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Milla destaca economia e ano de debate na gestão da Câmara

Legislativo reduziu em 89% os gastos com horas extras ao longo do ano e foi palco de discussões importantes para Ponta Grossa, principalmente no transporte coletivo.

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Rodrigo de Souza

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Legislativo reduziu em 89% os gastos com horas extras ao longo do ano e foi palco de discussões importantes para Ponta Grossa, principalmente no transporte coletivo.

O ano na Câmara de Ponta Grossa foi marcado por discussões bastante intensas e uma mudança drástica nos processos administrativos. Com a chegada de Daniel Milla (PV) à presidência da Mesa Executiva, em janeiro, o poder Legislativo priorizou ações internas buscando o corte de gastos e a modernização dos processos.

O trabalho ao longo do ano foi positivo: a Câmara entra em 2020 com as sessões legislativas 100% digitais e com uma economia de quase R$ 12 milhões no orçamento anterior – valor devolvido aos sofres da Prefeitura ao longo do ano, em três prestações. Somente com horas extras, a redução foi de 89% em relação aos gastos anteriores. O valor ainda se soma ao corte de funções gratificadas e ao fim do uso de papeis, que reduziu os gastos com fotocópias e impressões.

No primeiro ano como presidente da Mesa Executiva, Milla também precisou mediar discussões importantes e, em certos momentos, acaloradas, como a redução de vereadores, a as mudanças no transporte público. Para ele, o papel de ‘magistrado’ frente aos demais parlamentares foi cumprido ao longo do ano: sem tomar partido nas discussões em benefício de um dos lados.

Jornal da Manhã: Do ponto de vista administrativo, uma das principais medidas tomadas na Câmara foi a informatização das sessões. Com o processo concluído, qual a sua avaliação sobre a mudança?

Daniel Milla: Além da questão da economia que já está evidenciada pelos números, a mudança também trouxe benefícios no âmbito da sustentabilidade, que hoje é um grande desafio – não só no poder público, mas em todo o mundo. Em relação às fotocópias, geramos uma economia de mais de 20 mil impressões por mês, que gastávamos em oito sessões ordinárias. Além da sustentabilidade, a medida traz uma economia financeira e permite que o dinheiro seja investido em outras situações. Tem a questão da transparência também: hoje o vereador precisa fazer o controle da entrada e saída da Câmara. O parlamentar é acima de tudo um funcionário da população, e ela precisa saber se ele chegou no horário ou não. Outra mudança é a agilidade das votações. O que era feito em cinco ou 10 minutos, hoje levamos 30 segundos com a votação eletrônica. Além disso, mostra como cada um votou e traz mais transparência às sessões.

JM: Em 2019 a Câmara sediou o debate de muitos projetos polêmicos, principalmente os do transporte coletivo que interferem diretamente na população. Como você avalia o trabalho nas discussões?

Milla: Em todo projeto polêmico que é discutido, quem ganha é a população. É a partir das discussões que surgem novas ideias e posicionamentos novos. O que não pode acontecer é justamente que não se discuta os projetos. Hoje é muito mais fácil para um político que uma proposta seja aprovada em discussão. Porque não quer se expor, quer aprovar algo pela vontade dele e não pela vontade popular. Na minha visão, todo projeto que gerou polêmica e que foi debatido, quem ganhou foi a população ponta-grossense. Vejo a questão das discussões como uma parte bastante positiva do ano.

JM: Como a Mesa Executiva da Câmara deve agir na coordenação dos trabalhos por conta do ano eleitoral?

Milla: O ano que vem é um ano muito decisivo. Não só para os vereadores, mas para o próximo administrador do Poder Executivo. E, querendo ou não, tanto a Câmara quanto a Prefeitura são casas políticas. Elas fazem o trabalho público-administrativo, mas são casas que envolvem um certo cenário político. Então vai haver muito debate nessa área, não tem como fugir dele. O que não pode é agir com a maldade de querer travar o trabalho do Município pensando nas eleições. Temos que ter maturidade entre os parlamentares, o prefeito, a vice-prefeita e todos os outros representantes para debater as questões de prioridade do Município sem interferência. Se não, quem perde é a população.

JM: Foram cerca de R$ 12 milhões devolvidos pela Câmara à Prefeitura ao longo do ano. Como o presidente avalia os trabalhos no Legislativo que geraram essa economia nos cofres públicos?

Milla: Vejo como uma ação bastante positiva. Não só na economia com as horas extras, mas também com a devolução de diárias e as mudanças em algumas funções gratificadas que achei que não eram necessárias dentro do processo de modernização da Câmara como um todo. Além disso, para o próximo ano já iniciamos um orçamento para a instalação de energia solar. Vamos implantar isso na Câmara, pois além da questão de sustentabilidade, também vai gerar uma economia de R$ 8 mil ao mês. Nos próximos 24 anos, serão mais de R$ 6 milhões economizados. É um pensamento em longo prazo que precisar ser feito, já que essas situações trazem uma economia muito grande lá na frente.

JM: Na sua visão, qual deve ser a principal discussão na Câmara durante o início de 2020, tendo como base as propostas já apresentadas?

Milla: Em relação aos projetos, temos alguns em discussão. Isso é natural... São vários projetos do poder Executivo e, por estarmos em ano eleitoral, todos eles devem ser muito bem debatidos pelos parlamentares. Será uma análise mais profunda, principalmente por parte da oposição, e isso pode gerar uma certa dificuldade em controlar os ânimos. Temos também as eleições para as comissões internas da Câmara, que devem gerarum debate muito grande. Sem contar o Plano Diretor, que já recebi o projeto e só ainda não disponibilizei porque é necessário criar uma comissão especial para analisá-lo. Com certeza essa proposta será bastante discutida também.

JM: Como você avalia a experiência na presidência da Câmara?

Milla: A minha avaliação é a mesma de alguns vereadores, tanto da oposição, quanto da situação. Separamos muito bem a administração relacionada ao Executivo e ao Legislativo. Não tivemos projetos votados no afogadilho, assim como não foram feitas votações em segunda discussão fora do prazo sem um acordo entre os parlamentares. Todo o processo respeitou prazos pré-estabelecidos e colocamos as propostas em votação com a ciência de todos os parlamentares. Não houve projeto polêmico que foi aprovado sem o debate merecido. A questão da redução de vereadores, por exemplo, foi feita dessa forma: foi debatido, colocado em votação, respeitado prazos e analisado com cuidado. O mesmo vale para as discussões do transporte coletivo, em que algumas deixamos até para o próximo ano por falta de tempo para debate. No meu projeto do transporte (abertura de nova licitação), dei tempo, respeitei os prazos e coloquei para análise. Todos os projetos polêmicos nós deixamos para que fossem discutidos com a população e as entidades da sociedade civil para dar a transparência que a comunidade sempre pede. Na minha avaliação, fizemos o que eles precisavam, inclusive respeitando o momento que vivemos. Não colocamos, por exemplo, nenhum aumento de salário de vereador ou nada que não condissesse com a realidade.

O quê?

Vereador, Daniel Milla (PV) iniciou a gestão na presidência da Câmara de Ponta Grossa em 2019, após vencer uma eleição em que conquistou apoio de parlamentares da situação e também da oposição. Apesar de pertencer à base governista, Milla fez questão de manter a neutralidade durante o trabalho na Meda Executiva, posição que gerou elogios por quase todos os vereadores. Em 2020, existe a expectativa de que seja candidato à Prefeitura, em um acordo que ainda pode, inclusive, o colocar como o sucessor e o indicado de Marcelo Rangel (PSDB) nas eleições. De certo, no entanto, somente a vontade em participar da corrida eleitoral.

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