Sob pressão, vereadores aprovam Plano de Cargos

Com as galerias lotadas por professores da rede municipal e estudantes do magistério, os vereadores de Ponta Grossa aprovaram por unanimidade a reformulação do Plano de Cargos e Salários da Educação. Além de reajuste salarial de 15% até 2016, a proposta garante a admissão de formados no magistério ao quadro do município.
Previsto para ser votado na próxima semana, o projeto de lei entrou na pauta da Câmara Municipal desta quarta-feira e, diante da pressão dos educadores, foi votado em dois turnos. A abertura da sessão extraordinária e a abreviação dos trâmites do Legislativo atenderam aos protestos da Secretaria Municipal de Educação junto ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv).
Em reação às manifestações do Departamento de Pedagogia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o Sindserv se mobilizou em defesa da contratação de profissionais do magistério na rede municipal de ensino, medida considerada como ‘ um retrocesso’ pelos professores da UEPG.
A representante da Educação no Sindserv, professora Romilda Meyer Santana, negou que haja desvalorização do nível superior com o novo plano. “Não significa que vamos contratar apenas o magistério, estamos apenas abrindo a possibilidade de que eles participem dos concursos públicos”, afirmou. “A qualidade depende de cada professor, não da formação. Até porque o respaldo do pedagogo vem do magistério e não podemos privar o magistério de dar aula”, completou. Romilda disse, ainda, que as alterações no plano vão cobrir um déficit de mais de 300 educadores em Ponta Grossa. “Muitas vezes os pedagogos chegam na realidade da sala de aula e desistem de lecionar”, comentou.
Além da Secretaria de Educação e do Sindserv, alunas do magistério do Colégio Sagrada Família e Instituto de Educação acompanharam a votação. “Eu acho que a gente é preparada, com cursos e estágios, tanto quanto outra pessoa para dar aula. Além disso, será só nos anos iniciais, precisaria da graduação para progredir”, disse Dayane Staroin, aluna do Sagrada. “Esses professores da UEPG falam na qualidade da educação, mas a maioria tem filho na rede privada, onde os professores já são do magistério”, concluiu. Com a aprovação em dois turnos, o novo plano segue para a sanção do prefeito Marcelo Rangel (PPS).
Pedagogas lamentam aprovação
Em minoria, professoras e alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) também acompanharam a votação do novo plano de cargos e salários da Educação. As docentes já haviam comparecido na Câmara Municipal na última segunda-feira, quando argumentaram contra a contratação de profissionais do magistério. Para a professora Gisele Masson, a manifestação desta quarta-feira foi orquestrada pelo Governo Municipal, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) e os cursos do magistério. “É uma manobra política que tem um interesse do Executivo, da Secretaria de Educação e do Sindserv, que fez um acordo para aprovar este projeto”, disse. “Os professores só foram até à Câmara para defender o reajuste salarial. Agora, graduados, aqueles com mestrados, especialização, todos vão entrar com um nível salarial de R$ 995,79 por 20 horas nos três primeiros anos de trabalho”, completou.
Magistério
O atual plano de cargos e salários da Educação, sancionado pela lei 10.375/2010, exige a formação superior de todos os professores da rede municipal de ensino. Com a reformulação da lei, nos anos iniciais e na educação infantil, poderão ser contratados profissionais do magistério. A nova proposta aprovada ontem também atualiza a tabela de salários dos educadores, a partir de 1º de outubro.
Informações do Jornal da Manhã





















