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Professores de PG relatam momentos de terror

VÍDEO
| Autor: Gabriel Sartini

Afonso Verner

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O sentimento de dor, angústia e terror é evidente nos professores de Ponta Grossa feridos ontem (29) no Centro Cívico de Curitiba. Quatro docentes estiveram hoje (30) na sede do Instituto Médico Legal (IML) de PG para fazer exame de corpo de delito - os educadores classificaram o dia de ontem como o "mais triste da história do Paraná".

Dos cerca de 200 educadores de PG que estavam no Centro Cívico durante a confusão, ao menos 10 tiveram ferimentos. Paulo Sérgio Rofinho é professor do Estado do Paraná há 20 anos e foi atingido por um tiro de bala de borracha na região de virilha - ele chegou a ficar desacordado após o ferimento.

"Eu estava na grade de contenção e quando vi as bombas já tinham começado a ser lançadas. Quando eu vi, já estava caído e desacordado. O que a gente sente é um sentimento de revolta, indignação mesmo. eu estava lá pra protestar por um direito nosso e ser tratado de tal forma".


"Fomos atingidos pelas costas", conta professor

Tércio Alves do Nascimento, professor de Filosofia e pedagogo do Estado há 22 anos, conta que a maioria dos docentes foi atingida "de maneira covarde". Tércio é representante da APP-Sindicato, órgão que representa a categoria.

"Nós não esperávamos que a coisa fosse chegar a tal ponto, afinal somos professores. Todos nós fomos atingidos pelas costas. Quais eram as armas que tínhamos?", questionou Tércio.

Os docentes também recolheram balas de borracha e outros estilhaços utilizados durante a confusão. O material também foi levado ao IML da cidade.

Cerco da Polícia é comparado com a Ditadura Militar

Nervoso e emocionado, o professor disse que o tratamento da polícia "foi mais violento" do que o destinado a presos em rebeliões em presídios e comparou o conflito de ontem com a repressão do Estado durante o Regime Militar (1964-1984). "A Polícia foi truculenta. Nós queríamos entrar na Assembleia Legislativa, o que é nosso direito. Um cerco tão feroz não foi realizado nem durante a Ditadura Militar", contou.

Cerca de 1000 policiais militares de todo o estado cercavam a Assembleia Legislativa desde a manhã de domingo (26) para evitar que os manifestantes entrassem no prédio.

Professor de PG foi gravemente ferido

De acordo com os educadores que estiveram no IML na manhã de hoje, ao menos 10 professores de Ponta Grossa foram feridos durante a confusão - um deles teria sido atingido na região da testa.

Identificado até o momento como Ismael, o educador estaria internado em um hospital de Ponta Grossa. O portal aRede tenta localizar o professor nas casas hospitalares da cidade.

Richa defende PM e culpa 'Black blocs' por confronto

O governador Beto Richa (PSDB) defendeu a ação da Polícia Militar (PM) e culpou grupos‘Black Blocs’ pelo confronto que aconteceu na tarde desta quarta-feira (29) no Centro Cívico, em Curitiba. Segundo ele, o objetivo da PM foi impedir a invasão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e garantir o trabalho dos deputados estaduais na votação do projeto que prevê mudanças no regime da ParanáPrevidência.

Projeto foi aprovado com 'guerra' do lado de fora

Apesar dos intensos confrontos entre a Polícia Militar e manifestantes durante toda a tarde desta quarta-feira (29), os deputados estaduais aprovaram por 30 a 21 o projeto que altera a ParanaPrevidência. A APP-Sindicato informou que, mesmo com a decisão dos parlamentares, vai manter a greve por tempo indeterminado.

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