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Ponta Grossa perde quase 38% da água na distribuição

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O Instituto Trata Brasil acaba de divulgar um estudo, baseado em números de 2009 a 2013, que traz o levantamento do desperdício de água nos 100 maiores municípios brasileiros. Em tempos de crise hídrica, os resultados assustam. Especialmente porque o estudo “Perdas de Água: Desafios ao Avanço do Saneamento Básico e à Escassez Hídrica” mostra que os dados referentes à cidade de Ponta Grossa não são animadores.

A pesquisa levou em conta três índices principais: Índice de Perdas Totais de Faturamento – IPTF (quanto se deixa de arrecadar com o sistema de distribuição de água, devido a vazamentos ou ligações clandestinas), Índice de Perdas na Distribuição – IPD (quanto de água se perde no trajeto até chegar a uma residência) e o Índice de Perdas por Ligação – IPL (que se concentra nas perdas de água em cada residência atendida). Nos três quesitos, Ponta Grossa aumentou, gradativamente, as perdas ao longo dos cinco anos pesquisados.

Quando se trata de perdas na distribuição (IPD), Ponta Grossa apresentava índice de 19,67% em 2009, e passou para os surpreendentes 37,96% em 2013. O município está, portanto, entre as 84 cidades que perdem mais de ¼ da água tratada. Isso é mais do que o registrado pela metrópole São Paulo, que teve perda de 35,79% em 2013.

Segundo as estatísticas, em 2009 a perda do faturamento do setor (IPTF) no município era de 15,22%. Essa porcentagem aumentou, atingindo o índice de 26,76% em 2013. A título de comparação, o Instituto informa que, em países desenvolvidos, esses índices são menores que 15%. No entanto, em todo o País, apenas 16 das cidades pesquisadas obtiveram índice inferior a 25%.

Segundo Édison Carlos, presidente executivo do Trata Brasil, a perda de faturamento se devem em grande parte, pelas ligações clandestinas, especialmente em áreas de moradia irregular. “Nessas áreas é comum encontrar as chamadas ‘perdas sociais’, que correspondem aos consumos não autorizados e não faturados (perdas aparentes) decorrentes de ligações clandestinas e fraudes. Geralmente é a empresa de saneamento quem assume o custo das perdas sociais (vazamentos, ligações clandestinas e água submedida)”, diz.

Sanepar conteste dados

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) contesta os dados do estudo. Segundo a empresa, considerando vazamentos, a perda em Ponta Grossa fica em torno de 20%. Os números variam porque o SNIS utiliza outras fórmulas para o cálculo. Segundo a Companhia, as fraudes são especialmente preocupantes. Somente em 2014 foram mais de 500 casos de furto de água na cidade. A Sanepar informa, ainda, que adotou em 2012 uma modificação no sistema de medição dos volumes aduzido e medido, o que repercute na variação dos percentuais. Neste período, a extensão das redes de distribuição na cidade também cresceu em torno de 8,5%. A população pode contribuir, informando sempre que perceber algum vazamento na rua. O telefone para isso é 0800-200-0115. Funciona 24 horas e as ligações são gratuitas, inclusive quando feitas a partir de telefone celular.

O estudo

O estudo teve como fundamento os dados mais recentes do Ministério das Cidades, especificamente no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – ano de referência 2013). Em grandes números, os dados do SNIS 2013 mostram que as perdas na distribuição estão em 37% no País, e que as perdas financeiras totais estão em 39%. Os números completos estão no site www.tratabrasil.org.br.

Informações do Jornal da Manhã.

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