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Marcelo Rangel diz que fundamental é planejar o futuro

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Aos 192 anos de história, Ponta Grossa assume um perfil de crescimento industrial com perspectivas de subir no ranking das maiores economias do Sul do Brasil. Esta é a visão do prefeito Marcelo Rangel (PPS), que em entrevista ao Jornal da Manhã analisa o momento histórico que a cidade vive e projeto o futuro de Ponta Grossa.

De acordo com Rangel, o município deve aliar o crescimento econômico com o social, através da ampliação das escolas integrais e investimentos prioritários em educação. O prefeito também destaca a cultura e o tradicionalismo como uma das chaves para a cidade ganhar perfil, nas próximas décadas, das cidades de países desenvolvidos.

Jornal da Manhã: Nestes 192 anos de Ponta Grossa, qual é a análise que o senhor faz sobre o momento econômico e político que a cidade vive?

Marcelo Rangel: A análise que eu tenho é que, mesmo no pior momento da história do Brasil, na crise econômica, política e moral que abala todo o setor produtivo, todos os brasileiros, ainda recebemos boas noticias de investimentos na área industrial e na área educacional. Investimentos em serviços importantes que em outros municípios estão sendo retidos e, até mesmo, extintos. Aqui, em Ponta Grossa, vimos recentemente um anúncio de uma universidade. Acho que qualquer cidade do mundo tem sonho em receber investimento na área universitária. Nós estamos recebendo um investimento de R$ 40 milhões em uma nova universidade que está se estabelecendo. E não é somente este investimento em infraestrutura. Virão professores e estudantes de outras cidades para estudar aqui, como também as outras universidades que já temos. Ponta Grossa é um parque educacional de 3º grau digno de reconhecimento em todo o Brasil. Vejo a cidade de Ponta Grossa com um futuro nesta área educacional de destaque no Brasil. Nossa cidade é um polo da educação desde os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) até as universidades, passando inclusive pela qualificação de mão de obra, que é um ponto principal para que a gente tenha infraestrutura para receber novos investimentos. Imagino que, quando esta crise passar, ninguém mais segura Ponta Grossa.

JM: E o que faz Ponta Grossa continuar recebendo estes investimentos?

Marcelo: São muitos os fatores. Passa justamente pela mão de obra qualificada, porque qualquer empresa que quer se estabelecer em uma cidade busca primeiro a qualificação, pois tem que oferecer um serviço de qualidade. Ninguém consegue se estabelecer se não oferecer um bom serviço e isso acontece através de bons funcionários, de pessoas bem preparadas, o que vale para a multinacional até mesmo a barraquinha de cachorro-quente. Ou seja, Ponta Grossa tem esta estrutura. É uma cidade grande com mais de 350 mil habitantes e que tem esta possibilidade de oferecer mão de obra. Temos um parque educacional que está melhorando a cada dia que passa, com uma perspectiva de futuro ainda maior para todos os cursos. Todas as demandas técnicas nós temos na nossa cidade. Temos também a questão geográfica e da infraestrutura de logística, que é a mais favorável do Sul do Brasil. Com as ampliações das duplicações e possibilidade do Arco Norte, com os investimentos que possam vir a somar com o município, será ainda melhor. A nossa cidade tem toda esta infraestrutura, todas estas possibilidades, mas o mais importante é não mudar a linha que temos de atração e apoio às indústrias. Esta linha não se pode mudar em hipótese nenhuma no futuro, porque é o que nós temos de maior qualidade hoje. É a segurança jurídica, a segurança que é dada aos empresários com relação à agilidade e também aos encaminhamentos que são dados com muita celeridade dentro da Prefeitura. Isso é fundamental, porque ninguém se estabelece em um lugar aonde não tenha segurança para que seu investimento seja produtivo.

JM: Como aliar este crescimento industrial e econômico com o desenvolvimento social?
Rangel: Tudo passando por planejamento. Planejamento é fundamental, desde a criação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Iplan), desde a preocupação com nosso Plano Diretor, que vai ser nosso grande legado até 2016, através do Projeto 200 que é planejando a cidade para o futuro, desde as escolas integrais que também é o alicerce para a construção do futuro de uma cidade, através da constituição de personalidade cidadã em cada aluno, desde planejamento com relação à Mobilidade Urbana, transporte público, tudo isso estamos fazendo com muita responsabilidade e conseguimos avançar muito em diversos pontos. Não basta ter estrutura e oferecimento da mão de obra, nós temos que ter moradia com qualidade. Os novos bairros de Ponta Grossa nascem hoje com uma infraestrutura que não existia no passado. Hoje bairros como o Panamá, Londres, Costa Rica, Esplendore, América, são bairros que nós criamos e que nasceram com asfalto, saneamento básico, infraestrutura para Unidades Básicas de Saúde (UBS), CMEIs, escola integral, coisa que não existia no passado. Nós temos bairros com 50 anos que infelizmente ainda não tem pavimentação. Claro que o desafio é fazer com que a cidade comece a receber esta infraestrutura, para fazer com que os bairros mais antigos acompanhem esta evolução.

JM: O senhor comentou o projeto Ponta Grossa 200. O que ele representa para a administração e para o município?

Marcelo: Eu acredito que a maior responsabilidade de um gestor público não é com a sua gestão de quatro anos, mas com os legados que ficam permanentes para a história da cidade. As pequenas obras, as manutenções, o que se faz no dia a dia normalmente não é lembrado porque é obrigação de um prefeito, está inerente ao seu serviço. Agora, o trabalho que fica para os anais da história são os legados ideológicos, os programas e projetos que são delineados e que não são feitos para apenas quatro anos, porque tudo é muito rápido neste período. Em três anos, quem é construtor de uma casa, por exemplo, sabe que às vezes é muito difícil fazer uma obra de uma casa em três anos. Imagine transformar uma cidade em quatro anos? Você não consegue muitas coisas que gostaria de fazer em apenas uma gestão passageira de quatro anos, mas se você planta uma semente no seu governo com algumas diretrizes bem definidas, aquilo vai dar frutos para daqui 15, 20 anos e, com certeza, será lembrado pelas próximas gerações como iniciado em uma gestão de um determinado prefeito. É o caso do Cyro Martins, que foi prefeito em Ponta Grossa e que começou a investir na área industrial, sendo que Ponta Grossa tinha vocação agropecuária. Ele começou a abrir para a indústria e hoje nós temos um legado industrial. Assim como outros prefeitos que fizeram investimentos importantes e deram o pontapé inicial. Talvez não tenham feito tudo que gostariam de ter feito, mas se lançaram uma ideia e aquela ideia foi seguida, tem o seu valor. E é isso que eu quero deixar, eu quero deixar uma ideia de que o principal valor que nós temos na nossa cidade, que temos que investir, é na área educacional. Fazer com que a cidade de Ponta Grossa, quando completar 200 anos, tenha ares de uma cidade de primeiro mundo.

JM: Uma das metas do Plano de Mobilidade Urbana é descentralizar o crescimento da cidade, com a criação de novos eixos comerciais. Como garantir o cumprimento desta meta?

Marcelo: Eu acho outro grande legado que podemos deixar para as outras gerações, as outras gestões é justamente o Plano Diretor. É algo que nunca saiu do papel, que nunca teve um desfecho técnico e participativo. Nós estamos trabalhando nisso com muita responsabilidade desde o primeiro ano de governo, porque não é apenas uma orientação técnica de arquitetos e engenheiros. Nós queremos que Ponta Grossa continue se espalhando ou nós queremos concentrar nestas regiões mais urbanas com crescimento vertical? Nós queremos ciclovias? Isso tudo estará previsto no nosso Plano Diretor, com um amplo debate com a comunidade.

JM: O que Ponta Grossa tem a comemorar nestes 192 anos?

Marcelo: Eu acho que nós temos que comemorar o nosso povo, nosso povo que faz a capital cívica do Estado do Paraná, dá exemplo de civismo. O que as pessoas estão pedindo no Brasil, até mesmo pelas manifestações, é ordem, disciplina, respeito, responsabilidade, transparência, honestidade e, acima de tudo, trabalho. O nosso povo demonstra isso tudo através da superação dos problemas com muita união. Ponta Grossa tem o que comemorar porque os melhores presentes Deus já nos deu. Neste aniversário, estamos comemorando os 192 anos de Ponta Grossa com os presentes mais fantásticos que Deus poderia dar para nossa cidade, que é um povo trabalhador, sério, ordeiro, uma cidade pujante e um bom lugar para se viver.

Informações do Jornal da Manhã

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