Justiça aguarda testemunhas para iniciar interrogatório

O interrogatório de Paulo Leandro Spinardi, de 33 anos, foi adiado novamente pela Justiça. A expectativa era de que o acusado de matar a ex-namorada Cíntia Quadros de Souza, de 21 anos, fosse ouvido durante a tarde da última quinta-feira (27). No entanto, o réu só pode ser ouvido após o depoimento de todas as testemunhas – a declaração de duas delas, que residem fora de Ponta Grossa, ainda não foram colhidas.
Spinardi esteve no Fórum de Ponta Grossa durante a tarde da última quinta-feira, levado pela Polícia Militar, enquanto duas testemunhas de acusação e uma de defesa prestavam depoimento - o réu segue com a preso preventivamente na Cadeia Pública Hildebrando de Souza e responderá ao processo em regime fechado.
Uma das testemunhas de acusação ouvidas na tarde de quinta-feira foi outra ex-namorada de Spinardi. A mulher, que não terá o nome revelado, tem uma medida protetiva na Justiça contra o réu. Ela teria acionado o poder judiciário logo após ser esfaqueada pelo rapaz, em 2013. Na época, Spinardi teve a prisão preventiva revogada, mas não poderia ficar a menos de 200 metros da vítima e nem manter contato por qualquer meio.
Justiça aguarda cartas precatórias
O processo de Spinardi está ‘emperrado’ na Justiça devido a duas testemunhas que não residem em Ponta Grossa – uma perita de Curitiba e outra testemunha dos Campos Gerais. As duas seriam ouvidas nos fóruns da cidade onde moram e o depoimento seria encaminhado até o juiz responsável pelo caso por meio de cartas precatórias.
No entanto, a testemunha da capital do estado tem o depoimento marcado somente para o ano que vem, o que atrasaria ainda mais o processo. A expectativa dos advogados de acusação é de que a Justiça suspenda temporariamente este depoimento e colha somente o da testemunha dos Campos Gerais, marcado para o mês de setembro. De acordo com a lei, o réu só pode ser interrogado depois que a Justiça termine de ouvir todos os demais envolvidos no caso.
A data para o interrogatório de Paulo Leandro Spinardi está em aberto e depende do decorrer do processo. A expectativa é que ele seja ouvido somente no final do ano ou no início de 2016. Logo após ser interrogado, o processo é encaminhado para os advogados de defesa, que fazem alegações finais. Em seguida os advogados de acusação também dão alegações e a juíza pronuncia a decisão final.
Suspeito fala em ‘morte acidental’
De acordo com Renato Tauille, advogado do rapaz, Spinardi teria dito para as autoridades policiais que a morte de Cíntia foi acidental. “Ele [Spinardi] disse que os dois tiveram uma breve discussão e que Cíntia teria o empurrado. Após isso ela se desequilibrou e caiu em uma das fendas”, conta.
A defesa utiliza um laudo da Polícia Científica para confirmar a versão. Segundo Tauille, um perito já ouvido pela Justiça teria afirmado que a versão de Paulo é condizente com o laudo – já que Cíntia teria caído com uma certa velocidade na fenda, o que pode ter ocasionado a lesão na cabeça.
Acusação acredita em júri popular
Os advogados Fernando Madureira e Angelo Pilatti Jr., que representam os familiares de Cintia de Souza, afirmaram que a versão que o suspeito Paulo Leandro Spinardi deu sobre a morte da vítima de que o óbito foi acidental étotalmente inverídica e não encontra o “mínimo de amparo” nas provas produzidas no inquérito policial.
Madureira ressalta que o suspeito, quando ouvido a primeira vez pela autoridade policial, contou que não sabia o que tinha acontecido com Cíntia e que no dia dos fatos tinha deixado à vítima perto da academia aonde trabalha. Depois quando localizado o corpo e decretada sua prisão temporária, permaneceu em silêncio.
Assim, a defesa acredita que o caso vá a júri popular pelas evidências já encontradas em desfavor do suspeito. “As provas são bem contundentes e muito claras a respeito da intenção do rapaz. Tudo indica que ele realmente quis matar Cíntia”, declara Madureira.
Relembre
Segundo familiares da vítima, Cíntia havia comprado um carro em sociedade com o namorado, Paulo Leandro Spinardi. Mas eles estariam rompendo relações, e ela aceitou transferir o veículo para o nome do rapaz. Por volta do meio-dia do dia 14 de janeiro, o combinado seria que os dois iriam ao Detran para dar entrada na documentação. Não se sabe se esse encontro aconteceu.
A mulher não foi mais vista a partir deste horário. Parentes de Cíntia fizeram o boletim de ocorrência, registrando o desaparecimento, na manhã de sexta-feira (16), na 13ª Subdivisão Policial. Após uma denúncia anônima, a Polícia Civil iniciou as buscas pela personal trainer na região do Alagados, no Rio São Jorge. O denunciante afirmou que o ex-namorado, Spinardi, teria matado Cíntia e ‘desovado’ o corpo da vítima no local.
Após mais de 72 horas de buscas, o Corpo de Bombeiros e o Canil da Polícia Militar encontraram o cadáver. Com a confirmação da denúncia, a delegada do setor de homicídios da 13ª Subdivisão Policial (SDP), Tânia Sviercoski, pediu a prisão temporária do rapaz – que já estava sendo procurado pela justiça desde o início das buscas para prestar esclarecimentos. No mesmo dia, Paulo Leandro Spinardi se apresentou na 13ª SDP, mas negou qualquer envolvimento com o crime. Ele permaneceu detido durante todo o processo de investigação.





















