Moradores recebem 'ultimato' para deixar casas
Depois da primeira ‘derrubada’ de residências, moradores do Jardim Ouro Verde receberam o aviso da Prefeitura Municipal de que terão as casas derrubadas nesta quinta-feira (23). Algumas residências estão construídas em locais irregulares ou tiveram a área invadida e, por isso, serão demolidas.
Os moradores do local, no entanto, explicam que passam por extremas necessidades e não têm para onde correr. Joel Fernandes de Lima dos Santos e Silva mora com a família no local há dois meses e conta que não tem condições de deixar a casa.
“Não temos para onde ir. Eu trabalhava de pedreiro na construção de uma escola, mas o dinheiro para o fim da obra não foi liberado pela Prefeitura e fiquei sem receber. Aí tive que parar de pagar aluguel e vir com minha família pra cá”, conta Joel, que teve o ‘barraquinho’ de lona – como ele mesmo costuma chamar – derrubado na semana passada.
Na última semana a Prefeitura ordenou que a Guarda Municipal retirasse três famílias do local e derrubasse as casas – já que estavam em situação irregular. “Montei um barraquinho, mas eles [Prefeitura e Guarda Municipal] derrubaram. Aí tive que passar para outra casa e já fui avisado que vão derrubar também. Eu não vou sair, quando virarem as costas eu vou montar de novo”, conta Joel. Ele, através da esposa, está na fila da Companhia de Habitação de Ponta Grossa (Prolar) há quatro anos e não foi contemplado com uma residência.
A situação é semelhante para João Darci Ramos da Luz. Há dois meses o morador precisou parar de pagar aluguel e se mudou para o terreno. “Aqui sofremos sem água, luz e outras necessidades, mas não temos para onde ir. Paguei aluguel até quando podia, hoje não tenho condições e preciso morar aqui”, conta.
João Darci também está há alguns anos na fila da Prolar e ainda não recebeu a residência. “Herdei o cadastro da Prolar do meu pai, que morreu e não chegou a receber uma casa. Até hoje também não ganhei”, explica.
Explicação da Prefeitura
Em contato com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, foi informado que o terreno no Ouro Verde passará por reformas de infraestrutura para, posteriormente, ser transferido para a Prolar e encaminhado às famílias junto ao Programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, do governo federal. A data para início das obras, no entanto, ainda não foi confirmada.
O Portal ARede e o Jornal da Manhã não conseguiram contato com o presidente da Prolar, Dino Schrutt, para comentar a respeito do tempo de espera das famílias na fila.





















