MP instaura inquérito para apurar divisão de salários

Com base nas informações coletadas durante pouco mais de um mês, a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público de Ponta Grossa decidiu dar continuidade às investigações sobre a suposta divisão dos salários de assessores da Câmara Municipal e instaurou um inquérito civil contra o vereador Aguinel Batista (PCdoB). A Promotoria também derrubou o sigilo decretado no início dos trabalhos.
A abertura do inquérito deve esclarecer as denúncias contra o parlamentar, que envolvem a suposta cobrança de contribuições partidárias ilegais dentro do seu gabinete. O Ministério Público do Paraná (MP) pretende ouvir, nos próximos dias, outros assessores parlamentares que atuaram no gabinete de Aguinel ao lado do delator do esquema, Joel Gonçalves de Assis Junior. Uma lista de assessores solicitada pelo MP já foi fornecida pelo vereador e incluída nos autos do inquérito civil.
Além da denúncia feita por Joel e das gravações no interior do gabinete, o MP coletou o depoimento de Aguinel durante a primeira etapa da investigação. Na oitiva à Promotoria, o vereador voltou a negar que houvesse exigências para que os assessores renunciassem a uma parcela dos salários pagos pelo Legislativo em prol do partido. O parlamentar reafirmou que as contribuições dos funcionários foram espontâneas e legais.
Segundo a denúncia do ex-assessor Joel Gonçalves, Aguinel teria obrigado os assessores a deixarem uma parcela dos seus salários no gabinete. Os recursos tinham a finalidade de abastecer partidos políticos e, ainda, custear as atividades assistencialistas supostamente desenvolvidas no gabinete de Aguinel. As contribuições seriam uma condição para que os assessores permanecessem no cargo em comissão.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, Aguinel disse que os novos depoimentos que serão coletados devem ‘desmentir’ Joel Gonçalves. “Se todos falarem a verdade, acredito que esta questão seja resolvida”, afirmou. O vereador também voltou a dizer que a denúncia faz parte de retaliação política. “Esta claro que a denúncia é política, surgiu bem quando se discutia a extinção dos cobradores”, completou.
JOGO POLÍTICO - MP questiona motivação de denúncia
Além do teor da denúncia oferecida pelo ex-assessor do vereador Aguinel Batista (PCdoB), a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público de Ponta Grossa questionou as motivações que levaram Joel Gonçalves de Assis Junior a formalizar a denúncia junto ao Ministério Público do Paraná (MP). No depoimento ao MP, Joel disse que foi procurado pelo assessor do líder do governo na Câmara, Ricardo Pelloze, para trazer as gravações feitas no gabinete de Aguinel à tona. Segundo o vereador denunciado, o depoimento de Joel confirma o caráter político da delação. “O Pelloze queria as gravações para retaliar os questionamentos que fiz sobre os negócios dele com o governo”, disse.
As informações são de Stiven de Souza do Jornal da Manhã





















