Gabinete de Rangel gasta R$ 36 mil com refeições

Presta atenção neste cardápio:
Pratos quentes - arroz branco, arroz imperial com castanhas, risoto de camarão, risoto de frango, risoto de bacalhau, strogonoff de mignon, pirogue de ricota, espaguete ao molho parisiense, espaguete ao molho fungui, camarão, peixe ao molho, bacalhau.
Saladas - maionese, salpicão, tomate fresco, cebola fatiada temperada, cenoura e passas, couve-flor, brócolis, tabule indiano, carpaccio de palmito, carpaccio de carne bovina, alface de dois tipos, salada de queijo branco e tomate seco, salamito, queijo parmesão em lascas, azeitonas verdes, azeitonas pretas.
Rodízio - picanha, medalhão de mignon, frango, alcatra, linguiça, paleta suína, maminha, entre outros tipos de carne.
Deu água na boca? Não dá pra negar que a corte do Palácio da Ronda está bem-servida! O cardápio consta de contrato fechado entre a Prefeitura de Ponta Grossa e o Restaurante La Gôndola (VLM Restaurante Ltda) para atender ao gabinete do prefeito Marcelo Rangel.
No Centro
O contrato foi firmado no ano passado e ainda está vigente. A empresa foi contratada por meio de licitação. Além do cardápio – que, não resta dúvida, é de muito bom gosto – o edital de licitação tinha outra exigência feita pelo gabinete: o restaurante deveria “dispor de estacionamento próprio e instalações na região central da cidade de Ponta Grossa”. A bebida não foi inclusa no cardápio, mas, segundo o contrato, o restaurante pode “prontificar-se em servi-la como gentileza”.
O valor
Ficou curioso para saber o valor do contrato? R$ 36,6 mil para um total de 800 refeições. Valor por refeição: R$ 45,86. Somente a título de comparação, com os mesmos R$ 36,6 mil seria possível servir 18.345 refeições no Restaurante Popular de Ponta Grossa, onde o prato custa R$ 2 e que está em vias de fechar porque o governo não paga os fornecedores, sem falar que desvia as merendeiras das creches para trabalhar no restaurante. Claro que o cardápio do Restaurante Popular nem se compara com o do Gabinete... Pra desgraça do povo!
Austeridade?
Alguém pode estar se perguntando: mas por que o gabinete do prefeito se dá ao luxo de um cardápio como este, ao mesmo tempo em que fala tanto de austeridade nas contas públicas? Segundo o contrato, assinado pelo chefe de Gabinete e tio do prefeito, Ricardo Luiz Torquato Linhares, o serviço irá atender “almoços e/ou jantares que sejam, excepcionalmente, de responsabilidade do Executivo Municipal, em visitas de caráter oficial ou comercial, datas comemorativas ou eventos de interesse da Municipalidade”.
Bem-servido
O contrato com o restaurante tem prazo de 12 meses, termina no mês que vem, e pode ser “prorrogável a critério da Administração”. Alguns vereadores estão de olho na mordomia do gabinete do prefeito. Nenhum levantou qualquer suspeita de irregularidade até o momento. Muitos devem ter ficado com inveja. Outros já pensam em obrigar o mesmo cardápio do Restaurante Popular. E todos, acredita-se, concordam com uma coisa: o Gabinete do prefeito Marcelo Rangel está muito bem-servido. Lá, come-se bem!
“Marmitex”
A Prefeitura de Ponta Grossa possui diversos outros contratos referentes ao fornecimento de refeições. A diferença em relação ao Gabinete do prefeito, claro, está sempre no cardápio e no preço. Exemplo: para atender os servidores da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, no ano passado a Prefeitura firmou contrato (197/2014) em que pagou R$ 9,65 em cada almoço ou, mais especificamente, “marmitex”.
Privilégio
Em outro contrato (974/2014), foi pago R$ 9,16 em “marmitex” para atender o CAPS-AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), da Secretaria Municipal de Saúde. Exemplos como estes existem ao montes. Ou seja, para o povo: Restante Popular. Para os servidores: “marmitex”. Refeição com cardápio especial, a R$ 45,86 por pessoa, é um privilégio somente ao Gabinete do prefeito Marcelo Rangel.





















