Benett é tema de ‘crossover’ de quadrinhos na região

‘Crossover’ é um conceito cultural que significa a combinação de diferentes artes ou de personagens e temas de uma mesma expressão artística. Nessa quinta-feira (7), haverá o primeiro crossover de HQ feito nos Campos Gerais. É que enquanto a obra do cartunista Benett for projetada num telão da sala B do Cine-Teatro Ópera, o baixista Hugo Alex, da banda Cadillac Dinossauros, vai improvisar musicalmente diante das imagens que vê.
“A partir de umas 60 ilustrações, eu vou fazer umas ‘texturas’ com o baixo de acordo com o ‘brilho’ de cada grupo de imagens. Se o conjunto for ‘mais escuro’, o andamento musical será um; se ele for ‘mais solar’, menos melancólico, será outro andamento”, explica Hugo Alex, músico que aceitou o desafio dos organizadores atividade pela “aventura” do formato, que também é inédito para ele.
Benett segundo outros cartunistas
“Benett é um dos desenhistas que mais presta homenagem aos grandes mestres do humor americano com seu trabalho. Por isso, a sua opção preferencial pelo gênero autodepreciativo característico de Charles Schultz, Woody Allen, Groucho Marx”, analisa Arnaldo Branco, que é jornalista e criador dos personagens de quadrinhos Capitão Presença e Joe Pimp, publicados pela revista Tarja Preta.
“Eu sempre achei que não era possível rir mais de uma vez de uma piada, a não ser com o tempo. Mas o humor do Benett me faz rir mais de uma vez, imediatamente. E não é esse riso raso da internet: kkk, rsrsrs... É risada de verdade”, observa Jean Galvão, que publica charges políticas na página dois do jornal Folha de S. Paulo desde 1999. Jean, atualmente, divide esse espaço com o Benett e Angeli.
Adversário da estupidez
Além do crossover, serão comentados durante a atividade diferentes gêneros de expressão HQ de Benett e episódios da carreira, como suas participações e premiação no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Egresso das ruas do bairro Santa Paula e dos corredores do curso de Jornalismo da UEPG, Benett trouxe a sua personalidade singular para o humor brasileiro não apenas no humor político, mas explorando temas insólitos e “falhas” da condição humana, tendo a si próprio como alvo recorrente.
A programação voltada a Benett inclui depoimentos inéditos, como o feito pela cartunista Pryscila Vieira, no qual ela dá a sua versão de como o lado boêmio de Benett convive com uma figura disciplinada que produz toneladas de trabalho criativo. Outro colaborador foi o fã João de Oliveira Jr, cuja fanpage reúne mais de 2.500 trabalhos do cartunista. Convidado à difícil tarefa de definir sua admiração, arriscou: “Benett tem uma qualidade encontrada em poucos humanos, que eu chamaria de sagacidade meio psicanalítica, meio psicopática”. Logo complementa: “Uma grande parte do universo dos personagens do Benett questiona permanentemente uma certa estupidez humana”.
Durante abril e maio, o Clube de Humor se dedicou a valorizar os cartunistas do Paraná. No dia 23, a homenagem foi a Roque Sponholz. Em 21 de maio, o desafio será contar a história de José Ireno.
Informações da assessoria.





















