Áreas irregulares expõem extrema pobreza em PG

A queda da gestante Silmara Moreira, de 25 anos, no último domingo em Ponta Grossa expôs um drama familiar que afeta pelo menos mais sete pessoas. Grávida de oito meses, ela caiu de uma altura de dez metros em direção ao arroio do Pilão, que passa pela área central da cidade e desemboca na Vila Vilela. A jovem e o marido, mais dois adultos e quatro crianças (com idades de um, dois e quatro anos, além de um recém-nascido de apenas dois meses) moram em uma área de risco perto do local do acidente.
Na tarde de ontem, acompanhando a Defesa Civil, a equipe de reportagem do Jornal da Manhã teve liberação para chegar até a moradia. Em condições de extrema pobreza, as oito pessoas vivem em uma casa de madeira de um cômodo, com no máximo 15 metros quadrados.
Sem banheiro, água encanada e iluminação improvisada, restos de comidas se misturam a roupas e pertences espalhados pelo chão. Cachorros e gatos transitam livremente pelo espaço devido a falhas nas paredes. Dentro de um dos sofás existentes na casa uma cachorra chegou a parir oito filhotes. O cheiro e a umidade no local também incomodam. Um dos lados da casa desmoronou e foi parar no córrego. De acordo com vizinhos, eles moram nessas condições há dois anos.
O coordenador da Defesa Civil, Edson Witek, voltou até a moradia para fazer a transferência da família para a Casa da Acolhida. “Viemos até aqui para fazer esse encaminhamento, pois a previsão é de temporal com granizo para a tarde de hoje [ontem] e chuva nos próximos três dias”, contou. No entanto, o grupo já não se encontrava mais no local. A equipe então foi procurar pelos moradores na casa da mãe de Silmara. A senhora vive na mesma área de risco, poucos metros de onde a filha ficava. Ninguém foi encontrado.
A realidade de Silmara e sua mãe não são as únicas do município. Apenas nessa região da Vila Vilela, outras 15 famílias vivem à beira do arroio.
Dados repassados pela Defesa Civil dão conta de que pelo menos 76 famílias estão nas mesmas condições, espalhadas por 12 bairros, somando 270 pessoas. “Nosso trabalho é de fiscalização sistemática. O problema é que do dia para noite novas construções surgem nas encostas dos rios, córregos e arroios da cidade”, justifica Witek.
URGÊNCIA - Órgão procurou auxílio na Prolar
Para tentar resolver a situação de Silmara e das outras pessoas que moram com ela, a Defesa Civil protocolou junto a Companhia de Habitação de Ponta Grossa (Prolar) um pedido de urgência para o repasse de uma casa popular em um dos conjuntos habitacionais que estão sendo construídos na cidade. “Eles ainda não possuíam cadastro junto ao órgão. Sempre que temos acesso a essas situações, orientamos para que busquem regularizar a questão. Todavia, a burocracia existente impede o repasse”, desabafa Witek. A Prolar espera entregar até o final do ano 1.967 moradias populares aos ponta-grossenses que se enquadram nas faixas 1 (renda de 0 a R$ 1.600,00) e 2 (de R$ 1.600,00 a R$ 3.275,00) do Programa “Minha Casa Minha Vida”, do Governo Federal.
O QUÊ - Assistência social
Juntamente com a Defesa Civil, assistentes sociais do Cras Jardim Carvalho e do Creas Pop acompanharam o trabalho. “Há dois meses nós passamos a atender essa família. No início, nem documento alguns possuíam”, revela a assistente social, Tatyla Barreto. Segundo ela, todos trabalham com reciclagem, não possuindo renda fixa.





















