MP convoca novas oitivas sobre desvio de recursos

A Promotoria do Patrimônio Público de Ponta Grossa convocou novos depoimentos para apurar o desvio de R$ 728 mil do Programa Mercado da Família. Após ouvir o ex-diretor financeiro Márcio Ribeiro Ferreira – o ‘Chokito’, em oitiva realizada na semana passada, o Ministério Público (MP) intimou a supervisora do Abastecimento, Edina Vitkoski, e o antecessor de Chokito na diretoria financeira, Robson Lendzion, para prestarem depoimento nesta semana.
Servidora de carreira lotada na Secretaria do Abastecimento, Edina deve comparecer ao MP na terça-feira, enquanto Robson depõe na quinta-feira. Ambos já participaram dos interrogatórios da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instaurada na Câmara Municipal para investigar o caso, e depuseram à sindicância interna da Prefeitura que contabilizou o valor da verba desviada do Mercado da Família.
Segundo relato à CPI, a supervisora teria percebido o desfalque nas contas do programa social em outubro do ano passado, quando acompanhou Robson na abertura de um dos cofres da secretaria. Na ocasião, o ex-diretor não fazia parte do setor de finanças, mas ainda sim possuía acesso aos recursos. Edina conta que foi solicitada a abertura do cofre para que uma remessa de R$ 10 mil fosse entregue ao banco. Conforme o relato, além da remessa, quatro envelopes foram encontrados abertos dentro do caixa, do qual apenas Robson teria a chave.
Os dois são apontados por Chokito como membros de uma ‘célula de oração’, que acontecia toda quarta-feira dentro da sala do ex-secretário Sérgio Zadorosny, após o expediente da Prefeitura. De acordo com a versão do ex-diretor financeiro, Edina, Robson e outros servidores permaneciam na secretaria após o fechamento do Palácio da Ronda para realizarem círculos de orações.
Acusado por Chokito como responsável pelo desvio, Robson atuou na diretoria financeira em 2013 – período em que R$ 130 mil foram desviados do Mercado da Família. Em 2014, o próprio Chokito assumiu o cargo e os desvios somaram quase R$ 600 mil. A diferença entre os valores foi ressaltada pelo advogado de Robson durante depoimento à CPI.
Além de destacar que cerca de 80% dos desfalques teriam ocorrido na gestão de Chokito, a defesa de Robson lembrou eu pelo menos 15 pessoas tinham acesso livre aos valores arrecadados nas lojas do programa. O MP pretende confrontar os depoimentos concedidos à sindicância e à CPI, além de esclarecer contradições levantadas pelos depoentes. A investigação da Promotoria segue em paralelo à CPI e também a um inquérito policial instaurado após a denúncia do desvio.
CPI apura existência de ‘quadrilha’
Após os depoimentos coletados na última sexta-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mercado da Família começou a suspeitar do envolvimento de mais pessoas no esquema de desvio de recursos do Abastecimento. De acordo com o presidente da CPI, Izaías Salustiano (PSDC), o montante dos recursos desviados e os onze depoimentos coletados até o momento trazem indícios da participação de várias pessoas na sangria dos cofres da Prefeitura. “Não descartamos a possibilidade de haver outras pessoas envolvidas no caso.
Existem indícios fortes da participação de mais de uma pessoa no esquema”, disse. Na última sexta-feira, a ex-diretora administrativa do Abastecimento, Patrícia Di Mário Rosa, disse acreditar que várias pessoas podem ter participado do desvio de R$ 728 mil. Questionada pelo autor da CPI, George de Oliveira (PMN), sobre a possibilidade da filmagem na secretaria ter sido produzida para incriminar o ex-diretor Robson Lendzion e livrar outros envolvidos, Patrícia foi afirmativa: “Acredito que sim”.
Abastecimento licita novo sistema de segurança para lojas
O escândalo de corrupção no Programa Mercado da Família levou a Secretaria de Abastecimento a estudar novas medidas de segurança no transporte de valores arrecadados nas lojas. De acordo com o secretário de Abastecimento Mário Ferreira, a Prefeitura prepara uma licitação para terceirizar o armazenamento e o transporte das verbas. “Queremos adquirir o sistema Compusafe, que é um cofre totalmente seguro que será instalado nas lojas do programa. O dinheiro irá direto dos caixas para o Compusafe e a empresa fará o transporte dos valores até o banco”, afirma. A ideia inicial do Abastecimento era extinguir o uso de dinheiro nas unidades, mas o projeto esbarra na legislação federal e não poderá ser implantado.
Investigações
Os desvios foram denunciados publicamente pelo ex-secretário de Abastecimento, Sérgio Zadorosny, em dezembro de 2014. O caso foi levado à Polícia Civil e, posteriormente, ao Ministério Público (MP). A Câmara instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no início do período legislativo. Segundo a Controladoria Geral do Município, R$ 728 mil foram desviados entre 2013 e 2014.
Informações do Jornal da Manhã.





















