Comércio deverá suspender contratações de fim de ano

A cozinheira Hilda Aparecida de Lima não esconde que em tempos de crise econômica a saída é colocar o “pé no freio” e esperar o melhor momento para realizar compras. “Eu prefiro adquirir as coisas à vista e aproveitando as promoções. Assim tem como ‘brigar no preço’”, justifica ela que não se incomoda de passar vários meses economizando. A estratégia benéfica por um lado, reflete na diminuição do movimento no comércio, comprometendo diretamente as vendas.
Dados da Pesquisa Conjuntural da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-PR) dão conta de que o varejo paranaense fechou o primeiro semestre com queda de -3,56% em relação ao mesmo período do ano passado. O pior índice foi observado justamente na região de Ponta Grossa, que teve redução de -9,77%. Além disso, o comércio local amarga o pior “Dia dos Pais” dos últimos 12 anos e já projeta uma perda de 10% nas vendas em dezembro, repetindo o cenário negativo de 2014 em que, no mesmo período, as vendas tiveram uma quebra de 5%.
Neste panorama de incertezas e muita apreensão, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ponta Grossa (Sindilojas) e diretor de Eventos da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), José Carlos Loureiro Neto, antecipou ao Jornal da Manhã que medidas estão sendo tomadas para manter a saúde da economia princesina. “O primeiro corte será nas contratações de temporários no final do ano. Muito provavelmente teremos contratações zero. A não ser que o movimento se recupere rapidamente entre setembro e outubro. Todavia, as projeções não apontam para isso”, explica. No ano passado, o número de temporários contratados nessa mesma época do ano foi de 300 pessoas.
A não contratação de temporários terá reflexo direto também no horário das lojas no final do ano. “Uma pré-proposta já foi aprovada. Diferente dos últimos anos, os lojistas não pretendem prolongar por muitas semanas o horário diferenciado. Estamos prevendo a abertura em apenas um domingo – o que antecede o Natal – e atendimento até às 22 horas apenas nos três últimos dias que antes da data”, revela Loureiro.
Apesar do período conturbado, a empresária Marli Sallum comenta que é nessas horas que os lojistas precisam apostar na criatividade. “Só assim conseguimos fazer com que os clientes prestigiem a loja”, justifica. Entre as ações criativas, segundo ela, estão promoções e um atendimento diferenciado. “Estamos focando nossas ações em cursos de melhora no atendimento junto aos nossos funcionários. O que não podemos é pensar negativamente. Já tivemos outros momentos de crise e conseguimos sobreviver”, analisa Marli.
Agência acredita em recuperação
Na contramão do Sindilojas, o gerente da Agência do Trabalhador, Victor Hugo de Oliveira, prevê um segundo semestre positivo em relação ao mercado de trabalho. “Já estamos sentindo uma retomada nas contratações. Até o final do ano pretendemos reverter para positivo esse cenário”, comenta. Segundo Oliveira, o comércio deverá ser o grande responsável pela recuperação. “Acreditamos nessa melhora devido, principalmente, as contratações temporárias de final de ano que devem ser iniciadas em novembro”, explica. Outro aspecto que reforça a expectativa da Agência do Trabalhador está baseado no Seguro Desemprego. “Conseguimos estabilizar o número de solicitações desse benefício no município”, diz Oliveira. Para potencializar ainda mais a previsão, o gerente espera que a indústria apresente melhora nas contratações.
Comerciantes farão liquidação de inverno na segunda quinzena
Ainda segundo o presidente do Sindilojas, José Carlos Loureiro Neto, uma ação conjunta entre o Sindicato e a Acipg deve ser lançada nos próximos dias para estimular o comércio, principalmente o de artigos de inverno. “Na segunda quinzena de setembro iremos realizar uma liquidação. Os descontos poderão chegar até 50%”, afirma. Loureiro explica que a medida está atrelada ao verânico que atingiu a região na metade de agosto. “Devido à instabilidade climática, muitos lojistas estão com os estoques cheios. Eles não têm como ficar com isso até o ano que vem. Principalmente no vestuário e calçados à moda muda muito”, diz.
Informações do Jornal da Manhã.





















