Crise econômica emperra regionalização do Samu

Apesar de ter iniciado há mais de cinco anos, o projeto da regionalização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nos Campos Gerais ainda não saiu do papel. Os atrasos em repasses do Governo Federal para o custeio da Saúde nos municípios e as incertezas econômicas do país teriam arrefecido as discussões sobre o Samu Regional.
Prefeito do município de Castro, Reinaldo Cardoso (PPS) fez frente aos debates sobre a regionalização nos últimos anos, quando atuou na presidência do Consórcio Intermunicipal de Saúde dos Campos Gerais (Cimsaúde). Segundo Cardoso, o momento econômico não passa confiança aos prefeitos para o custeio do Samu Regional. “Eu deixei o consórcio na seguinte condição: dos 30 municípios que conversamos, apenas uns dez querem a regionalização, porque o custo inicial do serviço é muito alto”, conta.
O CIM Saúde chegou a projetar uma tabela de valores que deveriam ser repassados pelos cofres municipais, calculados a partir da população de cada cidade. A estimativa é que, nos primeiros meses, o Samu Regional custaria R$ 2,80 por habitante, aproximadamente R$ 2,8 milhões por mês à região. “Castro pagaria R$ 180 mil por mês, no início, e depois esse valor iria baixar com o apoio do governo. Mas começou a haver atrasos do Governo Federal para o custeio da saúde e não sabemos se conseguiríamos dar continuidade ao programa”, explica Cardoso. “Quando se começou a falar em Samu Regional, a situação era outra. O cenário econômico de hoje não dá confiança aos gestores”, completa.
De acordo com a diretoria de Polícias de Urgência da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), ao lado das regionais de Guarapuava e Ivaiporã, os municípios dos Campos Gerais são os únicos que não possuem Samu Regional. “Hoje nós temos nove Samus regionais e 80% do Estado é coberto pelo serviço”, afirma a coordenadora da Rede de Urgências da SESA, Beatriz Monteiro. “Mas, nesta região (Campos Gerais), temos uma área bem grande sem cobertura, que não aconteceu por falta de adesão e pactuação dos gestores”, comenta.
Além da falta de contrapartida financeira das prefeituras, Beatriz conta que a demora na reforma da Central de Regulação do Samu em Ponta Grossa inviabilizou a regionalização. “O município recebeu recursos do Ministério da Saúde para as obras, mas até o momento não houve a reforma”, diz.
Demora em reforma trava projeto
De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), a demora na adequação da Central de Regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Ponta Grossa emperrou a regionalização o programa. Os recursos teriam sido repassados entre 2013 e 2014 ao município, mas só em junho deste ano a Prefeitura iniciou as obras. A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde disse que a reforma deve ser entregue em novembro. Com recursos da União, R$ 280 mil serão aplicados na adequação da Central pela UEME Construção Civil Ltda. “As reformas não estão interferindo nos atendimentos a população”, ressaltou o Governo Municipal.
Custos da implantação
Conforme portaria do Ministério da Saúde, 50% dos custos do Samu Regional devem ser custeados pela União, 25% pelos estados e 25% pelos municípios. Entretanto, com as dificuldades nas finanças municipais, o Governo do Paraná optou por custear 50% dos serviços, com a distribuição de ambulâncias e equipamentos. Às prefeituras, cabe garantir a readequação das redes de atendimento.
Informações do Jornal da Manhã





















