Artes rupestres são alvo de depredação em PG

O sítio arqueológico Abrigo Usina São Jorge, em Ponta Grossa, fica há cerca de 15 quilômetros de distância da cidade e possui diversas pinturas rupestres feitas por indígenas há mais de mil anos, mas esses registros históricos estão cada vez mais ameaçados.
Alessandro Chagas Silva, geógrafo e guia de turismo, realizou uma pesquisa em 2000, onde constatou que o local já estava sendo depredado. “Há 15 anos atrás já havia depredação, mas hoje ela só vem aumentando”, explica.
O local servia de abrigo para indígenas, pois as rochas formam um teto, o qual possibilita que alguém fique embaixo. As pinturas, todas feitas à mão, foram todas catalogadas na pesquisa de Chagas. A maioria são cenas com elementos humanos e animais, pinturas que indicam movimento e algumas figuras geométricas.
O geógrafo conta que as pinturas nas rochas no sítio foram rabiscadas e que, no teto da caverna, há fuligem de fogueira. Os rabiscos provavelmente foram feitos com pedras, propositalmente, como se fossem uma espécie de pichação, e a grande camada de fuligem no teto é causada pelas fogueiras que visitantes fazem ao passar pelo local. Chagas explica que muitas pessoas passam por lá, pois não há seguranças no sítio. “Apesar de ser uma área privada, não há controle algum”, conta.
Em busca de uma solução para impedir a depredação das pinturas, Chagas apresentou o projeto “Arqueo Trekking”, para ver o que seria feito em relação ao sítio arqueológico e também como uma proposta de passar às pessoas a sua importância histórica e geológica. “O projeto foi anexado ao inventário do município. Esse é o primeiro passo para o tombamento, mas só foi feito isso, mais nada”, conta o geógrafo.
Chagas comenta também que, apesar da pesquisa ser antiga, ele constatou que a depredação vem aumentando. “Muita gente vai lá sem saber a importância histórica do local. Se continuar assim vai acabar com o patrimônio arqueológico e as pesquisas do futuro não poderão ajudar mais”, finaliza.
Projeto busca preservação dos patrimônios
O objetivo principal do projeto “Arqueo Trekking” é a Educação Ambiental e a preservação do patrimônio arqueológico através da visitação e contemplação da arte rupestre nas paisagens rochosas dos Campos Gerais. O projeto “Arqueo Trekking” realiza roteiros arqueológicas pedagógicos e/ou científicos em algumas regiões dos Campos Gerais onde há ocorrência de sítios arqueológicos com pinturas rupestres, como: Ponta Grossa, Tibagi e Piraí do Sul. A divulgação do projeto é feita através de palestras e oficinas pedagógicas aos alunos das escolas municipais e estaduais, estudantes de cursos técnicos e universitários.
Informações do Jornal da Manhã.





















