Prefeitura vence ação e desabriga famílias na Vila Cipa
Duas famílias de Ponta Grossa foram obrigadas a retirar todos os móveis e desocupar as residências localizadas na Rua Itambaracá, na Vila Cipa. Durante a manhã desta quinta-feira (03), elas foram surpreendidas pela Polícia Militar que, ao lado de um oficial de justiça, comunicaram o acontecimento.
A decisão judicial foi tomada porque um dos vizinhos acionou a Prefeitura informando que o terreno se tratava de uma área de rua – e, assim, as duas residências foram construídas entre duas casas de esquinas, bloqueando a via, há anos. As autoridades, além de avisarem sobre a situação, também auxiliariam na ‘transição’ de local das famílias.
José Agnaldo Silva Freitas, morador de uma das casas, contesta a decisão judicial e afirma que o proprietário o ‘perturba’ há anos com o assunto. Ele e os dois filhos, de sete e oito anos, tiveram que deixar os bens na casa de uma moradora da região. “Hoje vou ter que passar a noite no meu carro com as duas crianças. Não tenho para onde ir”, ressaltou.
Moradora ‘pioneira’ precisou deixar a casa
A outra residência pertence a Ana Maciel Azevedo da Silva, que mora no local há 36 anos e é uma das primeira pessoas a construir uma casa na região. “Quando a polícia mandou tirar tudo de casa eu comecei a passar mal e fui atendida pelo Siate. Depois que voltei, minha casa já estava vazia: eles retiraram todos os móveis e ainda quebraram meu armário”, diz a senhora, emocionada.
Ana mora com outras seis pessoas na residência, e afirma que ainda não sabe ao certo porque precisa se mudar.
Prefeitura afirma que cumpriu ‘reintegração de posse’
O assistente administrativo do Departamento de Patrimônio da Prefeitura, Jorge Rogeski, explicou que o município apenas cumpriu um mandado judicial de reintegração de posse, a pedido de um vizinho. “Houve uma ação judicial visando a retomada da área e a emissão de posse foi favorável ao município”, disse Rogeski.
“As pessoas já foram notificadas de que aquela é uma área pública, conforme definiu a Justiça. É uma área de rua e isso prejudica os vizinhos, já que perdem a ‘esquina’. Se mantivéssemos a rua fechada, a Prefeitura teria que indenizar os proprietários prejudicados [vizinhos]”, detalha.
Município ofereceu novas residências
Rogeski ainda afirma que a Prefeitura, ao saber da questão, ofereceu novas residências para as famílias, na região do Ouro Verde. “Oferecemos uma contrapartida para que ninguém saísse prejudicado, mas rejeitaram a proposta e não aceitaram as novas casas”, conta.





















