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Em entrevista à TV, ‘Moicano’ se diz inocente

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Rodrigo de Souza

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Principal suspeito do triplo homicídio em um moto clube de Ponta Grossa, Donizete José de Almeida – conhecido como ‘Moicano’ – afirmou ser inocente das acusações policiais. Durante uma entrevista à Rede Massa, filiada do SBT no Paraná, o motoqueiro disse não ter participação no crime e que sequer conhecia os atiradores. Na madrugada do dia 12 de julho, três homens foram assassinados em uma festa junina - outra pessoa ainda ficou ferida, mas resistiu.

Moicano continua sem se apresentar à Polícia Civil. No entanto, respondeu algumas perguntas feitas pelo repórter Ricardo Vilches. De acordo com o depoimento, o suspeito só irá se apresentar a partir do momento em que a Polícia Civil começar a esclarecer alguns fatos. “Quero que o caso seja solucionado para que eu possa retomar minha normalmente. Porque estou sofrendo represálias, tanto a mim quando a minha família”, afirmou. Moicano ainda explica que está com medo de se apresentar porque, segundo ele, ouviu dizer que até mesmo “pessoas vinculadas à polícia” estão o ameaçando de vida.

O delegado responsável pelo caso, Danilo Cesto, entrou com um pedido junto ao Fórum de Ponta Grossa para que fosse expedida a prisão temporária do homem – enquanto as investigações ainda estiverem em andamento. O pedido foi aceito e agora o principal suspeito é considerado ‘foragido’ das autoridades policiais.

Versão de Moicano

O suspeito ainda apresentou a própria versão a respeito do caso. Ele, que afirmou estar com a esposa e a filha na festa junina do moto clube, contou que estava em um salão quando uma mulher teria o perguntado sobre um ex-integrante do grupo de motoqueiros que ele fazia parte. “Ela perguntou dele e eu desconversei, disse que não sabia de quem estava falando. Quando fui sair, ela me puxou pelo braço e falou: “Como é teu nome?”, declarou.

Moicano disse que, na sequência, teria mostrado a tarja com o próprio nome no colete.

"- Meu nome está aqui.

- Não, quero ouvir da sua boca!

- Não, meu nome está aqui. É só você ler."

Na sequência, a mulher teria se irritado e falado para Moicano: “Eu sou mulher de Abutre [nome de um dos moto clubes da cidade], você tem que me respeitar. Eu estou te pedindo, você tem que me falar”.

Após o diálogo, Donizete teria saído do local e a mulher foi até um dos integrantes do grupo, que acabou assassinado pouco tempo depois, e falado que teria sido desrespeitada pelo motoqueiro. “a partir daí aconteceu uma pequena discussão entre eu e mais alguns motoqueiros, mas que logo foi resolvida. A gente conversou e acabou aqui. ‘Você não põe a mão em Abutre e Abutre não põe a mão em você’, ele disse. Eu concordei”, explicou.

Segundo Donizete, ele teria se afastado logo após a confusão e viu dois rapazes entrando pelo portão. Um deles teria afirmado a Moicano de que os outros envolvidos na confusão seriam ‘acostumados’ a fazer esse tipo de coisa. No entanto, o suspeito afirmou que já estava tudo certo entre eles. “Quando disse isso, um deles falou: ‘Não. Resolveu com você, mas comigo ainda não’. Eles sacaram duas pistolas e vim correndo atrás, mas já tinham atirado. Quando cheguei, estavam saindo”, explicou. O suspeito dos crimes ainda afirmou não conhecer as duas pessoas.

Polícia tenta identificar atiradores

Os investigadores do Setor de Homicídios continuam trabalhando para identificar os outros dois suspeitos que teriam participado do crime. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Danilo Cesto, a Polícia Civil concluiu que três pessoas foram responsáveis pelos disparos na festa. “Não sabemos ao certo qual a participação de todos os suspeitos, mas testemunhas afirmaram que os três estariam envolvidos no caso”, declara o delegado.

Família está sendo ameaçada

Informações repassadas pelo advogado de ‘Moicano’, Fábio Massoller Bonetto, dão conta de que ele estava na festa junto com a família. “A filha e a esposa do Moicano estavam com ele na festa e meu cliente não conhece os responsáveis pelos assassinatos. A versão dele é totalmente diferente da que está sendo apresentada no inquérito policial”, disse o advogado.

Massoler contou que Moicano e toda a família vem recebendo ameaças de morte após o crime. A filha e a esposa de Donizete já estão fora do Estado e nem mesmo o advogado conhece o paradeiro do cliente. “O Moicano me ligou já no domingo de manhã após o fato pedindo orientação jurídica. Mas por causa da situação de risco em que ele está envolvido, ninguém conhece o paradeiro do Donizete”, diz.

Amigos de vítima pedem justiça

Amigos e familiares de Thiago Correia, uma das vítimas do crime no Moto Clube, usaram as redes sociais para pedir justiça no caso que culminou com a morte do rapaz e de outras duas pessoas. Thiago era morador de Curitiba e vários amigos publicaram mensagens de luto na página do rapaz no Facebook.

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