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Comunidades terapêuticas da cidade passam por dificuldades

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As comunidades terapêuticas fornecem 200 vagas para o tratamento de dependentes químicos no município de Ponta Grossa, com atendimento psiquiátrico e acompanhamento constante de profissionais. Em uma cidade onde 0,6% da população já teve contato com o crack, segundo dados da Secretaria de Saúde, a prefeitura não oferece uma clínica especializada para o atendimento, enquanto entidades atuam no acolhimento dos dependentes químicos. São seis comunidades terapêuticas que realizam o tratamento especializado e que atuam, apenas, caso a pessoa tenha interesse em participar do processo. As comunidades em Ponta Grossa não realizam internações forçadas – contra a vontade da pessoa – e dependem de doações de famílias, mercados, igrejas, serviços voluntários e contribuições financeiras para a manutenção dos serviços.

Ponta Grossa não possui um fundo municipal de políticas públicas sobre drogas, o que dificulta o trabalho e obtenção de verbas das entidades. Segundo o presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas (COMAD), Claudimar Barbosa, a demanda de um fundo de políticas sobre drogas já foi levada para a Câmara Municipal, mas a discussão não foi levada a diante. “Quase todo mundo que busca as comunidades é carente. Então atualmente a manutenção das comunidades é uma das principais dificuldades”, destaca Claudimar. Ele aponta a necessidade de um investimento público mais efetivo no tratamento e manutenção das comunidades.

“Fazemos um trabalho que é obrigação do Estado e do Município”, defende o presidente da comunidade terapêutica Renascer, Alan Von Holleben. A CT Renascer funciona em sua capacidade máxima – com as 23 vagas disponíveis ocupadas – para o tratamento dos dependentes. Alan destaca que a Renascer realiza um trabalho social, que funciona com doações das famílias dos dependentes. O tratamento é realizado mesmo em casos em que as pessoas não tenham condições de contribuir financeiramente.

A CT Servos da Misericórdia possui projetos, como a construção de um ambulatório e um consultório odontológico inacabados, devido à falta de recursos. “Ao longo dos anos conseguimos uma ou outra ajuda de meios governamentais, mas hoje só contamos com a ajuda dos familiares dos internos”, disse o coordenador da CT, Diácono Valdecir Zanata.
O diretor do Cejocomd, Sérgio Ferreira de Freitas, afirma ter cansado de correr atrás de órgãos públicos para tentar a obtenção de verbas e destaca a dificuldade da manutenção do espaço.

“Provavelmente em janeiro deste ano vamos passar a instituição para outro grupo religioso, porque não temos mais como manter o serviço”, explica Sérgio. O Cejocomd trabalhou por 21 anos no atendimento de dependentes químicos no município.

Entidades possuem convênio
A CT Melhor Viver possui um convênio com a prefeitura e acolhe adolescentes do sexo masculino. A entidade conta com 24 vagas e possui espaços disponíveis para o tratamento atualmente. “Nosso funcionamento é quase totalmente com verba do município. Havia um convênio, que já se encerrou, e agora fizemos um novo levantamento de custos, já que temos um contrato emergencial quase acabando”, explica o Presidente do Ministério Melhor Viver, João Eliseu Montes. Outra comunidade que possui convênios com órgãos públicos é a Esquadrão da Vida, que possui 38 vagas para adultos do sexo masculino. Porém, segundo o diretor da instituição, Cristiano Correia, as vagas sociais possuem uma lista de espera de 5 pessoas. “Já chegamos a ter 10 pessoas tentando entrar nas vagas conveniadas”, afirma Cristiano.

‘Rosa Mística’ realiza atendimento para o público feminino

A CT Rosa Mística, localizada na Colônia Dona Luíza, possui um total de 40 vagas e atende exclusivamente o público feminino, entre adolescentes e adultas. A entidade possui convênios com a Prefeitura de Ponta Grossa e o Estado para a manutenção das instalações, mas funciona constantemente acima da capacidade do local. “Todos que nos procuram, independente de ter vaga, nós vamos atender”, destaca a assistente social, Dirlene Maria Kubaski Trevisan. A comunidade sobrevive de doações e, segundo Dirlene Kubaski, uma das principais dificuldades é pagar profissionais, como o psiquiatra.

Equipe profissional

As seis comunidades terapêuticas de Ponta Grossa contam com profissionais especializados no tratamento dos dependentes químicos. Enfermeiros, psiquiatras, médicos, técnicos em reabilitação e assistentes sociais trabalham nas entidades de PG.

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