Fogos de artifício são prejudiciais à audição
Médico otorrinolaringologista Rafael Francisco dos Santos explica que emissões sonoras acima de 85 decibéis prejudicam a audição, e sons acima de 120 podem ser insuportáveis para algumas pessoas.

Médico otorrinolaringologista Rafael Francisco dos Santos explica que emissões sonoras acima de 85 decibéis prejudicam a audição, e sons acima de 120 podem ser insuportáveis para algumas pessoas.
Problemas auditivos e outros malefícios ocasionados por fogos de artifício estão na mira do poder público neste final de ano. As Câmaras Legislativas de Maringá e Curitiba votaram em novembro projetos de lei que proíbem queima de fogos durante as festas de final de ano. Projeto similar, apresentado pelo deputado estadual Cobra Repórter (PPSD) tramita na Assembleia Legislativa do Paraná, prevê a proibição de fogos de artifício que gerem som superior a 85 decibéis.
O barulho feito pelos fogos de artifício pode chegar a 175 decibéis. O médico otorrinolaringologista Rafael Francisco dos Santos explica que emissões sonoras acima de 85 decibéis prejudicam a audição, e sons acima de 120 podem ser insuportáveis para algumas pessoas.
O especialista alerta que sons acima da recomendação da OMS podem causar lesões na porção interna do ouvido, causando dor, chiado e até perda auditiva permanente. “No caso das crianças, é importante que os pais a protejam da exposição sonora muito intensa, pois elas muitas vezes não compreendem dos malefícios que os sons muito altos podem causar”, diz o especialista.
Quanto aos adultos, especialmente aqueles que venham a manipular rojões ou outros artefatos, o médico alerta que os riscos são maiores pela proximidade do ouvido em caso de explosão acidental. “Há riscos de perfuração do tímpano ou lesão na cóclea o que pode ocasionar perda auditiva irreversível”, diz.
O barulho dos fogos percorre o ouvido e afeta as células da cóclea, que convertem as ondas sonoras mecânicas em impulsos elétricos transmitidos ao cérebro pelo nervo auditivo. “Quando excessivo, o som causa um trauma acústico irreversível nas células ciliadas”, detalha Santos.
O otorrinolaringologista alerta que, para proteger a audição e evitar outros riscos inerentes à explosão, adultos devem manter distância de, pelo menos, 15 metros da queima de fogos. “O ideal é não expor as crianças, mas caso não seja possível, a distância segura para elas é acima de 50 metros. Quanto mais longe as pessoas estiverem da fonte emissora de som, menores são os riscos à audição”, explica.
Outros benefícios da proibição
Em Curitiba, a vereadora Fabiane Rosa, autora do projeto que proíbe fogos na capital a partir de 2020, enfatiza que, além dos animais, a proibição trará benefícios a idosos, bebês, e pessoas com autismo, Síndrome de Down e outras deficiências que tem sensibilidade auditiva maior. A vereadora também destacou que, em setembro, um torcedor do Athletico sofreu grave acidente com um rojão e teve uma das mãos amputada. De acordo com um estudo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, por exemplo, 10% dos acidentes com fogos resultam em perda de algum dos membros superiores.
Em Ponta Grossa, desde 2013, a Prefeitura realiza shows de ano novo com fogos de efeito luminoso, sem emissão sonora.





















