária é uma cidade que deve acolher os seus trabalhadores, quem mora e que vive nesta cidade. Esta ideia do professor Gadini e do grupo que contribuiu para fazermos este plano de governo, é para melhorar a qualidade de vida das pessoas. E nessa pandemia a gente descobriu quem sem solidariedade a gente não vive e Ponta Grossa tem que se tornar mais solidária. 

JM: Dentro desta perspectiva, uma das propostas que mais gerou repercussão foi o valor de auxílio de 100 reais as famílias mais carentes. Essa proposta ele pode ser executável? Quem iria pagar isso? 

Professor Lineu: É natural as pessoas pensarem nisso. De onde vem esse dinheiro? Este Projeto de Renda Justa Permanente que o PSOL pensa em implementar pode ser executável sim. Precisamos de dinheiro para fazer esse pagamento, a princípio iríamos fazer um balanceamento pelo Cadastro Único, para ver quais famílias necessitam deste auxílio. A princípio no valor de R$ 100, mas a ideia é ampliar este valor e atingir aproximadamente 10 mil pessoas que precisam do auxílio.Por que disso? Porque se a gente analisar a economia de uma forma geral ela foi afetada. E quando a economia leva um baque, ela pode levar anos para se recompor. E a gente sabe e conhece, quando não tem uma renda básica, alguma coisa que não te de uma dignidade, você acaba aflorando a violência e aflorando diversos problemas sociais. E a gente pensa mais na dignidade das pessoas. De onde vem esse dinheiro? Orçamento para o ano que vem está pronto e ele está direcionado. Pretendemos tirar esse dinheiro através de economia. Extinção de cargos comissionados. Gadini a princípio falou em tirar 50 cargos, mas dá para aumentar isso aí. Da para recolher através de um fundo, existem inúmeras formas para arrecadar isso, como multas por exemplo. Primeiramente precisamos ganhar essa eleição e realmente implementar. Isso não é difícil, pensamos criar um banco comunitário, quem sabe mais para frente. E realmente fazer essas mudanças que realmente são de verdade e vão mudar o município de Ponta Grossa. Porque a exclusão social em PG é muito grande. Este projeto visa contemplar ajuda aos mais carentes.

JM: Esse debate esquerda e direita têm se apresentado muito superficial, enquanto alguns outros debates são de ideias e políticas públicas. Como, por exemplo, o Professor Gadini foi contra a militarização nas escolas e a direita é a favor. Como você enxerga essa questão?

Professor Lineu: O fato de sermos de um partido de esquerda nos dá uma leitura o que o Governo Federal vem fazendo e vem direcionando. Essa questão da militarização nas escolas, a gente acaba se tornando contra porque a experiência que temos em educação, tanto minha quanto do professor Gadini, ela vai justamente contra isso. Em torno de uniforme são 40 milhões em recursos, de salários eles devem pagar para esses militares são mais R$ 35 mi. Eu leciono na escola pública desde 2005. E eu digo de cadeira, o que a escola pública precisa é de um psicólogo, nutricionista e outras coisas, outros apoios. Não é a militarização, disciplinarização rígida que vai resolver o problema da educação. Isso nos deixa preocupados, porque cada vez você se torna mais opressor, principalmente na educação, ela volta. É uma semente que você planta e ela retorna. Mas como que funciona nas escolas militares? Isto é perfil, normalmente o perfil de uma pessoa que vai a uma escola neste padrão com este viés a família tem esse certo padrão, tanto financeiro quanto uma linha de pensamento. Quando falamos em escola pública, é outro padrão de vida com outras pessoas com outras carências e outras deficiências e sabemos que isso não funciona.  Além de que a gente percebe que aqui em PG o cerceamento vai ocorrendo aos poucos, cerceando o que os professores vão ensinar, os conteúdos eles podem ministrar ou não. 

JM: Como está sendo a campanha em 45 dias em meio a pandemia? O PSOL tem o menor tempo de TV, como estão lidando com isso?

Lineu: Como o dinheiro de campanha é pequeno, a gente se vira como dá. A gente tem apostado muito nas redes sociais. Por dois motivos: questão de segurança sanitária e também para atingir determinado público-alvo. Temos um problema diante do fato de que nem todos tem acesso às redes sociais e aí temos que visitar os distritos e os bairros de PG com o maior cuidado possível. Queria deixar um recado aos outros candidatos, estes que chamam seus trabalhadores de campanhas de “formiguinhas”, mas que na verdade são pais e mães de família que estão trabalhando. Parece que não estão dando o devido cuidado para essas pessoas. É uma classe que na pandemia é a que mais sofre por falta de emprego. Então fica o recado que os demais candidatos olhem isso. Política e importante, mas a saúde e o cuidado com o próximo é mais importante ainda. 

JM: Quais as propostas para a saúde de PG?

Lineu: Olha, o que a gente tem observado os fechamentos de unidade de saúde de Ponta Grossa. E eu participei as eleições de 2016, acompanhando as campanhas, e realmente me assustou a quantidade de lugares que foram fechados em PG. Algumas das propostas para a saúde é fazer a reabertura e criar novas unidades com equipamentos e infra estruturas e não deixar de lado o cuidado com quem utiliza a saúde pública.  As pessoas precisam de um local mais adequado para serem atendidas, as pessoas pagam impostos, devemos devolver isso de forma mais qualitativa para a população. A questão da saúde… nós vamos descentralizar. O que realmente precisamos fazer para a saúde de PG é melhorar as pessoas que trabalham. A gente vê uma terceirização no trabalho da saúde. Temos que dar um jeito de arrecadar mais. Nós temos demanda e não vamos conseguir reduzir filas e melhorar atendimento sem ter profissionais para trabalhar com isso. Sem isso, vai ficar só na demagogia dos outros candidatos, e não podemos esquecer que a pandemia veio para dar “um puxão de orelha”. A saúde não pode fechar os olhos e não deixar de ver com um olhar diferente esta questão da saúde. Queremos fazer um conselho e escutar estes profissionais de saúde e melhorar a saúde, apostando em uma saúde preventiva.

JM: Primeira vez PG pode ter um vereador eleito pelo PSOL, como uma bancada coletiva. Como o partido tem trabalhado esta questão?

Lineu: Olha, quando a gente começou formar um grupo que quisesse concorrer ao Legislativo, nós pensamos e fizemos uma boa orientação para eles. Pensamos em ter grupos coletivos, eu acho que é algo incrível que colocamos aqui na cidade. Sendo uma novidade boa, de como a gente é desvinculado a alguns valores. Numa chapa você tem um salário dividido para três vereadores e na outra chapa um salário dividido para quatro vereadores. E essas pessoas são preparadas, com ideais e tem uma bandeira em levantar, a de combater as injustiças sociais.

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