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Anúncio em grupo de vendas de PG expõe preconceito

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| Autor: Afonso Verner

Afonso Verner

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A venda de um mero vestido se transformou em um caso de ódio em intolerância em Ponta Grossa. A cabeleireira Emmanuelle Zavarize publicou um anúncio em um grupo de vendas de uma rede social e se tornou um alvo para comentários preconceituosos e transfóbicos: a postagem causou polêmica na rede social e se transformou em caso de polícia.

A postagem foi feita por Emmanuelle na noite da última terça-feira (04) no grupo 'Galinha Morta - Ponta Grossa' - ela venda roupas para complementar a renda familiar. O texto dizia:

"Vendo [o vestido] sob encomenda na cor rosa e azul. Interessados mandar medidas" 


Mesmo com a mensagem sendo clara e objetiva, a postagem de Emmanuelle causou polêmica entre os internautas: mais de 100 comentários ofensivos e preconceituosos foram registrados no post. "Eu fiz a postagem e fui dormir, quando acordei me assustei com a repercussão do caso. Eu queria apenas vender o vestido, não me vender", criticou Emmanuelle.

Transexual desde os 14 anos de idade, hoje com 28 ela se assustou com o caso e ficou indignada com a situação. "Eu vi que muitas pessoas, a maioria delas mulheres, fizeram comentários maldosos sobre o meu corpo. O assunto lá não era esse, mas sim a venda de um vestido. Eu não fui pedir a opinião de ninguém sobre a minha pessoa, apenas estava vendendo um produto como todo mundo que participa desses grupos. Quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu gosto de cachorros", alfinetou.

Emmanuelle, que já foi eleita Miss Transexual em Ponta Grossa, procurou um advogado e também registrou um boletim de ocorrência.

Pena 'branda' gera sensação de impunidade

Para o advogado Paulo Pereira, o caso ilustra perfeitamente uma situação de crime de ódio. "Isso acontece quando os agressores selecionam uma pessoa e iniciam um linchamento. Infelizmente no código penal não existe uma tipificação específica para esse tipo de conduta que acaba sendo encaixada no crime de injúria", explicou.

Segundo Pereira, a baixa pena nesse tipo de crime gera uma sensação de impunidade entre os agressores. "Atualmente esse crime tem uma pena muito baixa, de um a seis meses de detenção. Quando esse crime é cometido através da internet, há um aumento de 1/3 da pena", contou.

Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados em Brasília pode deixar a punição mais rígida: caso o projeto de lei 7582/2014 seja aprovado e sancionado, a pena para esse tipo de crime deve subir para até seis anos de reclusão". "A indicação para quem é alvo desse tipo de crime, é procurar um advogado e acionar cada autor das ofensas individualmente".

OAB discute apuração desse tipo de crime

A Comissão de Diversidade Sexual da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Ponta Grossa prepara um documento para requisitar esclarecimento das autoridades sobre a apuração desse tipo de crime. Segundo a advogada Angelita Czezacki Kravutschke, membro da comissão, existe uma clara dificuldade do processo 'andar' dentro dos órgãos de investigação.

"Estamos preparando um documento pedindo esclarecimentos sobre quais são os procedimentos tomados nesse caso. Essa sensação de que as investigações não avançam desmotivam as vítimas. Isso também faz com que a sensação de impunidade nesse tipo de crime aumente. Não há clareza na apuração de Cyber crimes que envolvam a questão de gênero", explicou Angelita.

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